Para quem ainda não sabe, eu tenho gatos. Todos saídos ou bem do Centro de Controle de Zoonoses ou bem direto da rua. E faz tempo demais que não falo deste assunto.
Cachorros e gatos são seres magníficos. Dizem por aí que ajudam a reduzir o stress, trazem alegria. Mas há uma contrapartida: precisam de cuidados. Veterinário, banhos, vacinas, comida, atenção, carinho. Ao longo da história da civilização, eles se tornaram dependentes de nós. Cuidar bem é dever e obrigação de todo ser humano.
Cortinas rasgadas, tapetes manchados, vasos revirados - basta seguir o rastro da destruição para reconhecer o lar de uma autêntica dona de gatos. Desde que deu casa e comida para aquele lindo filhote órfão você não sabe mais o que é sofá novo? Nem sua máquina de lavar dá conta de tirar os pêlos de suas roupas? Parece improvável, mas, com alguns truques simples, é possível abrigar um gatinho e manter uma casa arrumada e cheia de plantas. Saiba como.
Apare as armas
Admita, se você fosse dotada de unhas que descamam periodicamente, também adoraria afiá-las no primeiro estofado que encontrasse pela frente, não? Para evitar que seu gato reduza a fios a cortina do seu enxoval ou seu jogo de estar, mantenha as unhas do bichano sempre aparadas. Só tome cuidado para não cortá-las muito rente: como elas são transparentes, dá para ver quando começam os vasos sanguíneos que irrigam as unhas. Corte só a parte transparente e bem pouquinho.
Tenha um sofá blindado
O sofá anti-arranhões ideal tem estrutura de madeira, assentos e encostos removíveis e uma capa (de couro sintético ou tecido grosso e bem resistente) amarrada com tiras ou presa à base com elástico. Para aumentar a vida útil do seu estofado, basta deitar as almofadas do encosto e cobrir tudo com a capa. Faça isso sempre que o sofá não estiver em uso ou antes de sair de casa - afinal, é quando a dona não está que os gatos fazem a festa.
Faça um mirante para ele
Se o sol não dá trégua para seu lar, opte por persianas e esconda bem os puxadores. Quem mora em apartamento não pode se esquecer de instalar rede de proteção em todas as janelas. Faça ummirante” encostando um móvel no parapeito ou parafusando uma prateleira que fique ao alcance de um pulo. Seu gato vai passar horas observando o movimento da rua.
Tapete vira arranhador-gigante
Testado por gateiras e aprovado pelos veterinários, os tapetes de juta ou fibras naturais são os melhores amigos do seu gato. Prefira os pesados e de trama bem apertada, que não se desfazem com arranhões. Além de deixarem sua casa mais bonita, esses tapetes mais rústicos funcionam como arranhadores gigantes sem perder a classe.
*Versão original de reportagem publicada na revista AnaMaria desta semana.
Em abril eu ganhei o melhor presente de aniversário EVER. O Serra assinou a lei 12.916 (do deputado Feliciano Filho, do PV) que proíbe a eutanásia de animais saudáveis em todo o Estado de S. Paulo… YEAH!
A Charlote (capturada nas lentes da Tammy, no dia do meu aniversário) foi “roubada” deste destino, ainda em 1999 quando os bichinhos ainda morriam explodidos na câmara de vácuo que o CCZ utilizava antes da eutanásia humanitária.
Neste final de semana, quem quiser adotar um bichinho tem mais uma oportunidade (na verdade, tem todo dia, lá no CCZ): O Pet Center (Marginal do Tietê, 1745, Pari, S. Paulo) promove feira de adoção no domingo, dia 18, das 14 às 20h.
Esta joaninha, adotante de quatro felinos (três tirados das garras mortíferas do poder público, com todo orgulho do mundo) advoga algumas coisas em relação aos animais domésticos. Aprendi com o pessoal da Proteção Animal, então leia com carinho:
Os animais importam. Comprometa-se com eles - a vida fica melhor, a alegria aumenta, o afeto é eterno. Seja humano: cuide dos bichos.
Tenho 20 anos de convívio com felinos – marca só superada pelo fato de eu ter conseguido sobreviver quase sem arranhões a uma estada de três anos em uma casa com 34 gatos. Depois de perder três sofás, oito cortinas, um tapete e várias contas de celular e cartão de crédito, descobri alguns segredos para ter gatos, roupas pretas e uma sala bonita. Tudo ao mesmo tempo, claro.
O primeiro sofá que tive era de brim, material que enchia de pêlos só de os gatos respirarem nas imediações. Em poucos dias, eles desfiaram o tecido e transformaram o encosto numa instalação modernista, com fios pendurados e espumas sobressalentes. Chamei um restaurador. Assim que abri a porta, o homem olhou do sofá para mim, de mim para os gatos, balançou a cabeça negativamente e foi embora sem falar uma palavra. Então, saí em busca de um sofá de couro, na certeza de que o material seria resistente a unhadas. Doce ilusão. A bicharada reduziu uma das almofadas a uma pasta de couro quebradiço.
