E de Paris Lívia me conta que o ex-tenista Yannick Noah tá fazendo um baita sucesso por lá com a música Aux Arbre Citoyens, de seu novo CD, Charango. “Toca no táxi, supermercado, casa de vizinho…”, diz ela. É uma música engajada, que fala de aquecimento global, proliferação e lixo nuclear, e desmatamento

A Bovespa acabou de anunciar que a Petrobras, Aracruz Celulose, Companhia Paranaense de Energia (Copel), CCR Rodovias, Copel, Iochpe-Maxion, Petrobras e WEG foram excluídas da lista das empresas do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da Bovespa. Esse índice é composto de ações de companhias que apresentam alto grau de comprometimento com a sustentabilidade e responsabilidade social. No lugar delas entraram a TIM, Telemar, Unibanco, Celesc, Duratex e Odontoprev.
No caso da Petrobras, é resultado direto do esforço de ONGs e secretarias estaduais de Meio Ambiente, que vinham há tempos denunciando a estatal por descumprir resolução de 2002 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) para diminuir a partir de 2009 a quantidade de enxofre no diesel que vende no Brasil. Apesar de ter tido sete anos para se adequar à resolução, a Petrobras e a Anfavea (da indústria de automóveis) afirmam que não tiveram tempo para tal e se recusaram a cumprir a determinação.
Apenas na cidade de São Paulo, o ar poluído mata de 12 a 14 pessoas por dia, segundo estimativa de Paulo Saldiva, professor de medicina da USP (Universidade de São Paulo) e uma das autoridades no debate sobre os efeitos da emissão de poluentes na saúde. “Embora abasteça 10% da frota do país, o diesel é responsável por 45% da emissão de partículas em São Paulo e quase metade das mortes causadas pela poluição”, calcula Saldiva. (fonte: CMI)
Segundo o professor Saldiva, os dados mostram que a poluição do ar mata mais do que a aids e o trânsito juntos na cidade de São Paulo.
Arnold Schwarzenegger pode estar bem cotado para ser o homem da energia de Obama, mas não corre sozinho nessa disputa. Outro nome meio óbvio é o de Al Gore. Após a derrota pro Bush Jr. em 2000, ganhou destaque mundial explorando o tema convenientemente e hoje tem uma das propostas mais audaciosas quando o assunto é remodelação da forma como produzimos e consumimos energia para enfrentar as mudanças climáticas, o projeto Repower America. Em linhas gerais, prevê a geração de 100% da energia consumida nos EUA por meio de fontes renováveis - basicamente eólica (27%), solar (16%) e eficiência energética (28%) - num prazo de 10 anos. Biocombustíveis e energia geotérmica teriam seu espaço também, com 3% cada. Nenhuma hidrelétrica ou usina nuclear seria construída no período, ficando as atuais com 23% do novo cenário. Em 2019, nada de petróleo ou carvão. Não é fraco não.
O projeto é bem próximo ao proposto pelo Greenpeace e Conselho Europeu de Energias Renováveis, o [R]evolução Energética, tecnica e politicamente, já que vê uma imensa oportunidade na crise gigante que surfamos sabe-se lá como.
Se os americanos são bons mesmos em fazer dinheiro, mesmo quando ele é escasso, a hora é essa. As ações de empresas do setor estão fervilhando. Na ressaca da orgia do capital especulativo, talvez testemunhemos novos tempos de investimentos voltados prioritariamente à produção do bem, que permitirá gerar empregos e renda. A ONU já cantou a pedra: milhões de empregos podem ser gerados até 2030 com investimentos em energias verdes. A recessão já vem provocando o curioso movimento de deixar algumas empresas mais verdes - como tem feito com a indústria de eletrônicos.
Seja com Schwarzzie ou Gore, quero ver as doletas verdinhas salvando o planeta, não apenas depredando-o em benefício próprio. Compartilho da utopia promovida pelo pessoal do Yes Man, quero ver um NYT recheado de boas notícias - o que não significa que serão fáceis. Nem perfeitas. Que sejam honestas, já basta.
Quem quiser conferir a íntegra da edição fake do NYT, só com notícias que gostaríamos de ver publicadas, acesse nytimes-se.com.
No vídeo abaixo, vc saberá como foi engendrada essa ação genial, bem como verá um representante do NYT ficar putinho (1min22s) ao ser questionado sobre Judith Miller, quando defendia a posição do jornal na cobertura da guerra do Iraque.
New York Times Special Edition Video News Release - Nov. 12, 2008 from H Schweppes on Vimeo.
Às vésperas do encontro das 20 maiores economias do mundo, a ONU conclamou os líderes desses países a aderirem a um acordo global para investir pesado em programas ambientais, que podem ajudar a levantar a economia no planeta. O Greenpeace está pressionando o G20 também na mesma linha, assim como outras ONGs ambientalistas. Ao contrário do que diz o vira-casaca do Patrick Moore, o ambientalismo não é pautado pelo medo, mas por mudanças de paradigma. A indústria e os governos foram incapazes e, agora, com a crise batendo à porta, acho que vão finalmente acordar para a realidade.
Com a derrocada de Bush Jr. e sua gangue neocon, as chances de um acordo amplo para enfrentar as mudanças climáticas são enormes. Barak Obama tem cacife para tal e já disse que pretende reestruturar a matriz energética americana. E como sabemos, pra onde for os EUA, o mundo vai atrás. Até a bíblia da indústria energética, o World Energy Outlook, segue nessa linha. A economia verde está na bica de se tornar mainstream. Demorô!
E por falar em energia, um dos nomes mais fortes para assumir o comando dessa área na gestão Obama é ninguém menos que Arnold Schwarzenegger! O governador da Califórnia leva vantagem sobre nomes como Al Gore porque não ficou apenas no discurso, foi lá e fez muito pela adoção de energias renováveis em seu estado, combatendo as emissões de CO2 de forma incisiva. E olha que o Gore está com um projeto audacioso pacas, de mudar radicalmente a forma como os americanos produzem e consomem energia no país. Pelos planos dele (que estão todos no site Repower America), os EUA estariam produzindo 100% de energia por meio de fontes renováveis em 10 anos! Não pouca coisa não… Mas o trabalho de Schwazzie na Califórnia é foda, confira aqui.
Agora, que situação, não? Colocar o destino do planeta nas mãos logo do Exterminador do Futuro??

