Waste? é uma série de documentários que mostra como as pessoas estão redefinindo o que é lixo. Desde arquitetos construindo casas com restos de pneus, até uma indústria que recicla a água para fazer suas cervejas.

Matéria da SPTV sobre telhado verde, traz a entrevista com o consultor e Eng. Agrônomo Márcio Araújo, sócio do IDHEA
Eu sei, eu sei, estou em dívida aqui com este espaço. Alguns já andaram reclamando, eu mesmo tava angustiado pra retomar o blog. Minha ausência tem um pouco a ver com o twitter, que supre parte de minha ânsia por compartilhar informação, mas também com a campanha Salvar o Planeta, do Greenpeace (que me consumiu durante três meses) e meus filhos, com quem tenho passado boa parte do tempo para matar as saudades.
Mas vamos lá reativar esta bagaça neste Dia da Terra. Não sou muito de blogagem coletiva, mas
A World Without Water from senseisoke on Vimeo.
Quando era pequeno, lembro de ficar imaginando o que seria pior, viver sem luz ou sem água. Ia listando os prós e contras de cada situação hipotética, que por vezes se tornava real. Não raro ficávamos sem água ou luz num apertado apartamento em Botafogo, que sempre me vem à mente quando escuto a música Big Brother, do antológico disco Talking Book do Steve Wonder. Ficar sem água, claro, ganhava disparado na disputa imaginária que eu fazia. Não ter como se lavar nem limpar as coisas, ficar sem ter o que beber, nem ter como se refrescar… dureza total.
Toda essa viagem ao passado me ocorreu ao ver a garotinha boliviana nesse documentário Um Mundo Sem Água, do Channel 4 chorando por não ter amigos. Ela é chamada de ‘porquinha’ porque não toma banho e não o faz simplesmente porque a família não tem dinheiro para pagar. Foda.
Cerca de 1/3 da população mundial vive sem acesso pleno à água. Em 40 anos, especialistas estimam que metade do planeta sofrerá dessa escassez. Do jeito que estamos poluindo mares, rios, aquíferos, lagos, matas e ar, esse número só tende a crescer assustadoramente - principalmente na África e Ásia.
E nesse meio tempo, empresas vão tomando conta das fontes de água limpa que restam, privatizando um bem comum e cobrando cada vez mais por isso. Na Índia, mostra o documentário, chegamos ao absurdo da população do Rajistão ter que brigar com a Coca-Cola pelo direito à água subterrânea da região! A empresa suga 500 mil litros de água todos os dias para fazer seu refrigerante, deixando fazendeiros e comunidades inteiras sem água nos poços.
O que é preciso para impedir que um direito básico do ser humano seja usurpado em nome do lucro? Protestos? Quebra-quebra? Guerra civil? Massacre de civis?
A crise da água fresca, como alguns especialistas já a chamam, já bate em nossas portas e deverá ser mais severa e crítica do que a financeira e climática que temos hoje juntas. Para muitos, no entanto, o absurdo de termos uma crise de água fresca num planeta 70% coberto por água ainda é papo de eco-chato, de quem reclama de tudo sem perceber a maravilha que é um pôr-do-sol em São Paulo - mesmo que a cor alaranjada do fim do dia seja puro reflexo da poluição da cidade.
Com esse pessoal, a garotinha boliviana não pode mesmo contar.
E onde está o X da questão? No consumo. Tudo o que consumimos gera impacto, muitas vezes terríveis para determinadas regiões. Produtores podem desmatar uma Amazônia inteira ou redesenhar uma praia ou acabar com parques marinhos como o de Abrolhos se o mercado consumidor assim o exigir. Algumas economias, como a americana e européia, são viciadas em consumo e assim jogam pelo ralo a sustentabilidade que poderia garantir o equilibrio socioeconomico necessário para se evitar novas crises.
Para alguns, conforto é prioritário à saúde, ao bem-estar de outras comunidades, à natureza, às comunidades tradicionais. Mais do que financeira, climática ou de consumo, a crise é de valores. Mas isso uma hora tem que mudar - por bem ou por mal.
