Jogue o lixo no lixo. Favor não jogar papel no vaso. Não esqueça de dar a descarga. Após o uso, feche a torneira. Já reparou como os banheiros estão falantes? Até os lavabos andam mandões – ou você nunca foi surpreendido pelo “duas folhas são o bastante para secar suas mãos”? Eu sempre penso que, se alguém precisa que um adesivo lhe diga quantas toalhas deve usar para a secar as mãos, é sinal de que não está pronto para esse nível de sofisticação da higiene pessoal.
Gente que gosta de cagar regras sempre me incomodou, mas não ter sossego nem na santa intimidade de uma privada é algo novo na minha vida. Depois de um mês viajando pelas Zorópas, descobri que WC falante é coisa de brasileiro (se bem que os japoneses botam a louça sanitária até para ler as notícias do dia).
Em shoppings, museus, bares e restaurantes, banheiro europeu é mudo. Não há adesivos esfregando na sua cara que você é um desperdiçador de água ou papel. Nada nas paredes ou na pia. Tudo é feito na maior discrição: a torneira tem sensor de movimento, o papel toalha sai em porções suficientes, a descarga – pasme! – se dá sozinha. Em lugares públicos, toaletes têm até máquinas de camisinha e de absorventes. Tudo é limpo, high-tech e silencioso.
Aqui, quando você tirou a sorte grande de encontrar um banheiro em condições mínimas de uso, quase sempre ele está entupido, com a descarga quebrada ou sem papel – às vezes, tudo isso junto e mais alguém fazendo barulhos estranhos na cabine ao lado. Nessas horas, ao menos um alerta não deve passar despercebido: não se esqueça de apagar a luz.
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