
A discussão sobre a necessidade de uma criança ou adolescente possuir um celular é infindável. Há os que defendem com veemência que o aparelho não é coisa para criança: “Onde já se viu, criança precisar ser encontrada? Na escola, na casa dos avós, ou dos amigos, não há telefone fixo?” Outros, mais preocupados com a segurança de seus filhos não abrem mão de equipá-los com o modelo mais sofisticado, que pode ser rastreado, e coisa e tal. Esqueceram que basta o menino desligar a função e não será encontrado mesmo.
Há outros que vão além e citam os estudos sobre os males à saúde provocados pela radiação eletromagnética emitida pelo celular, que pode provocar tumores cancerígenos no cérebro. Enfim, a discussão é longa demais e caímos na mesma polêmica sobre se as crianças devem ou não usar a tecnologia e que está rendendo até hoje. A recomendação é que as crianças não usem celulares, salvo em situações de emergência.
Acredito que cada responsável deva educar seus filhos colocando os limites, ou dando-lhes a liberdade assistida, ou fazendo o que melhor julgarem adequado a eles. Conscientes dos riscos e das vantagens de oferecer um celular ao filho, os pais assumem a responsabilidade de seus atos. Penso que o celular pode ser necessário se usado com critério. Um pré-adolescente que já vai sozinho aos lugares, a meu ver, precisa sim do celular. No meu tempo, usávamos os cartões de orelhão, e ligar para casa era uma questão de vida ou morte. Ou não sairíamos mais por um bom tempo. Mas, uma criança que não sai sozinha, não precisa de celular. Celular não é brinquedo.
Celular não é brinquedo
Será mesmo? A Sony Ericsson já lançou no mercado o celular da Barbie , com tudo o que um aparelho de adulto possui, desde despertador, câmera, agenda até Internet. A Samsung também lançou celulares para público infanto-juvenil que mais parecem vídeo-games. Aliás, lindíssimos! Até eu quero um desses.
Segundo a empresa, os aparelhos são produzidos com material ecologicamente correto, à base de bio-plástico reciclável e biodegradável. As cores rosa, azul, verde, laranja, marinho e prata são resultantes da aplicação de tintas não-alérgicas e atóxicas. O fone de ouvido é Eco-Friedly, que dispensa o uso de polivinil, mais conhecido como PVC, em sua composição. O aparelhinho oferece várias opções de temas para customizar a tela e os ícones do menu, com Monstros, Boneco de Neve e Oceano. Dispõe ainda de funções de segurança como SOS Call, SOS Message e Fake Call, ferramentas que permitem a localização e comunicação direta dos usuários do celular com pais e familiares, em casos de emergência.
Há os da Disney, do Boto cor de rosa, e outros mais. Com tantas “vantagens” e atrativos, fica cada vez mais difícil dizer que celular não é coisa de criança. O mercado está de olho neste pequeno consumidor que já está contaminado com a febre consumista. “Os pais podem ficar tranqüilos”, dizem os fabricantes, pois o produto é seguro e ecologicamente correto.
Você daria um celular para seu filho pré-adolescente?
Eu daria. Certamente que sim. Particularmente, já vivi experiências terríveis com meus filhos, pois não conseguíamos nos comunicar, e passei por momentos angustiantes sem poder localizá-los. Ter um celular ou não, era indiferente naquele momento. Qualquer coisa serviria, até sinal de fumaça.
Meus sobrinhos, na faixa de nove a dezoito anos, possuem, cada um, seus aparelhinhos. E, como presente de Natal, receberão de mim, créditos para seus celulares pré-pagos. Eu serei ecologicamente correta? Sim, pois evitarei as embalagens de presente, economizarei tempo e combustível, me livrarei do estresse das compras de Natal, estas coisas que todos vocês já conhecem nesta época. Quanto ao uso dos celulares, cabe aos pais administrar. E você, daria um celular para seu filho pré-adolescente?
Celular é coisa de criança?
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