—- Tem bateria Motorola?
—- Bateria?
—- É. A do meu celular anda muito fraca, não segura nem um dia inteiro.
—- Que modelo é?
—- Este aqui.
—- Mas esse celular nem é tão velho…
—- Pois é! Essas baterias de hoje não duram nada!
—- Por que você não compra um celular novo?
—- Pra quê? O meu está funcionando muito bem. Só a bateria é que está ruim.
—- Olha, nem tenho mais dessa bateria aqui pra vender.
—- Tira de um celular, uai!
—- Não posso, você tem que comprar o celular inteiro.
—- Onde posso encontrar só a bateria?
- É complicado…
—- O que você quer dizer com isso?
—- Que é mais fácil você trocar de aparelho.
—- Nossa, que surpreendente: um vendedor querendo me empurrar uma compra completamente desnecessária!
—- Eu sei que parece papo de vendedor… Mas vou te mostrar como é verdade. Me dá seu CPF que eu vou checar quantos pontos você tem para resgatar.
—- Posso comprar uma bateria nova com eles?
—- Teoricamente poderia, mas pararam de mandar baterias avulsas pra cá. Ninguém compra. É muito mais barato trocar de celular. Olha só: você tem 943 pontos para resgatar. Dá para levar um excelente aparelho com essa pontuação, com câmera digital, mp3, filmadora…
—- Mas bateria, que é bom, nada?
—- Nada. Essa bateria custava R$ 199 na última remessa que recebi, faz uns bons meses já.
—- Que caro!
—- Não falei?
—- E se eu levar na assistência técnica?
—- Vão te cobrar no mÃnimo isso. Porque bateria não conserta, tem que trocar mesmo. Ela fica gasta. Que nem pilha.
—- Mas meu celular não tem nem dois anos!
—- Pois é. Mas isso é coisa feita para não durar, para, daqui uns meses, você querer trocar. E, falaÃ, só um otário vai querer um celular velho remendado quando pode levar um novinho de graça.

A Califórnia segue dando o exemplo. A Comissão de Proteção ao Oceano do estado americano está propondo três medidas para reduzir a quantidade de lixo que acaba poluindo o mar: banir as embalagens de isopor para alimentos, cobrança de taxas para o uso de sacolas de papel e/ou plástico, e (a principal delas, a meu ver) tornar os fabricantes responsáveis pela coleta e reciclagem das embalagens de seus produtos. É isso ou ver o mar se transformar numa imensa sopa de lixo!
Segundo a Comissão, essa última exigência já funciona em 33 paÃses no mundo, encorajando a redução de material usado, reduzindo o peso final dos produtos, permitindo o uso de materiais recicláveis e obrigando os fabricantes a redesenharem seus produtos e embalagens. Na Alemanha, após quatro anos do inÃcio do programa, o lixo produzido por embalagens foi reduzido em 14%. É pouco ainda.
As empresas são contra, claro. Dizem que é melhor incentivar a reciclagem e ameaçam com desemprego. O velho discurso da indústria, mesquinha toda vida. Reciclar é bom, mas produzir menos lixo é ainda melhor. Reciclar gasta muita energia e recursos materiais e humanos. Ninguém em sã consciência acha confortável a quantidade de papel, plástico, isopor e quetais que acompanha um brinquedo, TV ou aparelho de som recém-comprado na loja. Repara só na pilha de lixo que se forma no Natal após a abertura dos presentes. É vergonhoso!
Lixo é um dos grandes problemas mundiais do século 21.
Pra mim, toda e qualquer empresa deveria ser responsável pela coleta e correta eliminação do produto que fabricou, seja uma embalagem, celular ou carro. Haveria exceções, claro - móveis por exemplo. Medidas como essa evitariam absurdos como a exportação de lixo eletrônico para paÃses de Ãsia, causando a intoxicação de milhares de pessoas.
O rápido avanço da tecnologia tem sido de mão-única, com o desenvolvimento de produtos cada vez mais modernos e eficientes, mas o uso de substâncias tóxicas na sua fabricação e a falta de preocupação com o seu destino final - o lixo - põe tudo a perder. Sem falar na tal obsolescência planejada…
Veja o caso dos Estados Unidos: em fevereiro do ano que vem, com a adoção da TV digital por lá, estima-se que cerca de 10 milhões de aparelhos antigos sejam dispensados no paÃs, gerando um problema monstro. Apesar disso, poucas empresas têm programas amplos de reciclagem para atender a essa demanda e evitar que esse lixo contamine pessoas e o meio ambiente - provavelmente na Ãndia, China ou Paquistão. Para pressionar grandes fabricantes como Sony, Samsung, LG e Toshiba, entre outras, a evitarem essa catástrofe, ONGs americanas formaram a Electronics TakeBack Coalition e deram inÃcio à campanha Take Back My TV.
Os consumidores também têm seu papel nessa história toda. Na hora da compra, dê preferência a produtos que tenham pouca embalagem e que tenham sido fabricados de forma sustentável e responsável. Se informe na loja, ligue para o fabricante pelos serviços de atendimento ao consumidor, exija seu direito de saber o que está comprando. E questione sobre programas de reciclagem, principalmente de aparelhos eletrônicos. Quanto mais pessoas encherem os SACs (serviços de atendimento ao consumidor) das empresas, mais elas se sentirão pressionadas a tomar alguma medida. De tanto levar bica nas canelas, uma hora terão que se mexer.