Resolvi não me entregar sem luta. Afinal, não é porque peguei quatro delinqüentes das ruas que sou obrigada a assistir TV em pé. Adquiri um sofá de vime – a segunda coisa mais estúpida que um dono de gatos pode comprar, perdendo somente para o granulado higiênico de sílica “que não deixa nenhum odor!” e custa R$ 40 um pacote com 1,8kg. Para dificultar os ataques da gangue de bigodes longos, entupi de resina os furinhos da palha. Ficou lisinho e definitivamente à prova de gatos – ao menos até que eles descobrissem como entrar por BAIXO do sofá e o destruíssem de dentro para fora. Um dia, fui sentar e senti que o assento não estava mais macio e acolhedor. Foi quando descobri que estava sentada no chão, tendo entre mim e o piso uma fina camada do que outrora foi uma almofada cheia de espuma.
Com isso, a guerra ficou declarada e passei a me concentrar em estratégias militares. Estudei a curvatura das unhas, a textura dos pêlos, testei diversos materiais e formatos. Quase revesti o sofá com uma lâmina de kriptonita, mas desisti quando soube que o frete é os olhos da cara. Quando já estava desistindo, descobri numa loja de velharias um grande banco de madeira de demolição: era lindo, resistente e custava uma mixaria. Chamei um tapeceiro e apontei com orgulho para uma amostra de chenille creme, ultra chique.
O estofado ficou pronto um mês depois e é preso ao banco por tiras de tecido. Sentei para estreá-lo. Perfeito. O Grafite deu aquela espreguiçada e saiu da toca para inspecionar o inimigo, mas não conseguiu encostar um fio no sofá: eu tinha mandado fazer uma capa impermeável de couro com elástico. Agora, quando saio de casa, abaixo as almofadas do encosto e fecho a capa. Os gatos bem que tentaram, mas não conseguiram fazer mais que alguns furinhos na capa. O chenille creme saiu de moda, mas o sofá continua tão novo quanto no dia em que chegou. Os gatos me olham com despeito.

Atendendo a pedidos, aqui vão três closes do sofá: à esq., Oto fareja uns biscoitinhos em cima do sofá fechado (a branquela no chão é a Lua), à dir., detalhe do elástico da capa e das tirinhas que prendem a almofada ao encosto de madeira, na foto maior, Grafite pula do sofá meio aberto, meio fechado (ele sabe que não pode subir quando tiro a capa).
– Não precisa ter medo, viu? Ele vai cuidar bem de você. Toma, a água está aqui. Trouxe Delícias da Granja, olha que gostoso, tem carne, peru, miúdos de frango… E veja só: seu rato preferido! Aqui tem mais espaço, dá uma olhada, um sofá, dois, três sofás inteirinhos para você destruir! Que maravilha, hein? Ah, e não tem nenhum gato com instintos assassinos no pedaço, olha que coisa boa?
Há três meses, Quelé foi jurada de morte pela famiglia. Não sei o que ela andou aprontando, mas os ânimos andavam tão exaltados que bastava cair um prego no chão para os gatos pularem estatelados nas quatro patas, o pêlo eriçado e o rabo igual a um espanador. Quando ela ia até o prato de comida, era abordada por um sujeito alto, forte, de bigodes castanhos e cara de poucos amigos. Se resolvia dar uma espreguiçada no sol, tinha de sair na unha com uma branquela de 5 kg. Isso sem falar nos tufos de pêlos espalhados pela casa, resultado dos embates mais sangrentos. Depois de passar oito horas apartando brigas a cada vinte minutos, resolvi buscar asilo para minha gatinha preta.
Foi uma decisão difícil. No começo, borrifava água nos briguentos e deixava o agressor de castigo na área de serviço, mas bastava abrir a porta para um falar coisas indecorosas a respeito da mãe do outro. Tentei florais e homeopatia, mas os gatos se mostraram céticos quanto a tratamentos alternativos. Apelei para a boa e velha psicologia: quando eles estavam juntos sem brigar, fazia carinho e dava biscoitos por bom comportamento. Como eles nunca tivessem lido sobre Pavlov, nem isso adiantou: assim que eu virava as costas, Grafite e Quelé se atracavam.
Ontem, consegui finalmente levar a Quelé para um lugar acolhedor. Coloquei-a numa caixa de transporte, levei a cestinha com seu cheirinho, suas próprias tigelas de água e comida, seu rato com catnip preferido. Achei que ela ficaria assustada e fosse se refugiar no primeiro buraco que encontrasse. Em quinze minutos, ela já tinha rastreado todo o terreno, esfregado o nariz em cantos e quinas e xeretado embaixo da cama. Depois da inspeção, sumiu por uma meia hora e voltou com os bigodes cheios de teias de aranha. Deu um pulo gracioso no sofá, lambeu o rabo e tirou uma soneca.
Fiquei olhando que nem mãe de primeira viagem, quando leva o filho na escolinha e o moleque entra saltitando, feliz da vida. Custava ela ter ficado só um pouquinho triste?

Quelé, enquanto ainda não era uma gata perseguida pela máfia
Catalão é uma língua difícil, mas basco é de outro mundo! Onde coloquei os acentos para escrever durante a viagem?