China, Grécia, Alemanha, Índia, Chile. Faz tempo que a poluição se tornou uma questão mundial e urgente, mas mesmo assim ainda tem muita gente que não acordou para o problema.
Em busca destes, o blog dinamarquês Gigapica Geenstijl publicou uma série de imagens chocantes sobre a poluição ao meio ambiente.

Em muitas delas, crianças e adultos aparecem em contato direto com a sujeira procurando uma forma de subsistência. Só de imaginar a quantidade de doenças a que estão expostos dá um frio na espinha!
As imagens são fortes e servem para alertar sobre a necessidade urgente do consumo e descarte conscientes, da reciclagem e da preservação do planeta.
Afinal, as fotos deixam bem claro que não é apenas o meio ambiente que sofre com a poluição. A humanidade está na mira da própria devastação.

Cientistas das universidades norte-americanas de Columbia e Yale realizam uma pesquisa para descobrir quais são os países mais limpos do mundo. Em 2008, os “vencedores” da Environmental Performance Index (EPI) – algo como Índice de Desempenho Ambiental, em português – foram: Suíça, com 95.5 pontos; Suécia e Noruega, com 93.1 ambas. Na América, o país mais limpo é a Costa Rica. O Brasil está em 34º mundial e em oitavo como americano.
Foram analisadas 149 nações do mundo todo. Para chegar a tal conclusão, os pesquisadores monitoraram a saúde ambiental, a poluição do ar, os recursos hídricos, a biodiversidade e o habitat, os recursos naturais produtivos e as mudanças “a favor” das alterações climáticas. O ranking completo e a explicação para os seis itens você pode ver aqui, em inglês.
Mas… Na boa. O Reino Unido e a Alemanha estão logo no início da lista. O que os europeus já emitiram de gases de efeito estufa durante toda a Era Industrial…
Leia este post no blog Xis-xis: Os países mais limpos do mundo
Embaixo da floresta boreal canadense, em Alberta (ao norte do país), está a segunda maior reserva de petróleo do mundo. Numa areia escura e lamacenta, que se estende por uma região quase do tamanho da Inglaterra, está o betume, que vem atraindo cada vez mais o interesse das grandes companhias petrolíferas do mundo. Só que esse ‘ouro negro’ é puro veneno.
Para se obter um barril de betume ‘limpo’, são necessárias duas toneladas dessa areia, um processo que gasta muita energia, emite CO2 na atmosfera como poucos e desmata quilômetros e mais quilômetros de florestas primárias. Perto das areias betuminosas de Alberta, o pré-sal brasileiro é fichinha - tanto em tamanho como em danos possíveis ao meio ambiente.
O Greenpeace Canadá fez um impressionante documentário sobre essa nova fronteira petrolífera e seu impacto no meio ambiente - local e mundial. O filme se chama Petropolis e ganhou este ano o prêmio do júri num festival suíço de documentários, em Nyon. Confira o trailer aqui.
Ahá! Após tanto eu pesquisar e tantas pessoas bacanas me explicarem… Eis que um estudo recente, feito por pesquisadores da Embrapa Agrobiologia, concluiu que o etanol de cana-de-açúcar é capaz de reduzir em 73% as emissões de CO2 na atmosfera se usado em substituição à gasolina. Para chegar a tal resultado, os pesquisadores da Embrapa utilizaram dados do painel de mudanças climáticas da Organização das Nações Unidas (ONU) e medições feitas diretamente em campo.
A pesquisa levou em conta quanto de gases de efeito estufa é produzido em cada etapa - desde a preparação do solo para o plantio até o transporte para o posto. A medição da emissão de gases na fabricação e aplicação de fertilizantes no campo, na construção da usina de álcool e na fabricação das máquinas e tratores também foram inclusos. O mesmo foi feito com a gasolina. Foi considerada a emissão dos gases desde a extração do petróleo até a combustão do produto nos motores dos veículos.
Em seguida, os pesquisadores avaliaram um carro movido a gasolina num percurso de 100 quilômetros e as emissões do gás durante o trajeto. Em seguida, observaram o mesmo carro, a álcool. O resultado foi uma redução de 73% das emissões de CO2 na atmosfera pelo movido a álcool comparado com o uso de gasolina pura. Já com relação ao diesel, a redução foi de 68%. Caso a prática da queima da cana seja completamente eliminada e toda a colheita seja feita mecanicamente, os valores da redução das emissões alcançarão 82% em relação à gasolina e 78% ao diesel.