O que significa a eleição de Barak Obama para as políticas de combate às mudanças climáticas e reforma da matriz energética - americana e mundial? É o que tenta responder Adam Stein, co-fundador da Terra Pass, organização focada em reduzir nossa pegada de carbono
Saiu ontem no Terra a reportagem. Leia na íntegra. Parece muito interessante mas no texto não há informação sobre a eficiência do material. Custar a metade do valor, mas ter um painel solar com aproveitamento de 1% em vez de um painel com mais de 20% de eficiência não ajuda muito, mas com certeza a eficiência aumentará no decorrer dos avanços da pesquisa. Ah para comentar, a menina (Nicole Kuepper) tem 23 anos e é estudante em PHD.
Saiu a segunda edição do estudo [R]evolução Energética, do Greenpeace, que mostra o potencial das energias renováveis. Segundo o relatório, já teríamos todas as condições para produzir 50% de toda a energia necessária para mover o planeta por meio de fontes limpas, mas só produzimos 13%. O lobby do petróleo, carvão e nuclear são fortes e ainda dão as cartas, mas até gigantes como a BP e a Shell já perceberam a força das renováveis e estão investindo

A Solyndra, empresa sitiada na Califórnia, desenvolveu uma nova forma de captar energia solar. Em vez dos tradicionais painéis planos, a empresa optou por uma forma cilíndrica capaz de captar energia nos 360° da superfície tubular.
Não sei se estou cansado. De volta a SP, depois de 30 horas no ar, ligado na ação em Salvador, sinto um misto de cansaço, sentimento de missão cumprida e um pouco de desapontamento - isto mais pelo pouco espaço que consegui na mídia, apesar de ter perturbado os caras…
A atividade foi tranqüila, a turma reunida era 100%, tivemos o controle de tudo e nossas imagens ficarão ducaralho (fotos aqui e filmes abaixo). Foi, juntamente com a brasília amarela “radioativa” que colocamos em frente ao Palácio do Planalto, a melhor ação da qual participei no Greenpeace. A gente tinha tamanho controle da situação que lá pelas tantas fomos até saudados pelas autoridades de trânsito! Tirando a parte final, já na manhã de quinta, quando a movimentação aumentou pelas ruas, passamos quase despercebidos pela principal via de acesso da cidade. E tudo, pinturas e placas, estavam nos mesmos locais até hoje de manhã, segundo me confirmou o taxista que me levou pro aeroporto. Demos o recado! Se vacilar, fica até depois das eleições, domingo - ou até o próximo carregamento de urânio que está previsto para os próximos dias…
Tive uma noite boa de sono ontem, tão boa que acordei um pouco mais tarde hoje (9h30) e perdi a chance de dar um tchibum na praia de Piatã, onde estávamos hospedados. Fiquei zumbizando pela casa, já vazia, até a hora de ir pro aeroporto. Agora, vou ficar de molho, porque fim de semana vai ser com a tropa e tenho que estar em forma pra guentar o tranco.
Ah, sim, conforme havia prometido, aqui vão os filmes que fizemos. O primeiro é o, digamos, institucional da atividade. Já o segundo é do caveira guy, que se amarra num urânio. Acho que dá uma idéia de quanto nos divertimos com esse cara por lá! Grande Marco!

Não teve polícia, chuva ou incêndio que derrubasse a ação que mandamos em Salvador, quase 6 quilômetros de sinais e placas amarelas pela avenida Bonoco (principal via de acesso à capital baiana), alertando para o perigo radioativo do transporte de urânio de Caetité até o Porto de Salvador. A equipe tava entrosada e deixou a mensagem redondinha