Um curso de mergulho funciona mais ou menos assim: primeiro, você paga R$ 290 para ter palestras sobre manômetros, seios faciais, câmaras hiperbáricas, correntes de vazante, princípio de Arquimedes, nitrox, tempo de fundo e outros termos assustadores. De todas as palavras estranhas, a que decorei foi "narcose", a designação do que sofre o sujeito que fica embriagado pelo ar do cilindro e acaba o mergulho jurando de pé junto que conversou com uma barracuda e ela respondeu.Dezesseis horas e oitenta e cinco questões depois, você está pronto para passar por um teste no mar, que vai custar mais R$ 580 e atestar, finalmente, se está apto para ser um mergulhador ou se tem pela frente uma promissora carreira de afogador de parceiros. É aí que começa o ritual secreto. A liturgia do mergulho conta com uma preparação realmente estranha. Para começo de conversa, você viaja num barco carregado com dezenas de cilindros de gases comprimidos potencialmente explosivos. Depois de ter aprendido a defender seu respirador com unhas e dentes e a compartilhar seu ar – sim, ele pode acabar enquanto se está lá no fundo –, você leva uma boa meia hora montando o equipamento e checando se tudo funciona direito. Depois de apertar válvulas, conectar torneiras, ajustar um sem-fim de fechos e fivelas e checar tudo novamente, você gasta mais meia hora para entrar numa roupa que ficaria pequena numa criança de dez anos. Se passar incólume a todas essas etapas e tiver pago sua taxa de sol direitinho para São Pedro, já pode cair na água – quase sempre fria, não raro, gelada, às vezes, insuportavelmente congelante. Tudo isso para ver meia dúzia de lebistes, um monte de corais paradões e um ou outro peixe maiorzinho, que certamente vai sumir de vista quando vir você e todas aquelas bolhas por perto. Se der sorte, é possível que encontre uma tartaruga assustada ou uma moréia apavorante, mas elas vão aparecer bem naquela hora em que você se distanciou dos outros e, no fim, ninguém vai acreditar, mesmo. Então, depois de vinte minutos a dez metros de profundidade, com os ouvidos tampados e doloridos, você vai começar a sentir frio ou vai ter se perdido do grupo ou então seu ar vai estar no talo – tudo isso junto, muito provavelmente – e vai ter de subir e gastar mais uma hora para sair da roupa e desfazer o intrincado bolo de mangueiras e tirantes no qual seu colete se transformou. Quando o sol começar a se pôr e você estiver jogado num canto do barco, com os dedos ainda roxos, os lábios machucados da água do mar, o cabelo armado e o corpo moído, queimado e cheio de sal, vai por mim, aí, sim, você vai saber o que é a felicidade suprema.
PS: Meu inglixi-translation escreveu um post engraçadíssimo sobre sua iniciação no mergulho. De dar inveja: foi na Tailândia, em uma ilha tombada pela Unesco, com direito a ver tudo que é tipo de peixe, "o bairro todo do Nemo". Leia este post no blog Guindaste (com tradução em inglês): Mar Adentro
Siga-nos!
- Eco tênis para uma eco run http://ow.ly/2yFos
- Que papelão! ;) http://ow.ly/2yFfi
- Tim tim! Beba Champagne com a consciência tranquila. http://ow.ly/2yF3g
- Latinha de alumínio permanece como material mais reciclado no país http://bit.ly/aB042o /via @isisrnd
- Vote em lei contra a biopirataria http://bit.ly/cys102 /via @isisrnd
Participantes
Rodrigo Barba (304)
Sturm und Drang (260)
Ladybug Brasil (221)
Guindaste (218)
Xis-Xis (121)
Victor Vasques (17)
Posts populares
Sites recomendados
- Ambiente Brasil
- Bigodes, Focinhos e Raízes
- Blog do Planeta
- Eco Amigos
- Ecopop
- Faça Sua Parte
- Greenpeace Brasil
- Iniciativa Verde
- Instituto Brasileiro de Florestas
- Instituto Socioambiental
- Meio Ambiente Urgente
- O Eco
- O Futuro do Presente
- Planeta Sustentável
- Recicloteca
- SOS Mata Atlântica
- Uma Malla Pelo Mundo
- Viver Sustentável
- WWF Brasil