Mais detalhes obtidos com a assessoria de imprensa na íntegra:
Na contramão das críticas sobre a expansão do uso da terra para a plantação de cana, o estudo mostra que as emissões de CO2 evitadas com o uso de etanol em lugar da gasolina superam em muito os possíveis aumentos das emissões de CO2 pela mudança de uso da terra para produção de cana-de-açúcar. De acordo com a pesquisa, um hectare de cana produz por ano 4420 kg de CO2, enquanto as lavouras de soja e milho, que estão sendo substituídas, emitem respectivamente1160 kg e as pastagens emitem 2840 kg. Mas em contrapartida, um hectare de cana, substitui 4500 litros de gasolina, cuja combustão emite 16 toneladas de CO2 por ano para a atmosfera. O resultado é que a cada hectare de cana transformado em álcool e utilizado em substituição à gasolina, produz uma redução de 12 toneladas nas emissões de CO2 por ano.
Por cada quilo de nitrogênio na forma de fertilizante, são emitidos em sua síntese 4,50 quilos de CO2 para a atmosfera. O Brasil, no entanto, se comparado a outros países, utiliza menos adubo nitrogenado na cana. Isto é resultado da capacidade da cultura de fixar o nitrogênio do ar através da ação de bactérias que vivem no solo e no interior da planta.
Obs.: Veja que bacana uma matéria sobre blogs de ciência no site do Ciência Hoje. Este que vos fala aparece lá!
Cena 1 - Ato violento contra o G20 em Londres
Milhares de pessoas saem às ruas em Londres para protestar contra o G20, que se reuniria na cidade no dia seguinte. Alguns mais exaltados promovem quebra-quebra, enfrentam a polícia e impedem que a população da cidade circule livremente pelo bairro de Banks. A população procura alternativas, anda quilômetros para chegar a outras estações de metrô ou de ônibus, e desviam de suas rotas rotineiras de carro. Os comentários giram em torno do descaso dos líderes mundiais em relação às pessoas e ao meio ambiente, que banqueiros e especuladores de Wall Street têm tido mais atenção do que o resto. A mídia passa o dia dando notícias sobre o conflito, com ênfase no teor principal dos protestos, não os problemas causados no trânsito.
Cena 2 - Ato pacífico contra o G20 no Rio de Janeiro
Cerca de 40 ativistas do Greenpeace promovem um protesto na Ponte Rio-Niterói, na parte da manhã. Escaladores descem pela murada da ponte para estender uma faixa de 30 metros por 50 com os dizeres: ‘Líderes do mundo, clima e pessoas primeiro’. O recado era para que o G20 não discutisse em Londres apenas a crise financeira, mas também a climática, que pode afetar milhões de pessoas em todo o mundo nos próximos anos. A ação, que bloqueou uma das pistas da ponte por 15 minutos, acabou causando um engarrafamento grande em Niterói. As pessoas que passavam de carro, ônibus ou van pelo local xingavam os ativistas e também aproveitavam para diminuir a velocidade do seu veiculo para tirar fotos - o que contribuiu bastante para piorar o tráfego. A mídia passou o dia falando praticamente apenas sobre o trânsito, ignorando a mensagem que o Greenpeace queria passar.
O que essas duas cenas, comparadas, querem dizer? Numa rápida reflexão, eu diria que a população londrina é mais consciente e menos imediatista que a carioca e niteroense, e que a mídia lá é menos provinciana. Estamos numa baita encruzilhada e poucos brasileiros, mesmo os mais instruídos, parecem se dar conta. Escrevi sobre o assunto no blog do Greenpeace, confira aqui. Existem dois dias no ano em que não podemos fazer nada: o ontem e o amanhã.
O Dia Mundial da Água é comemorado todo 22 de março desde 1992, quando a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu a data. Como esta moça que vos escreve estava impossibilitada devido a uma infecção, publico hoje minha homenagem ao precioso líquido. Que deu origem à vida – saiba aqui o porquê.
Amigos, colegas, futuros conhecidos, enfim… É comum as pessoas indagarem suas dúvidas sobre ciência e meio ambiente. Como tenho contato de primeiro grau com o hidrogeólogo Hélio Nóbile Diniz, cientista especializado em água, as questões sobre o líquido são as mais frequentes.