Uma animação do pessoal do Free Range Studios, que já nos deu Homeland Guantanamo (sobre as prisões de imigrantes nos EUA), The Story of Stuff (sobre sustentabilidade) e Meatrix (sobre as fazendas industriais), entre outras:
(e pensar que pra muita gente esse pescador aí é considerado um loser…)
Cada vez que descartamos um produto eletrônico, estamos criando um sério problema ambiental. Pra onde vai aquela TV, aparelho de som ou computador que já não nos serve, cheia de componentes químicos e tóxicos? O Greenpeace tem pesquisado a fundo esse tema e denunciado a exportação de lixo eletrônico europeu, americano e japonês para países pobres, principalmente na África e Ásia. A organização ambientalista fez um teste: levou uma TV detonada, praticamente inútil, para ser reciclada na Inglaterra. Resultado? O aparelho foi ‘exportado’ para a Nigéria. Picaretagem pura.
Confira abaixo:
Mais detalhes aqui.
Ou no vídeo abaixo:
O documentário O Mundo Segundo a Monsanto, da jornalista francesa Marie-Monique Robin, finalmente ganhou legendas em português no Youtube. Está dividido em 12 capítulos. Quem quiser realmente entender o que está por trás da engenharia genética aplicada a alimentos precisa ver esse filme.
Robin agora está se dedicando a desvendar as relações entre a industrialização da agricultura e o aumento nos casos de câncer no mundo, segundo disse em entrevista à revista Época. Não é de hoje que sabemos que comida industrializada é lixo embalado. A questão é quanto isso está fazendo mal para nossa saúde. Uma matéria publicada terça-feira no Estadão, por exemplo, mostra que estamos envenenando nossas crianças com excesso de gordura, sal, açúcares.
Os transgênicos são apenas parte do problema. A questão central é o descaso da indústria - e de boa parte dos consumidores - com algo tão fundamental como nossa comida do dia-a-dia. Devemos sempre conhecer o que ingerimos, saber o que pode provocar em nosso organismo, quais as contra-indicações, e assim por diante. Mas para isso precisamos de honestidade por parte da indústria, o que não acontece. Eles só se mexem quando há pressão de consumidores e/ou Justiça - quando se mexem. Mas a gente tá aqui pra dar bicuda na canela deles até que tomem vergonha na cara e mudem o paradigma do seu negócio, né não?
Enfim, vamos ao filme:
Tentei subir no orkut mais algumas fotos do tour do navio do Greenpeace em Belém, mas não rolou - acho que por conta da precariedade da internet aqui do hotel. Mas aqui no blog tá rolando, então publico pra compartilhar um pouco do que aconteceu neste fim de semana - e também pra eu não esquecer de publicar depois lá no orkut…
Publico também o vídeo que fizemos sobre o open boat (como chamamos a visitação pública ao barco) no fim de semana. A população de Belém tem prestigiado o evento em peso, foram mais de 2 mil pessoas no sábado e neste domingo. Mesmo com a forte chuva que cai vez ou outra, a galera não arreda pé da fila, se protege do jeito que dá para poder visitar o navio e saber o que o Greenpeace tem a dizer sobre as mudanças climáticas e soluções viáveis que pairam no horizonte. Foi bem legal.
É isso:

A Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI) lançou, já há algum tempo um novo site importantíssimo para todos nós que nos preocupamos e nos envolvemos com a questão ecológica: o Mudanças Climáticas.
A construção serve bem tanto a cidadãos, como a blogueiros e jornalistas (aliás, ambos os últimos estão na primeira categoria, não?). Levanta pautas interessantes, aprofunda temas, fala de políticas públicas e das organizações não-governamentais e ainda por cima tem um arquivo de dar água na boca.
Hoje, ao ir de novo lá para escrever esta resenha, encontro uma entrevista antiga (maio de 2008) de um velho conhecido e ativista dos bons: Caio Magri, assessor de Políticas Públicas do Instituto Ethos, concede entrevista à ANDI.
O site tem belíssimos artigos e, melhor, tem uma agenda atualizadinha, banco de fontes, sites de referência. Uma mão na roda para pesquisar e escrever sobre clima e ecologia.
O grande defeito? Feed só na página principal e de alguns itens. A viciada em compartilhamento sente falta de algumas ferramentas. Mas só o fato de vídeos no tubo e publicações estarem disponíveis já é uma enorme ajuda. Foi pro delicious na marra…
A grande maravilha: informação limpinha, limpinha.