Embaixo da floresta boreal canadense, em Alberta (ao norte do país), está a segunda maior reserva de petróleo do mundo. Numa areia escura e lamacenta, que se estende por uma região quase do tamanho da Inglaterra, está o betume, que vem atraindo cada vez mais o interesse das grandes companhias petrolíferas do mundo. Só que esse ‘ouro negro’ é puro veneno.
Para se obter um barril de betume ‘limpo’, são necessárias duas toneladas dessa areia, um processo que gasta muita energia, emite CO2 na atmosfera como poucos e desmata quilômetros e mais quilômetros de florestas primárias. Perto das areias betuminosas de Alberta, o pré-sal brasileiro é fichinha - tanto em tamanho como em danos possíveis ao meio ambiente.
O Greenpeace Canadá fez um impressionante documentário sobre essa nova fronteira petrolífera e seu impacto no meio ambiente - local e mundial. O filme se chama Petropolis e ganhou este ano o prêmio do júri num festival suíço de documentários, em Nyon. Confira o trailer aqui.
O vídeo acima mostra um dia típico
Às vésperas do encontro das 20 maiores economias do mundo, a ONU conclamou os líderes desses países a aderirem a um acordo global para investir pesado em programas ambientais, que podem ajudar a levantar a economia no planeta. O Greenpeace está pressionando o G20 também na mesma linha, assim como outras ONGs ambientalistas. Ao contrário do que diz o vira-casaca do Patrick Moore, o ambientalismo não é pautado pelo medo, mas por mudanças de paradigma. A indústria e os governos foram incapazes e, agora, com a crise batendo à porta, acho que vão finalmente acordar para a realidade.
Com a derrocada de Bush Jr. e sua gangue neocon, as chances de um acordo amplo para enfrentar as mudanças climáticas são enormes. Barak Obama tem cacife para tal e já disse que pretende reestruturar a matriz energética americana. E como sabemos, pra onde for os EUA, o mundo vai atrás. Até a bíblia da indústria energética, o World Energy Outlook, segue nessa linha. A economia verde está na bica de se tornar mainstream. Demorô!
E por falar em energia, um dos nomes mais fortes para assumir o comando dessa área na gestão Obama é ninguém menos que Arnold Schwarzenegger! O governador da Califórnia leva vantagem sobre nomes como Al Gore porque não ficou apenas no discurso, foi lá e fez muito pela adoção de energias renováveis em seu estado, combatendo as emissões de CO2 de forma incisiva. E olha que o Gore está com um projeto audacioso pacas, de mudar radicalmente a forma como os americanos produzem e consomem energia no país. Pelos planos dele (que estão todos no site Repower America), os EUA estariam produzindo 100% de energia por meio de fontes renováveis em 10 anos! Não pouca coisa não… Mas o trabalho de Schwazzie na Califórnia é foda, confira aqui.
Agora, que situação, não? Colocar o destino do planeta nas mãos logo do Exterminador do Futuro??
Muito se fala em aumento do nível do mar, no degelo do Pólo Norte, do aumento da temperatura do planeta e tal, mas difícil visualizar o que isso realmente representa para nós, pobres mortais. Apesar da forte campanha de certos negadores do aquecimento global, a gente tá na marca do pênalti. E pior: há fortes evidências de que os líderes mundiais permanecem céticos em relação aos alertas que ambientalistas e cientistas vêm dando há anos. É mais fácil eles darem US$ 700 bilhões para salvar especuladores e tubarões de Wall Street do que tirar o planeta dessa sinuca de bico. O site Climate Time Machine, que a Nasa colocou no ar recentemente, provavelmente não vai sensibilizar esses caras mais do que relatórios do IPCC ou imagens do que ainda resta do Ártico. Mas pode sensibilizar as pessoas e inspirá-las a aumentar a pressão sobre seus governantes. Quantos países têm plano para combater as mudanças climáticas? E não vale o arremedo lançado pelo governo brasileiro esta semana, ralo toda vida. Na página da Nasa vc pode acompanhar graficamente a evolução do aumento das emissões de CO2 de 1980 a 2004 ou o que ocorrerá ao sul dos EUA ou ao delta do rio Amazonas caso o mar suba 6 metros (a quem interessar possa: a ilha de Marajó vai pro saco). E há quem diga que esses cenários são otimistas…
A cada dia mais se fala sobre a “pegada de carbono”. O que seria isso? Trata-se de quanto de dióxido de carbono (CO2) nós produzimos ou “consumimos” por dia. Escovar os dentes, ligar o secador, comprar uma roupa, ir de carro para o trabalho… Pode parecer inconcebível, mas, praticamente, todas as nossas ações corriqueiras poluem a atmosfera terrestre.
