- Moço, preciso de um adubo dos bons.
- Para quê?
- É que tenho uma pitangueira em casa, mas ela não dá fruta.
- Quanto tempo ela tem?
- Ah, um bocado. Só comigo, está há seis anos.
- E dá flor?
- Então, isso que é estranho… Dá flor, mas ela seca e cai. Já viu pitangueira que não dá pitanga?
- Você mora em casa ou apartamento?
- Em apartamento. Ela fica na sala, num vaso bem grande.
- Num vaso?!? Na sala??? Na varanda, né?
- Não, na sala mesmo. Mas fica do ladinho da janela!
- E a janela fica aberta?
- Não, passa a maior parte do tempo fe…
- Fechada. Sabia. Esse é o problema.
- Minha pitangueira não dá fruta porque a janela fica fechada?
- É.
- E se a janela ficasse aberta…
- Escancarada.
- Se a janela ficasse escancarada, eu teria pitangas?
- O bastante para fazer geléia.
- Não sei se peguei direito a coisa…
- Relaxa. Nem tudo está perdido. Sua pitangueira é grande?
- Bate no teto, deve ter uns três metros…
- E dá muitas flores?
- Não sei…
- Você conseguiria contar todas?
- Acho que sim.
- Não são muitas. Compre um pincel macio.
- Um pincel?!?
- Isso. Quando as flores estiverem abertas, passe o pincel nelas. Como se fosse pintá-las. Com cuidado.
- Como se eu fosse pintá-las.
- Exatamente. Passe em quantas conseguir encontrar. Você terá pitangas na próxima florada.
- Mesmo?
- Ah, sem dúvida.
- Só para o caso de o lance da janela e do pincel não ter ficado claro, você poderia me explicar por que tenho de pintar as flores?
- Manja aquele baratinho preto e amarelo chamado abelha?
- Lógico. Eu sei o que é uma abelha.
- E sabe pra quê ela serve além de picar e fazer mel? Ela carrega pólen. Pólen faz flor virar fruta. É tipo um espermatozóide em pó. Como a janela fica fechada, não venta, que é o outro jeito de pintar um clima pra planta.Um clima”, se é que você me entende…
- Sim.
- Então, como você não deixa a coitada seguir o curso normal da natureza, tem que ir lá e dar uma mãozinha.
- Você está me dizendo que eu tenho de estuprar a flor???
- Meio que por aí.
- Santodeus!
- Tem razão, soa meio forte, né? Vamos tentar outra coisa… Já sei! Pense que você está dando uma força para ela tipo esses sites que juntam casais…
- Namoro.com?
- Isso! Você dá pra flor justinho o que ela queria. Se ela pudesse, diria obrigado.
- Hmmm… Quanto lhe devo pela aula de botânica?
- Nada não. Quando você voltar aqui, me traz um pote de geléia de pitanga que tá tudo certo. - Firmeza?
PS: Hoje tem uma Voadeira bem criançuda. Quer brincar?
|
INSUMO |
MODO DE PREPARO |
MODO DE USO/INDICAÇÃO |
|
Chá de Sabugueiro |
Ferver 300g de folha em |
Pulverizar Controla pulgões |
|
Solução Água e sabão |
50g de sabão picado em |
Pulverizar depois de esfriar Controla pulgões e cochonilha |
|
Gergelim |
Providenciar um caminho de gergelim em volta do canteiro |
Controla formigas, pois mata o fungo do qual se alimentam. |
|
Suco de Pimenta |
Fazer suco de pimentas vermelhas e água |
Pulverizar Controla formigas cortadeiras |
|
Leite de Vaca |
Usar puro |
Pulverizar puro nas plantas controla o oídio em abóboras |
|
Soro de Leite |
Usar puro |
Pulverizar Controla ácaros |
|
Macerado de Camomila |
Imergir um punhado de flores em água por 2 dias |
Pulverizar Controla doenças fúngicas |
|
Macerado de Cebola |
|
Diluir na proporção de 1:3 - Pulverizar Controla lagarta e pulgões |
|
Cobertura com casca de arroz |
Utilizada como cobertura morta entre as plantas |
Controla pulgões e moscas brancas |
|
Macerado de manjericão |
|
Diluir na proporção 1:3 Controla besouros |
|
Coentro |
Cozinhar folhas de coentro em |
Diluir na proporção de 1:3 Controla ácaros e pulgões |
Primeiro, apareceu um pozinho em cima da mesa, aquele sinal inconfundível de cupim à vista. Como os grãozinhos estivessem do lado de uma janela de alumínio, olhei a mesa atentamente em busca de furos. Nada. Passei um pano e fui dormir.
No dia seguinte, tinha pozinho espalhado por toda a mesa e perto do computador. O mais estranho: havia grãozinhos na prateleira em cima da mesa. A menos que os cupins estivessem arremessando montinhos para o alto, aquilo era gravitacionalmente intrigante. Só havia uma única explicação: o pó estava caindo de um furo no alto. Olhei para cima e o forro de gesso continuava tão intacto quanto no dia em que foi feito. Estranho.
No terceiro dia de pozinhos, já podia ouvir as risadinhas abafadas dos cupins. A essa altura, eu tinha passado a noite em claro incomodada com a idéia de que um cupinzeiro tivesse se instalado na caixa da persiana. Peguei uma escada e abri a caixa com a tensão dos convidados que, escondidos, esperam pelo aniversariante. Ao invés de flagrar um bando de cupins de chapeuzinho de festa e língua-de-sogra, só encontrei poeira e uma mariposa morta. Nem cheiro de pozinho de madeira.
Esta noite, vou revirar o quarto com lupa, mas algo me diz que não encontrarei nada. Hoje pela manhã, quando descia da escada, ouvi alguém falando, baixinho:todo mundo quietinho esta noite, hein, galera?”. Preciso de um tamanduá farejador urgentemente.
Não meço esforços para ter um pouco mais de verde ao meu redor. Já coloquei uma bombinha de aquário num bidê, enchi de água e plantei ninféias e alfaces d’água. Meu jardim aquático durou pouco. Quando as plantas se tocaram de onde estavam florescendo, amarraram pedras no caule e se jogaram da borda. Morreram afogadas.
Anos depois, comprei um pé de amora. A árvore ficou tão grande que encostava no teto. Hoje, ela mora num sítio e está apaixonada por um ficus. Tenho também um ex-bonsai de romã que me agradece todos os dias por não cortar suas raízes como fazem os japoneses malucos.
De todos meus exemplos verdes, o que me dá mais dor de cabeça é a composteira. Os sites que ensinam como transformar lixo orgânico em adubo raramente sugerem que você tente isso num apartamento. Descobri por que: “Durante a compostagem, fungos, bactérias, protozoários, minhocas, besouros, lacraias, formigas e aranhas decompõem as fibras vegetais”.
Até aí, tudo bem. Os bichos não vão querer sair do quentinho por nada. O problema é que ninguém fala que entre os “amigos invisíveis” estão montes de drosófilas, aqueles mosquitinhos que gostam de banana. Agora, minha fruteira fica escondida no armário e só fecho a geladeira depois de me certificar de que não prendi nenhuma drosófila lá dentro.
Antes que eu me armasse de inseticida e saísse pela casa borrifando mosquitos, voltei ao site em busca de um alento. “Não se preocupe: fazer compostagem não vicia, é apenas uma atividade apaixonante como todo aprendizado com a natureza.” Um agrônomo poeta! Era só o que me faltava.
