Posts com a tag ‘consumo’
Menos, muito menos consumo
27.01.10 - 13:08 | Categorias: Rede Ecoblogs


Quem levantou a bola foi dom Gil Giardelli. Depois de ler o livro Enough, de John Naish, Giardelli fez uma belíssima reflexão sobre nossos tempos de hiperconsumo. Em semana de anúncio do novo tablet da Apple – e da experiência constante dos efeitos das ações do lixo e do descaso com o ambiente –, é para se pensar muito sobre isso.

Adorei este trecho do post do Gil:

Robert Trivers da Universidade de Rutger, provou que ainda pensamos como na Era Pleistoceno, a Era do Gelo, quando a maior parte do planeta estava coberta por gelo (aproximadamente de 2 a 10000 milhões de anos atrás). Ou seja, ainda seguimos nossos instintos e acumulamos mais e mais.

Os grandes problemas ambientais de hoje não serão resolvidos sem uma revolução na cultura global. É o que diz o relatório “State of the World 2010 – Transforming Cultures: From Consumerism to Sustainability” (“Estado do Mundo 2010 – Transformando Culturas: Do Consumismo à Sustentabilidade”, ainda sem versão em português), lançado no dia 12 pelo Instituto Worldwatch.

Segundo o relatório, hoje as pessoas encontram significado e satisfação no que elas consomem. E essa orientação cultural tem duras implicações para a sociedade e o planeta. Um cidadão dos Estados Unidos, por exemplo, consome em média, todos os dias, mais do que seu próprio peso. Se todo o mundo vivesse assim, a Terra só poderia suportar 1,4 bilhões de pessoas.

Desde 1960, o consumo aumentou seis vezes, diz o estudo, citando estatísticas do Banco Mundial. Mesmo levando em conta o crescimento global da população, isso quer dizer que hoje cada pessoa consome, em média, três vezes mais que há cinquenta anos. Isso levou a aumentos similares na quantidade de recursos explorados – seis vezes na extração de metais do solo, oito vezes no consumo de petróleo e 14 vezes no consumo de gás natural. No total, são 60 bilhões de toneladas de recursos extraídas anualmente, uma elevação de quase 50% se comparada com trinta anos atrás.

No século 21, com toda a eficiência que já conseguimos desenvolver, não precisamos de tanto. Melhor ter guarda-roupa enxuto (e local, lembre); comida na medida, equipamento necessário – sem excesso de atualização. Embora os Postos de Entrega Voluntária se espalhem, São Paulo, maior cidade do país, ainda recicla apenas 5% do seu lixo. E são 15 toneladas diárias. Fiz neste começo de ano um exercício de redução de lixo. Resultado: caí de dois sacos de 30 litros de lixo por semana para um.

Há formas bacanas de reduzir que pedem comunidades. Exemplo: pais e mães das escolas particulares aqui em São Paulo fazem bazar de trocas dos livros escolares dos filhos. O resultado é economia pura! Lá no LuluzinhaCamp a gente também faz isso no bazar de troca – que nos permite dar destino a livros, perfumes, roupas, bijus. Comprar alimentos em grupo também é vantajoso para o bolso – principalmente quando o fornecedor é o Ceagesp (ou o congênere em sua cidade).

O final da história é: se a gente diminuir muito o nosso consumo – e rápido – não demora para a gente baixar o índice indecente em que cada pessoa consome duas vezes e meia o que o planeta pode sustentar. E nossos filhos e netos terão futuro garantido. Já pensou nisso?

Outra resenha interessante do livro do John Naish está no Go Greener (em inglês)

foto de Compound Eye em CC

Calcule as emissões do carro novo
05.08.09 - 6:09 | Categorias: Rede Ecoblogs

Brasileiro é um bicho esquisito: adora carro novo. Tanto que, na hora da crise, os primeiros setores socorridos pelo governo foram a indústria automobilística e de construção civil. Apartamento novo, inclusive, vale muito mais do que um antigão, com muito mais espaço. Mercado é mercado, a gente não discute. Mapeia e se adapta. E o assunto deste post curtinho é outro. O Ibama colocou no ar, recentemente, uma ferramenta que calcula as emissões dos veículos produzidos no Brasil.

