Voltando da casa de meu pai - ou ‘vovô ferramenta’, como o chamam meus filhos -, passei em frente ao cinema Estação Botafogo e vi que está passando lá, apenas às 13h15, o documentário Home, do fotógrafo, jornalista e ambientalista francês Yann Arthurs-Bertrand. Em pouco mais de 90 minutos, Home nos revela, por meio de imagens aéreas de várias regiões do planeta, como estamos ameaçando assustadoramente o equilíbrio ecológico da terra, ar e mar.
O grande barato é que o filme foi lançado no mês passado em 50 países, simultaneamente nos cinemas, em DVD e no YouTube. Confira mais detalhes na página oficial do projeto.
Vou tentar dar um ‘perdido’ nas crianças para ver esse filme na telona - boralá? Se não conseguir, o jeito é assistir aqui mesmo no computador do meu irmão, por este link.
Aqui o trailer do filme.
E aqui, no Daily Motion - me pareceu ligeiramente diferente daquele que vi no YouTube.
Cena 1 - Ato violento contra o G20 em Londres
Milhares de pessoas saem às ruas em Londres para protestar contra o G20, que se reuniria na cidade no dia seguinte. Alguns mais exaltados promovem quebra-quebra, enfrentam a polícia e impedem que a população da cidade circule livremente pelo bairro de Banks. A população procura alternativas, anda quilômetros para chegar a outras estações de metrô ou de ônibus, e desviam de suas rotas rotineiras de carro. Os comentários giram em torno do descaso dos líderes mundiais em relação às pessoas e ao meio ambiente, que banqueiros e especuladores de Wall Street têm tido mais atenção do que o resto. A mídia passa o dia dando notícias sobre o conflito, com ênfase no teor principal dos protestos, não os problemas causados no trânsito.
Cena 2 - Ato pacífico contra o G20 no Rio de Janeiro
Cerca de 40 ativistas do Greenpeace promovem um protesto na Ponte Rio-Niterói, na parte da manhã. Escaladores descem pela murada da ponte para estender uma faixa de 30 metros por 50 com os dizeres: ‘Líderes do mundo, clima e pessoas primeiro’. O recado era para que o G20 não discutisse em Londres apenas a crise financeira, mas também a climática, que pode afetar milhões de pessoas em todo o mundo nos próximos anos. A ação, que bloqueou uma das pistas da ponte por 15 minutos, acabou causando um engarrafamento grande em Niterói. As pessoas que passavam de carro, ônibus ou van pelo local xingavam os ativistas e também aproveitavam para diminuir a velocidade do seu veiculo para tirar fotos - o que contribuiu bastante para piorar o tráfego. A mídia passou o dia falando praticamente apenas sobre o trânsito, ignorando a mensagem que o Greenpeace queria passar.
O que essas duas cenas, comparadas, querem dizer? Numa rápida reflexão, eu diria que a população londrina é mais consciente e menos imediatista que a carioca e niteroense, e que a mídia lá é menos provinciana. Estamos numa baita encruzilhada e poucos brasileiros, mesmo os mais instruídos, parecem se dar conta. Escrevi sobre o assunto no blog do Greenpeace, confira aqui. Existem dois dias no ano em que não podemos fazer nada: o ontem e o amanhã.
Isso é apenas um tira-gosto do grande painel NOW, da Sprint. Saca só a coisa completa - parece até aquele painel de monitores do Ozymandias, em Watchmen.
Uma animação do pessoal do Free Range Studios, que já nos deu Homeland Guantanamo (sobre as prisões de imigrantes nos EUA), The Story of Stuff (sobre sustentabilidade) e Meatrix (sobre as fazendas industriais), entre outras:
(e pensar que pra muita gente esse pescador aí é considerado um loser…)

Na fila da padoca, ontem à noite, fiquei na dúvida entre comprar um azeite na promoção e a última edição da Superinteressante, que traz na capa a atual situação deplorável dos oceanos do planeta. Acabei optando pela revista, o que acabou sendo uma boa escolha, não pela matéria de capa,
Em carta enviada à conferência da ONU sobre mudanças climáticas que aconteceu em Poznan, na Polônia (terminou domingo agora), o presidente Evo Morales, da Bolívia, propõe a criação de um novo modelo de desenvolvimento para o mundo, baseado na sustentabilidade e harmonia com a natureza. A busca incessante pelo lucro, acima de tudo, está destruindo o planeta, diz Morales.
Segue um trecho:
Tudo começou com a Revolução Industrial de 1750 que deu início
O julgamento ainda não acabou, porque o ministro Marco Aurélio Mello que analisar melhor a questão, mas o resultado já tá definido: a demarcação da reserva indígena na Serra Raposa do Sol, em Roraima, respeitará a Constituição brasileira e será contínua. Os arrozeiros - muitos deles políticos, grileiros e afins - terão que sair. A decisão, que é mas não é ainda, acirrou os ânimos entre invasores e índios. Os primeiros dizem que não vão sair agora, que a Funai tem que rever o valor

Lembro de ter ficado bastante intrigado quando descobri, ao cobrir a edição de 1996 da tradicional corrida de calhambeques London-Brighton, que os primeiros automóveis do mundo - basicamente carruagens sem os cavalos - eram modelos elétricos! O primeiro foi inventado em 1830.