Assim, selecionei três perguntas mais populares. Respondidas pelo pesquisador. Prepare-se:
1. É verdade que água potável irá acabar em breve?
Não. Ela é proveniente da evaporação da água do mar. Enquanto isso ocorrer, a água potável estará disponível. Aliás, vale ressaltar um detalhe relacionado à poluição. O que salva a Terra da falta de água é a salinidade do mar. Trata-se de uma solução que possui carga elétrica em troca, íons dissolvidos, elétrons livres… Eles podem reagir contra os poluentes, absorvendo-os ou dissolvendo-os. Se a água do mar não fosse salgada, concordo que poderíamos sofrer com a falta do líquido.
2. Qual é o país com a maior concentração de água doce do mundo?
O Canadá possui 50% da água doce mundial devido aos seus lagos, rios e geleiras. Em segundo lugar, com 14%, está o Brasil.
3. Em um futuro próximo, a água custará mais caro que o petróleo?
Também, não. Porque ela é muito mais abundante. O petróleo é um líquido raro. Agora, sobre a questão da guerra entre países devido à falta de água… Acredito que nunca houve sentido para guerras. Podemos e devemos resolver as questões usando a diplomacia.
Obs.: A foto acima foi tirada na ilha da fantasia, Ibiza. Agora não lembro se por mim ou minha amiga Natália Takashiro. Ah, a ONU redigiu a “Declaração Universal dos Direitos da Água”. É pequena, leia aqui.
Estava voltando da Europa, triste por ter deixado o nostálgico velho continente. Foi um mochilão e tanto - suspiro! Ao meu lado, um engenheiro indiano. Ele visitava o país tupiniquim pela terceira vez.
Meu vôo partiu de Lisboa. Charmosa a cidade provinciana, vista do alto. No caminho, muitas águas e ilhas. Até que… nove horas depois… terra à vista. Bem-vindo ao Brasil. Aliás, o indiano e eu falávamos do meu - nosso - belo país nesse exato momento.
Quando então… Viro para a direita e observo, da janela, o céu nitidamente separado em dois! Aperto no peito. Era a metropolitana São Paulo. Fiquei chocada. Nunca vi, com essa tênue linha, a nojenta poluição. Parti para a agressividade contra cidade que me acolheu.
Aos poucos, o avião mergulha nesse ar poluído. E as partes tornando-se uma no horizonte. “Mas São Paulo é maravilhosa. O Brasil é demais. Eu moraria aqui com prazer. Seria um sonho”, me consolava o indiano, forçando um português enrolado com inglês.
Para ele, as partículas marrons pairando ao nosso lado eram ínfimas. Era “nanomente” menor do que a oportunidade que oferecemos. Afinal, lá na Índia, quem pode ser milionário?
O número - que coloquei no título - foi obtido por um estudo realizado no Laboratório de Poluição da Universidade de São Paulo (USP). Em 2000, ocorreram oito mortes devido à poluição por dia e, em 2006, 12. “Outras investigações estão em curso, como a relação dos poluentes e a diminuição capacidade cognitiva”, afirmou aqui o pediatra Alfésio Braga, da Universidade Santo Amaro, que estuda o tema.
De acordo com a matéria, em um ano, menos de dois meses tiveram a qualidade do ar aprovada por todas as estações de medição. Qual o maior poluidor? Os veículos! “Prova disso é que, dos 41 dias totalmente bons, 17 ocorreram em sábados ou domingos, dias em que a circulação de carros diminui. Além disso, 10 destes dias estão concentrados em janeiro, mês de férias, em que a frota de São Paulo cai 40%”, diz a matéria.
O curioso é que, segundo outra pesquisa brasileira que li, em lugares mais poluídos nascem mais bebês do sexo feminino! Haja mulher para São Paulo. Mais: para saber quais foram os dez maiores problemas relacionados com a poluição em 2008, indico este site - em inglês.
A World Without Water from senseisoke on Vimeo.
