
Terça-feira é Dia Mundial Sem Carro. Não, a história não é despoluir o mundo em um dia – quem dera isso fosse possível. A história é conscientizar a população sobre o uso do transporte – seja ele como for. O Movimento Dia Sem Carro terá, em São Paulo, uma agenda cheia, que começou dia 17, quinta-feira passada. No grupo de discussão das Luluzinhas, o assunto surgiu e se tornou fonte de depoimentos importantes sobre a infraestrutura urbana e atitudes pessoais sobre o automóvel com informações de várias capitais. Leiam com atenção estes depoimentos e tirem suas conclusões. Quem puder deixar o carro na garagem na próxima terça faz bem – e pode ter boas surpresas. Quem não pode, paciência.
O meu resumo? Orgulho de que várias Luluzinhas são pedestres e temos uma pedalante ativa, além das avaliações claras dos sistemas de transporte público (e do comportamento empresarial) brasileiros em São Paulo, Rio, Brasília e Curitiba.
Dirijo consultando o guia a cada semáforo vermelho.Hmmm, agora é só seguir reto que essa rua vai cair direto na Radial Leste…” Faz sol e eu tenho todo o tempo do mundo para cotar preços. As coisas começam a dar errado quando a rua que deveria cair na Radial não cai: vejo, com pesar, a tal da avenida ir ficando mais e mais alta, até que faz uma alça graciosa à esquerda e some de vista. Enquanto isso, a rua em que eu estou fez uma curva acentuada à direita e me manda para a Liberdade.
Andar de carro em São Paulo é coisa para profissionais. Sem o menor sentido de direção, uma motorista sem noção como eu se perde na primeira esquina. Decidida a não dar o braço a torcer, paro no primeiro posto que encontro.A senhora precisa dobrar à direita no primeiro farol, à direita de novo e já vai ver placa para a Radial.” E é claro que eu faço tudo certinho, não vejo nenhum sinal de placa e acabo indo parar de novo na frente do posto. O frentista me olha desconfiado. Abro o vidro: Não tem placa, moço!”.
Ele me explica tudo de novo, como se a repetição do trajeto fosse me fazer fixá-lo e acertar o caminho. Direita, direita e segue placa. Não tem erro!” Agradeço e tento mais uma vez. Direita, direita, anda um pouco, nada de placa, bifurcação. E agora? Atrás de mim, o motorista do ônibus buzina impaciente. Dobro à direita e passo de novo em frente ao posto. O MESMO posto. O frentista conversa em pé com dois colegas. Me vê e acena de longe. Acho melhor não parar desta vez.
Quase duas horas e três tentativas frustradas depois, consigo pegar a Radial Leste e chegar à loja, para descobrir, em cinco minutos, que a viagem não serviu para nada. Na volta, me perco outras duas vezes e vou parar no Centro quando queria ir é para a Zona Oeste. Faz pocinha em volta dos olhos onde o óculos escuro encosta na pele. Minha blusa está encharcada de suor e meu desodorante não dá conta do vidro fechado sem ar condicionado. Um motoqueiro me xinga, putíssimo, nem sei que infração cometi.
Quero minha mãe!
Quando vi o site Carona Chevrolet, apesar da ligação com uma marca específica, entrei em modo comemoração. Finalmente uma montadora toma uma iniciativa bacana para diminuir o trânsito em São Paulo - embora seja uma solução que depende dos usuários para funcionar.
E lá vem ele de novo: o Dia Mundial sem Carro, movimento que acontece no mundo inteiro e ainda tem baixíssima adesão aqui no Brasil. A proposta é passar um dia inteirinho sem nosso “sonho de consumo” que provoca estresse, engarrafamento, violência, mortes, gastos gigantescos com saúde pública.
O Dia Mundial Sem Carro foi implantado pela primeira vez na França, em 22 de setembro de 1997. Em 2000, a União Européia instituiu a Jornada Internacional “Na Cidade, sem meu Carro”, reunindo 760 cidades. Em 2001, 1683 cidades participaram. Encorajados pelo êxito da iniciativa do Dia Europeu sem Carros, a comissão organizadora lançou, em 2002, a Semana Européia da Mobilidade.
Em 2001, 11 cidades brasileiras aderiram ao Dia Mundial Sem Carro: Porto Alegre, Caxias do Sul e Pelotas (RS); Piracicaba (SP); Vitória (ES); Belém (PA); Cuiabá (MT), Goiânia (GO);Belo Horizonte (MG); Joinville (SC); São Luís (MA). Em São Paulo, a iniciativa é realizada desde 2005, sob a coordenação da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente.
Pesquisinha rápida no oráculo me levou ao maravilhoso site do pessoal de Mountain Bike de Belo Horizonte - com desafio e tudo. Amanhã, dia 18, os participantes percorrerão aproximadamente 12km e irão se deslocar das seguintes formas: bicicleta, motocicleta, carro, ônibus, ônibus + metrô e a pé. Sairão da Pracinha do Coração Eucarístico às 18h e irão até a Praça da Savassi, com passagem obrigatória pela esquina da Afonso Pena com Bahia.
Claro que voltei ao ótimo Apocalipse Motorizado e descobri que tem mostra de cinema no ar. No dia 22, lá no Centro de Cultura Judaica (para desocupados, viu, das 14h30 às 17h30) mais duas exibições: Sociedade do Automóvel, média metragem de 2006 feito por Branca Nunes e Thiago Benicchio; e o longa Elevado 3.5, também de 2006, de João Sodré, Maíra Santi Bühler e Paulo Pastorelo.
A programação completa da maratona está aqui.
Este artigo pertence ao Ladybug Brasil e replicado na Rede Ecoblogs. Se o encontrou em outro blog, por favor, entre em contato.
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