“Em primeiro lugar, queria agradecê-lo por ter escrito O Tao da Física. Assim que terminei de ler pensei que tinha que fazer isso e agora tenho a oportunidade. Obrigado, sr. Capra.” O deslumbramento do jovem que sentava imediatamente atrás de mim no Teatro Eva Herz, da Livraria Cultura da Paulista, era evidente e, por que não, comovente. Muitos dos que o aplaudiram provavelmente queriam fazer o mesmo e rolou uma identificação imediata. O rapaz foi aplaudido por uma gente sorridente, bonita, harmoniosa, em comunhão - entre si e com com Fritjof Capra, que deu palestra sobre seu livro A Ciência de Leonardo da Vinci (lançamento da editora Cultrix).
Eu logo me identifiquei e relaxei um pouco. Estava tenso por ter que entrevistar Capra para a revista e o site do Greenpeace e também por voltar à rua depois de tempos para exercitar como se deve o ofício de jornalista. Uma coisa influênciou na outra, mas na hora H, foi que foi. Dei até sorte, porque os outros dois jornalistas que compartilhariam comigo os escassos 30 minutos disponíveis para entrevista não apareceram. Pude gravar tranquilo minhas 7 perguntas sobre ecologia, meio ambiente, sustentabilidade, as quais ele respondeu sem rodeios e com firmeza, não deixando transparecer nenhum incômodo por falar de coisas que não eram bem a razão dele estar ali. Se bem que em termos. Capra é ecologista de longa data e Da Vinci, idem.
Ao contrário da trupe do bem que enfrentou chuva e engarrafamento para ouvi-lo falar, Capra é sisudo, circunspecto, um tanto quanto impaciente, mas sempre elegante e atencioso. Conheço bem o tipo, já tive chefe austríaco no Greenpeace. Me atendeu prontamente quando fui apresentado e respondeu com calma e prestatividade às minhas indagações feitas num inglês inseguro. Da mesma forma atendeu a uma dupla de ciclistas que, pouco antes da palestra começar, entregou a ele um favo de mel, e ouvi atentamente como fazia para degustar aquilo. “É colocar na boca e mastigar de leve como chiclete. Mas dá pra engulir, sem problema, é só cera”, explicou um deles. Tirou fotos com alguns, autografou dezenas de livros (com um simples “Para fulano”, mas enfim…) para a legião de estudantes, artistas, leitores casuais, empresários, escritores e até uma policial militar que lotaram o teatro.
Em uma hora de palestra, com uma apresentação de slides trazendo citações e desenhos de Leonardo da Vinci, o escritor de 69 anos revelou aspectos ambientalistas no artista toscano que eu sinceramente desconhecia solenemente. O próprio Capra disse ter se surpreendido ao achar a seguinte frase nos alfarrábios consultados :
As virtudes da grama, das pedras e das árvores não se encontram em seu ser porque os seres humanos as conhecem… A grama é nobre em si própria sem a ajuda de linguagens ou letras humanas.
É bom observar que as cerca de 6 mil páginas com anotações e desenhos do gênio renascentista que sobreviveram cerca de 500 anos até os dias de hoje estavam escritas em italiano da época e da direita para a esquerda, como os árabes fazem - Da Vinci era canhoto e inovou até na hora de por seus pensamentos no papel. Imagina a dificuldade para quem tem que destrinchar os textos hoje.
Enfim, o que chamou a atenção de Capra foi que Da Vinci antecipou em séculos o que se chama hoje de deep ecology: todos os seres vivos fazem parte de uma grande teia de vida, vivemos numa imensa gaia, e nenhuma espécie é mais importante do que outra. A ciência deve andar em harmonia com a natureza, não dominá-la.
Para Fritjof Capra, físico teórico e escritor que há anos promove a educação ecológica, principalmente para crianças e adolescentes, foi um achado e tanto. A investigação sobre o mestre italiano lhe mostrou que os desenhos dele eram complexos diagramas científicos, porque para estudar a natureza, era preciso desenhá-la; e para desenhá-la, era preciso estudá-la. Combinou ciência, estética e ética como ninguém, quase sempre orientada por uma filosofia ecológica lato sensu. Dá o que pensar saber que Da Vinci ficou obscuro por séculos. Que seja fonte de inspiração nesses novos tempos que se avizinham, com mudanças importantes acontecendo no mundo. Obama na Casa Branca, sustentabilidade e ecologia na ordem do dia, todo mundo pensando no que pode fazer para contribuir.
As perguntas da platéia, ao final da palestra, refletiram essa consciência coletiva de que algo precisa ser feito para mudar o estado das coisas e Capra acabou discutindo ali muito do que falou em nossa entrevista: Obama, o papel da sociedade civil na consolidação desse outro mundo possível, as chances de termos um mundo realmente sustentável. Publico aqui assim que sair a revista do Greenpeace, valeu?
Enquanto isso, curta uma das aventuras do Riuston, o valente entregador da livraria Cultura. O blog é divertido também. Descobri navegando pela internet, pra juntar essa coleção de links deste blog…