 

Batizado de Nota Verde, por enquanto só vale para os carros fabricados em 2008 (fail?) e permite saber as notas para um determinado veículo e também fazer comparações. Eu testei com o Honda NewFit, que ganhou nota 9,1 na versão mais eficiente, manual – o automático emite um pouco mais. Aliás, o sistema também é bacana para escolher o que emite menos CO2. P.S.: não é por isso que eu vou deixar de advogar contra os carros e contra o reinado do deus “trânsito”. Podem tirar o cavalinho da chuva. Carro é pra usar em caso de última necessidade, vamos combinar. Usem suas pernocas e o transporte coletivo – público e/ou privado, como agora está na moda em S. Paulo – para que o mundo seja um lugar mais humano e habitável.

Indústria quer varrer lixo eletrônico pra debaixo do tapete
15.07.09 - 3:24 | Categorias: Rede Ecoblogs

O lixo eletrônico, um problema mundial que vem se agravando dia após dia. No Brasil não é diferente. O assunto até fazia parte do projeto de lei 203/91 que está sendo discutido na Câmara dos Deputados para definir a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Fazia, esse é o problema. O artigo 33 do projeto, que regulamenta a logística reversa e a reciclagem, teve seu texto alterado e produtos eletro-eletrônicos ficaram de fora, por pressão da indústria. A justificativa? Fica muito caro para as empresas se responsabilizarem pela coleta e reciclagem do lixo eletrônico.

Mas caro mesmo fica para o meio ambiente, se o projeto de lei for aprovado dessa forma. Por isso a ONG Lixo Eletrônico.org tomou a iniciativa de pressionar deputados e senadores para que os produtos eletro-eletrônicos voltem ao projeto de lei.

Para tanto criaram o Manifesto Lixo Eletrônico: pela inclusão dos produtos eletro-eletrônicos na Política Nacional de Resíduos Sólidos - clique aqui para assinar a petição online dando seu apoio ao manifesto.

Aproveitando o assunto, entrevistei o coordenador da ONG Lixo Eletrônico.org, Hernani Dimantas. Confira:

Por que é importante incluir o lixo eletrônico na Política Nacional de Resíduos Sólidos?

O lixo eletrônico é composto por resíduos tóxicos, de difícil reciclagem e manejo. É uma grande ameaça ao meio ambiente e à saúde das pessoas, por seu potencial contaminante e, sem dúvida, compõe a parte mais tóxica dos rejeitos domésticos e corporativos. Além das urgências dessas questões, os equipamentos eletrônicos descartados contêm uma grande quantidade de conhecimento e, portanto, infinitas possibilidades de reutilização e ressignificação que podem servir a objetivos nobres como educação, inclusão social e digital.

Portanto, está clara a demanda social, econômica e ambiental para a regulamentação de uma normativa nacional para a gestão adequada desses resíduos - que cada vez mais serão produzidos em maior escala por nossa sociedade.

Como o Brasil esta hoje em termos de reciclagem de eletro-eletrônicos?

O Brasil não possui números exatos de quanto lixo eletrônico é reciclado, somente estimativas baseadas no mercado formal, indicando que não mais de 1% dos resíduos eletrônicos produzidos no país tem um destino ambiental adequado.

Somando-se os outros 99% a todos os equipamentos comercializados no mercado informal, a situação é aterradora. Sabemos que é de costume do brasileiro não jogar esse tipo de resíduo no lixo e sim repassar a outras pessoas, reutilizar. Ainda assim, o passivo ambiental apresentado por milhares de toneladas de eletrônicos inutilizáveis pode contaminar seriamente plantações, animais e seres humanos.

O que o consumidor pode fazer para não contribuir com o problema?

Os consumidores podem exigir dos fabricantes a coleta e a reciclagem de seus produtos, bem como a correta identificação das ameaças que estes apresentam, além do óbvio: consumir menos, reutilizar mais. Os cidadãos devem exigir do poder público legislação específica que obrigue a logística reversa e reciclagem por parte dos produtores de eletrônicos entre outros mecanismos que protejam a saúde humana e o meio ambiente.

(Clique aqui e leia a íntera do projeto de lei que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos - arquivo em PDF)

Comer, beber e se informar
25.06.09 - 23:08 | Categorias: Rede Ecoblogs

O fotógrafo John Novis, do Greenpeace Internacional, passou semanas convivendo com a população da província Yunnan, na China, e registrou brilhantemente o modo de vida de agricultores que têm suas vidas intimamente ligadas ao cultivo do arroz. Nas plantações que cobrem vastas extensões de terra, garantindo o sustento de milhares de pessoas, John pode conferir uma rica cultura tradicional, que infelizmente está ameaçada por grandes corporações que querem tomar controle da produção do arroz.

Se o seu inglês está em dia, confira o slideshow aqui com a narração do próprio John, além de uma belíssima trilha sonora, para entender detalhes dessa bela homenagem aos agricultores - da China e de todo o mundo.