Quando era pequeno, lembro de ficar imaginando o que seria pior, viver sem luz ou sem água. Ia listando os prós e contras de cada situação hipotética, que por vezes se tornava real. Não raro ficávamos sem água ou luz num apertado apartamento em Botafogo, que sempre me vem à mente quando escuto a música Big Brother, do antológico disco Talking Book do Steve Wonder. Ficar sem água, claro, ganhava disparado na disputa imaginária que eu fazia. Não ter como se lavar nem limpar as coisas, ficar sem ter o que beber, nem ter como se refrescar… dureza total.
Toda essa viagem ao passado me ocorreu ao ver a garotinha boliviana nesse documentário Um Mundo Sem Água, do Channel 4 chorando por não ter amigos. Ela é chamada de ‘porquinha’ porque não toma banho e não o faz simplesmente porque a família não tem dinheiro para pagar. Foda.
Cerca de 1/3 da população mundial vive sem acesso pleno à água. Em 40 anos, especialistas estimam que metade do planeta sofrerá dessa escassez. Do jeito que estamos poluindo mares, rios, aquíferos, lagos, matas e ar, esse número só tende a crescer assustadoramente - principalmente na África e Ásia.
E nesse meio tempo, empresas vão tomando conta das fontes de água limpa que restam, privatizando um bem comum e cobrando cada vez mais por isso. Na Índia, mostra o documentário, chegamos ao absurdo da população do Rajistão ter que brigar com a Coca-Cola pelo direito à água subterrânea da região! A empresa suga 500 mil litros de água todos os dias para fazer seu refrigerante, deixando fazendeiros e comunidades inteiras sem água nos poços.
O que é preciso para impedir que um direito básico do ser humano seja usurpado em nome do lucro? Protestos? Quebra-quebra? Guerra civil? Massacre de civis?
A crise da água fresca, como alguns especialistas já a chamam, já bate em nossas portas e deverá ser mais severa e crítica do que a financeira e climática que temos hoje juntas. Para muitos, no entanto, o absurdo de termos uma crise de água fresca num planeta 70% coberto por água ainda é papo de eco-chato, de quem reclama de tudo sem perceber a maravilha que é um pôr-do-sol em São Paulo - mesmo que a cor alaranjada do fim do dia seja puro reflexo da poluição da cidade.
Com esse pessoal, a garotinha boliviana não pode mesmo contar.
E onde está o X da questão? No consumo. Tudo o que consumimos gera impacto, muitas vezes terríveis para determinadas regiões. Produtores podem desmatar uma Amazônia inteira ou redesenhar uma praia ou acabar com parques marinhos como o de Abrolhos se o mercado consumidor assim o exigir. Algumas economias, como a americana e européia, são viciadas em consumo e assim jogam pelo ralo a sustentabilidade que poderia garantir o equilibrio socioeconomico necessário para se evitar novas crises.
Para alguns, conforto é prioritário à saúde, ao bem-estar de outras comunidades, à natureza, às comunidades tradicionais. Mais do que financeira, climática ou de consumo, a crise é de valores. Mas isso uma hora tem que mudar - por bem ou por mal.
Pois é, nas férias, as pessoas parece que voltam a ser crianças e esquecem os bons modos na hora de se divertir. Já falei aqui da sujeira na praia, deixada pelos porcalhões cidadãos, que se esquecem de retirar o lixo que produzem na areia.
Há também os que optam por acampar, e é sempre bom lembrar que, para proteger a natureza, deve-se evitar fazer fogueira e usar o fogareiro. Mas, caso o cidadão acenda uma fogueira, jamais deve esquecê-la acesa. Todo cuidado é pouco para evitar a propagação do fogo e causar incêndios que destroem a flora e matam os animais silvestres.
E nem pensem em jogar nos rios, lagos ou nascentes seus restos de detergentes, sabonetes e o que mais a imaginação sugerir. Joguem a água suja de lavagem de louça a, pelo menos, 30 metros do rio ou lago, de preferência sobre pedras ou cascalhos. Evitem jogar produtos químicos na água pois podem matar diversos animais, além de poluir a água que vocês usarão para beber.
Nunca é demais lembrar que o lixo produzido nas trilhas ou no acampamento tem de ser acondicionado e trazido de volta. O lixo orgânico que não puder ser levado de volta, pode ser bem enterrado para evitar que animais morram ao comer os restos de alimento ou suas embalagens. Deixar o lixo pelo caminho é algo fora de cogitação.
Ambiente preservado e diversão responsável. Boas férias!
imagem: daqui