Tá rolando pelos youtubes da vida um vídeo (na verdade, uma seqüência de fotos) que mostra a vivisseção de um filhote de albatroz encontrado morto por pesquisadores numa das ilhas remotas do noroeste do Havaí. Fica a quilômetros de qualquer agrupamento urbano. Ainda assim, no estômago da ave, foram encontrados 306 pedaços de lixo, de tampinhas plásticas a isqueiros e anzóis. Bateu com sobras o recorde de 272 pedaços encontrados em outro albatroz, achado na Nova Zelândia, que figurou uma peça publicitária do Greenpeace local.
Arnold Schwarzenegger pode estar bem cotado para ser o homem da energia de Obama, mas não corre sozinho nessa disputa. Outro nome meio óbvio é o de Al Gore. Após a derrota pro Bush Jr. em 2000, ganhou destaque mundial explorando o tema convenientemente e hoje tem uma das propostas mais audaciosas quando o assunto é remodelação da forma como produzimos e consumimos energia para enfrentar as mudanças climáticas, o projeto Repower America. Em linhas gerais, prevê a geração de 100% da energia consumida nos EUA por meio de fontes renováveis - basicamente eólica (27%), solar (16%) e eficiência energética (28%) - num prazo de 10 anos. Biocombustíveis e energia geotérmica teriam seu espaço também, com 3% cada. Nenhuma hidrelétrica ou usina nuclear seria construída no período, ficando as atuais com 23% do novo cenário. Em 2019, nada de petróleo ou carvão. Não é fraco não.
O projeto é bem próximo ao proposto pelo Greenpeace e Conselho Europeu de Energias Renováveis, o [R]evolução Energética, tecnica e politicamente, já que vê uma imensa oportunidade na crise gigante que surfamos sabe-se lá como.
Se os americanos são bons mesmos em fazer dinheiro, mesmo quando ele é escasso, a hora é essa. As ações de empresas do setor estão fervilhando. Na ressaca da orgia do capital especulativo, talvez testemunhemos novos tempos de investimentos voltados prioritariamente à produção do bem, que permitirá gerar empregos e renda. A ONU já cantou a pedra: milhões de empregos podem ser gerados até 2030 com investimentos em energias verdes. A recessão já vem provocando o curioso movimento de deixar algumas empresas mais verdes - como tem feito com a indústria de eletrônicos.
Seja com Schwarzzie ou Gore, quero ver as doletas verdinhas salvando o planeta, não apenas depredando-o em benefício próprio. Compartilho da utopia promovida pelo pessoal do Yes Man, quero ver um NYT recheado de boas notícias - o que não significa que serão fáceis. Nem perfeitas. Que sejam honestas, já basta.
Quem quiser conferir a íntegra da edição fake do NYT, só com notícias que gostaríamos de ver publicadas, acesse nytimes-se.com.
No vídeo abaixo, vc saberá como foi engendrada essa ação genial, bem como verá um representante do NYT ficar putinho (1min22s) ao ser questionado sobre Judith Miller, quando defendia a posição do jornal na cobertura da guerra do Iraque.
New York Times Special Edition Video News Release - Nov. 12, 2008 from H Schweppes on Vimeo.
Às vésperas do encontro das 20 maiores economias do mundo, a ONU conclamou os líderes desses países a aderirem a um acordo global para investir pesado em programas ambientais, que podem ajudar a levantar a economia no planeta. O Greenpeace está pressionando o G20 também na mesma linha, assim como outras ONGs ambientalistas. Ao contrário do que diz o vira-casaca do Patrick Moore, o ambientalismo não é pautado pelo medo, mas por mudanças de paradigma. A indústria e os governos foram incapazes e, agora, com a crise batendo à porta, acho que vão finalmente acordar para a realidade.
Com a derrocada de Bush Jr. e sua gangue neocon, as chances de um acordo amplo para enfrentar as mudanças climáticas são enormes. Barak Obama tem cacife para tal e já disse que pretende reestruturar a matriz energética americana. E como sabemos, pra onde for os EUA, o mundo vai atrás. Até a bíblia da indústria energética, o World Energy Outlook, segue nessa linha. A economia verde está na bica de se tornar mainstream. Demorô!
E por falar em energia, um dos nomes mais fortes para assumir o comando dessa área na gestão Obama é ninguém menos que Arnold Schwarzenegger! O governador da Califórnia leva vantagem sobre nomes como Al Gore porque não ficou apenas no discurso, foi lá e fez muito pela adoção de energias renováveis em seu estado, combatendo as emissões de CO2 de forma incisiva. E olha que o Gore está com um projeto audacioso pacas, de mudar radicalmente a forma como os americanos produzem e consomem energia no país. Pelos planos dele (que estão todos no site Repower America), os EUA estariam produzindo 100% de energia por meio de fontes renováveis em 10 anos! Não pouca coisa não… Mas o trabalho de Schwazzie na Califórnia é foda, confira aqui.
Agora, que situação, não? Colocar o destino do planeta nas mãos logo do Exterminador do Futuro??
Saiu a segunda edição do estudo [R]evolução Energética, do Greenpeace, que mostra o potencial das energias renováveis. Segundo o relatório, já teríamos todas as condições para produzir 50% de toda a energia necessária para mover o planeta por meio de fontes limpas, mas só produzimos 13%. O lobby do petróleo, carvão e nuclear são fortes e ainda dão as cartas, mas até gigantes como a BP e a Shell já perceberam a força das renováveis e estão investindo
Não sei se estou cansado. De volta a SP, depois de 30 horas no ar, ligado na ação em Salvador, sinto um misto de cansaço, sentimento de missão cumprida e um pouco de desapontamento - isto mais pelo pouco espaço que consegui na mídia, apesar de ter perturbado os caras…
A atividade foi tranqüila, a turma reunida era 100%, tivemos o controle de tudo e nossas imagens ficarão ducaralho (fotos aqui e filmes abaixo). Foi, juntamente com a brasília amarela “radioativa” que colocamos em frente ao Palácio do Planalto, a melhor ação da qual participei no Greenpeace. A gente tinha tamanho controle da situação que lá pelas tantas fomos até saudados pelas autoridades de trânsito! Tirando a parte final, já na manhã de quinta, quando a movimentação aumentou pelas ruas, passamos quase despercebidos pela principal via de acesso da cidade. E tudo, pinturas e placas, estavam nos mesmos locais até hoje de manhã, segundo me confirmou o taxista que me levou pro aeroporto. Demos o recado! Se vacilar, fica até depois das eleições, domingo - ou até o próximo carregamento de urânio que está previsto para os próximos dias…
Tive uma noite boa de sono ontem, tão boa que acordei um pouco mais tarde hoje (9h30) e perdi a chance de dar um tchibum na praia de Piatã, onde estávamos hospedados. Fiquei zumbizando pela casa, já vazia, até a hora de ir pro aeroporto. Agora, vou ficar de molho, porque fim de semana vai ser com a tropa e tenho que estar em forma pra guentar o tranco.
Ah, sim, conforme havia prometido, aqui vão os filmes que fizemos. O primeiro é o, digamos, institucional da atividade. Já o segundo é do caveira guy, que se amarra num urânio. Acho que dá uma idéia de quanto nos divertimos com esse cara por lá! Grande Marco!