Por falar em alimentação, interessante a reportagem publicada esta semana no New York Times sobre como a indústria de alimentos induz os consumidores a comerem coisas mesmo contra a sua vontade. Segundo pesquisas do dr. David Kessler, ex-encarregado da Food and Drug Administration (FDA) - poderosa instituição americana que regula medicamentos e alimentos - e autor do livro “The End of Overeating: Taking Control of the Insatiable American Appetite” (O fim da comilança: controlando o insaciável apetite americano - tradução livre), a indústria de alimentos age mais ou menos como a indústria de cigarros.

Segundo o dr. Kessler, ao combinar gorduras, açúcar e sal de várias formas, os fabricantes de alimentos conseguiram atingir o sistema de recompensa do nosso cérebro, criando um feedback que estimula nosso desejo de comer e nos deixando cada vez mais com vontade, mesmo quando já estamos cheios.

No livro, o dr. Kessler admite: "Eu não estaria tão interessado no assunto de por que não resistimos à comida se eu mesmo não sofresse com isso. Eu perdi e ganhei peso várias vezes. Tenho ternos de todos os tamanhos."

A indústria de alimentos é tema também de um documentário que vem dando o que falar nos Estados Unidos. Food Inc. coloca em xeque muitos dos procedimentos dos fabricantes, meio que na linha de outros filmes como Super Size Me e Fast Food Nation, englobando não apenas questões de saúde ou alimentícias, mas também éticas, ambientais e políticas. Confira aqui o trailer de Food Inc.

É aquela velha história: para se alimentar bem, é preciso estar bem informado.

Linux, uma boa escolha
12.06.09 - 21:35 | Categorias: Rede Ecoblogs, Tecnologia

Se eu ainda tinha alguma dúvida sobre o sistema operacional do meu futuro laptop, ela se foi quando eu li o seguinte: o sistema Linux, além de ser mais barato e seguro que os proprietários da Apple e Microsoft, é também mais ecológico!

A ZDNet australiana listou 10 pontos em que o Linux vence seus rivais em termos ambientais. Como o fato, por exemplo, de ser mais leve e por isso não exigir um computador tão potente para funcionar a contento, usando assim menos energia.

Sei que muita gente resiste em usar computadores com Linux afirmando que é complicado demais e que já está acostumado com o Ruindows da M$. O primeiro argumento já foi verdade um dia, não é mais. Saca o Ubuntu e depois me diz. Quando trabalhei na prefeitura de São Paulo durante a implantação do projeto de inclusão digital na capital, vi gente da periferia usando Linux na boa. Perguntei a alguns se sentiam muita diferença e a resposta era meio óbvia: claro que não, afinal era a primeira vez que estavam usando um computador.

Isso nos remete à segunda questão, do costume de usar este ou aquele programa. Ora, você pode estar acostumado a andar de carro e começar a andar de ônibus por questões financeiras e/ou de conscientização. Não tem o costume de dar caronas e fazer isso com mais frequências. Ter o costume de escovar os dentes de torneira aberta e ter que se acostumar a não mais fazer isso. E por aí vai.

Mudanças de hábitos (principalmente os maus) são fundamentais para atingirmos novos patamares civilizatórios, que respeitem o meio ambiente, as pessoas e as regras de boa convivência, inclusive no grande mercado capitalista. Compartilhar, tolerar, reusar, reciclar. Tudo na vida é uma questão de escolha. E por meio delas, definimos nosso futuro.

A GM faliu? Viva a GM!
05.06.09 - 23:02 | Categorias: Rede Ecoblogs

Michael Moore, sempre ele, fez um texto brilhante sobre a anunciada falência da General Motors e deu o caminho das pedras para o governo americano, agora principal acionista da empresa, dar um foco sustentável no empreendimento. O texto já vem rodando pela net há algum tempo, mas faço questão de registrá-lo aqui. São nove dicas de como a GM pode ser socioambientalmente responsável, deixando de fabricar carrões poluentes e egoístas para produzir transporte de massa, limpo e seguro. Nas palavras de Moore:

Não coloque outros US$ 30 bilhões nos cofres da GM para a fabricação de carros. Em vez disso, use esse dinheiro para manter a atual força de trabalho da empresa - e boa parte daqueles que foram demitidos - empregada para que possam produzir os novos modelos do transporte do século 21. Deixem eles começarem os trabalhos de conversão já.