Claro que o “vilão” não é apenas o carbono. Saiba que também existe a chamada “pegada ecológica”, que é o cálculo das emissões de vários componentes nocivos ao planeta. Geralmente, instituições especializadas calculam sob encomenda para empresas que queiram poupar o meio ambiente. Se você tem uma empresa, pense nisso. Ou, melhor, clique no site da Carbon Trust para conferir a poluição causada por ela.
Agora, se você se sente pequeno em relação ao universo, experimente somar quão grande é sua existência na Terra. Separei uma lista inédita de sites que possuem a calculadora. Inclusive em português! Cada um usa determinado método. De modo geral, dá para ter uma idéia de como evitar tanta sujeira. Prepare a vassoura…
Em português:
My Carbon Footprint - focado na Europa
Carbono Zero - possui uma apenas de locomoção
Florestas do Futuro - brasileiro do S.O.S. Mata Atlântica
Iniciativa Verde - bem completo
Earth Day - de simples uso, clique no Brasil
Em inglês:
Act On - com desenhos simpáticos, do governo do Reino Unido
U.S. Environmental Protection Agency - sim, dos Estados Unidos
Food Carbon - quanto sua comida polui, com base no Reino Unido
O site oficial da União Européia, Climate Change - versão em português -, explica como cada um pode ajudar a mudar o clima do planeta.
Obs.: Se todos vivessem como eu, seriam necessários por volta de dois planetas para dar conta do recado. Ainda não tenho filhos e nem publiquei um livro, mas já plantei a minha árvore!
A lista que o Greenpeace faz desde agosto de 2006 vai ganhar um novo critério a partir da próxima edição (que sairá em junho): o uso eficiente de energia. O ranking leva em conta as políticas e práticas ambientais dos principais fabricantes de eletrônicos do mundo e têm como principais critérios o uso de substâncias tóxicas e programas de reciclagem - que é uma preocupação crescente entre os consumidores. Agora vai incluir também a eficiência dos produtos no consumo de energia, o uso de energia renovável na fabricação e o compromisso das empressa na redução das emissões de gases do efeito estufa (basicamente o CO2).
Estima-se que a indústria global de tecnologia da informação e comunicação seja responsável por 2% das emissões de CO2 no planeta - um número equivalente ao da aviação mundial.
A sétima edição do Guia, lançada em março passado, trouxe a Toshiba e a Samsung na liderança, com Nokia, Lenovo, Sony e Dell na cola delas. Na lanterna está a Nintendo, que pouco ou nada faz para tornar seu Playstation Wii ambientalmente responsável. Confira o ranking no blog O Escriba.
O Atlas é um projeto gráfico desenvolvido por Mark McCornmik e que foi publicado em dezembro de 2007 no jornal britânico The Guardian. No Atlas os círculos representam as quantidades de dióxido produzidas em toneladas e as cores identificam os países emissores. Além disso, o gráfico fornece um ranking em ordem numérica dos maiores emissores de CO2. O Atlas com as explicações do autor está disponível para download em pdf (1,3mb). fonte: Kelso Corner