(leia aqui o texto na íntegra, em inglês)

Moore praticamente deve à GM seu sucesso no mundo dos documentários, já que ela foi a estrela do seu primeiro filme, Roger & Me (de 1989), em que o cineasta persegue o então presidente da empresa - Roger Smith - para que ele explique o fechamento de 11 fábricas na região de Flint, cidade natal de Michael Moore. Veja aqui o trailer do filme.

O futuro da GM (agora sigla para Government Motors, piadinha que andou circulando pelo twitter), empresa que matou o carro elétrico na década de 1990, pode sinalizar os novos caminhos de toda a indústria automobilística. O mundo dá voltas…

Aliás, já viu o filme Quem Matou o Carro Elétrico? É um documentário de 2006 sobre o EV1, veículo produzido pela GM na década de 1990 e foi abortado por pressão da indústria petrolífera e automobilística. Tá aqui, dividido em 10 partes de cerca de 10 minutos cada. Tranquilinho.

Clique aqui para ver uma palinha - o trailer:

Vamos pegar leve com a carne?
07.05.09 - 15:41 | Categorias: Rede Ecoblogs

Reduzir o consumo de carne é bom para a sua saúde e para o planeta. Sou carnívoro de longa data mas faz tempo que venho readequando minha dieta. Ainda estou longe de ser vegetariano, mas tenho conseguido manter uma boa média de dois bifões por semana. E não me sinto menos alimentado por conta disso. Aliás, isso é uma grande lenda, de que só comendo carne podemos ser fortes, sadios e dispostos para a vida moderna. Confira aqui a palavra de 5 grandes esportivas de primeiro

Estamos doentes e a culpa não é da gripe suína
02.05.09 - 20:09 | Categorias: Rede Ecoblogs

Toda vez que um especialista é chamado a falar sobre gripe suína na TV, rádio ou jornal, fico na vã expectativa dele tocar no X da questão. Alguns especialistas chegam a dar a senha do real problema que vivemos, lembrando que o crescimento da população mundial impõe uma produção massiva de alimentos, cada vez mais industrial, mas evitam criticar diretamente o problema, apenas citando-a marginalmente.

Tô pagando pra ver quem será o primeiro a dar o nome aos bois: a gripe é do modelo industrial de produção de alimentos, não dos porcos. Enquanto isso, gripes suína e assemelhadas (aviária, por exemplo) continuarão a surgir, umas mais fortes outras mais fracas (como a atual), por conta dessa excessiva aglomeração de animais em espaços diminutos, todos alimentados com rações carregadas de agrotóxicos (e transgênicos) e tratados indiscriminadamente com antibióticos - ver aqui e aqui.

Ferem o sândalo e ainda querem sair perfumados… Pense nisso cada vez que for ao supermercado comprar alimento industrializado ou mesmo carne (bovina, suína ou de frango). Podem ser produtos mais baratos do que outros fabricados de forma ética, como os orgânicos, mas é o clássico caso do barato sai caro.

Enquanto nós, consumidores, não dermos mostras à indústria de que não queremos mais produtos fabricados às custas da saúde do planeta e nossa, nada mudará. E não é tão difícil fazer isso: consumir menos carne, dar preferência aos produtos que não usam agrotóxicos nem são fruto de práticas anti-éticas, ter uma alimentação mais equilibrada, se informar.

Tem gente no entanto que prefere pateticamente circular por aí de máscara e por a culpa nas autoridades. Paralisados em suas zonas de conforto, posando de vítimas, se deixando aterrorizar pelas manchetes, aguardando o próximo surto de gripe. Saúde!

E o DDT era bom?
27.04.09 - 23:03 | Categorias: Rede Ecoblogs

DDT é bom pra mim!!!
Em tempos de mudanças climáticas, energias renováveis e sustentabilidade, ninguém quer ficar de fora do bonde. A onda agora é ser verde. Na verdade, ‘parecer’ verde. Basta um discurso bem trabalhado, investimento pesado em relações públicas e publicidade, e pronto,

De volta ao batente com algo inspirador
22.04.09 - 20:00 | Categorias: Rede Ecoblogs

Eu sei, eu sei, estou em dívida aqui com este espaço. Alguns já andaram reclamando, eu mesmo tava angustiado pra retomar o blog. Minha ausência tem um pouco a ver com o twitter, que supre parte de minha ânsia por compartilhar informação, mas também com a campanha Salvar o Planeta, do Greenpeace (que me consumiu durante três meses) e meus filhos, com quem tenho passado boa parte do tempo para matar as saudades.
Mas vamos lá reativar esta bagaça neste Dia da Terra. Não sou muito de blogagem coletiva, mas