Vi no blog da Marcia H e adorei. Talvez eu faça um para mim também. A confusão de fios que há atrás de minha escrivaninha é de arrepiar. A idéia super legal de forrar os rolos de papel higiênico é do site Unclutterrer, que, por sua vez, encontrou-a no livro de Stephanie Winston’s : Best Organizing Tips. Um jeito fácil e econômico para guardar os cabos e fios, e, ao mesmo tempo encontrar uma utilidade para o rolo que iria para a lixeira. Ótima idéia para manter a organização em casa e no escritório. Gostaram?
Saiu o novo ranking do Guia de Eletrônicos Verdes do Greenpeace. A lista traz a Nokia como lÃder, seguida de perto pela Samsung, Fujitsu Siemens, Sony e Sony Ericsson. A Nokia alcançou a liderança graças à sua polÃtica de reciclagem de lixo eletrônica. Na rabeira do ranking estão fabricantes de jogos eletrônicos como Microsoft e Nintendo.
Apesar de ter anunciado uma nova linha de iPods livre de substâncias tóxicas como PVC e mercúrio, a Apple ainda está na modesta 13a. posição, porque precisa melhorar em suas polÃticas de eficiência energética e reciclagem.
Mas no geral, a lista mostra que as empresas estão se mexendo para melhorar suas práticas, produzindo aparelhos menos poluidores e adotando polÃticas de reciclagem. O negócio é manter a pressão para que as melhorias não parem por aqui.
Veja aqui a lista completa.

Com o crescimento da produção de aparelhos eletroeletrônicos e a rapidez com que estes aparelhos se tornam obsoletos, é absurdo o número de equipamentos que são substiuÃdos pelas pessoas, principalmente aquelas aficcionadas por tecnologia ou mesmo por força de suas profissões. Muitas pessoas doam ou vendem seus antigos equipamentos; mas, infelizmente, uma grande quantidade ainda vira lixo eletrônico. Jogar fora ou trocar um bem de consumo não é, decididamente, o melhor negócio para o ambiente. O descarte desenfreado desses produtos tem provocado problemas ambientais sérios, principalmente por aqueles aparelhos que contêm material de difÃcil decomposição na natureza, como o plástico, o metal e o vidro. E a situação piora muito quando os aparelhos contêm em sua composição, materiais pesados, altamente prejudiciais à saúde do homem e do ambiente, como pilhas, baterias e produtos magnetizados, que, ao serem descartados inadequadamente, liberam substâncias tóxicas que penetram no solo, contaminam os lençóis freáticos e, conseqüentemente, aos seres humanos.
Se pararmos para refletir na quantidade absurda de cerca de mais de 50 milhões de toneladas de lixo deste tipo que é descartada incorretamente, repensarÃamos nossos hábitos de consumo e , quem sabe, passarÃamos a ter atitudes mais responsáveis em relação ao uso de nossos aparelhos. Consertar equipamentos eletrônicos ou eletrodomésticos pode ser mais vantajoso economicamente, além de ser ecologicamente mais adequado. Em muitos casos, o custo do conserto de um eletroeletrônico não ultrapassa 40% do valor de um bem novo.
Se você é um consumidor consciente (se não o é, já está na hora de começar, não acha?), ao levar seus equipamentos ao conserto, analise, com atenção, o custo do serviço de reparo ou manutenção; a qualidade da assistência técnica (conserto mal feito, não é bom, certo?); e a originalidade das peças a serem substituÃdas. Ou, se você não abre mão de um novo modelo do mercado, procure doar seu eletroeletrônico a instituições sociais ou educacionais, que poderão fazer um bom uso deles por mais um bom tempo. Ou, encaminhe-os para a reciclagem, pois seus componentes podem ser reaproveitados em novos aparelhos. Assim, seu bem terá aumentada sua vida útil, e o ambiente será carinhosamente agraciado por sua atitude ecoconsciente.
Tenho observado que, quando preciso utilizar os serviços técnicos de reparo ou mantutenção de meus eletrônicos ou eletrodomésticos, preciso esperar um tempo maior do que costumava esperar antes, devido ao acúmulo de trabalho dos profissionais que oferecem estes serviços. Isto mostra duas coisas: Felizmente, ainda há pessoas que estão mais conscientes em relação a seus hábitos de consumo (ou estão mais preocupadas com seu próprio bolso). Seja lá qual for a razão, repito o que costumo dizer: lucra o ambiente e a geração futura será beneficiada por nossas ações responsáveis .
Imagem: Amanhã Terra

Destaques da nova edição do Guia de Eletrônicos Verdes, do Greenpeace:
* Palmas para a Sony, que lidera o ranking por ter eliminado praticamente 100% das substâncias tóxicas de seus produtos e por ser altamente eficiente energeticamente.
* A Apple vem melhorando significativamente nos diversos critérios que compõem o ranking - substâncias tóxicas, eficiência energética, impacto da produção da empresa no clima. Steve Jobs esperneou adoidado quando o Greenpeace colocou o dedo na ferida, com a campanha Green My Apple, mas como não é bobo nem nada, foi à luta e começou a prestar mais atenção à produção sustentável.
* O uso de energia renovável pelas empresas tem aumentado significativamente. A Nokia é lÃder no quesito: 25% da eletricidade usada pela empresa vem de fontes renováveis.
* Microsoft e Nintendo continuam na rabeira do guia, já que pouco ou nada fazem para tornar seus produtos - Xbox e Wii - mais verdes. Ainda usam muitas substâncias tóxicas, não têm programas de reciclagem e a produção dos consoles tem alto impacto no clima.
Das 18 empresas presentes no ranking, apenas duas marcaram acima dos 5 pontos - Sony e Sony Ericsson. E nenhuma delas teve um desempenho equilibrado nos três quesitos avaliados: lixo eletrônico (reciclagem), uso de substâncias tóxicas e impacto no clima (eficiência energética na fabricação dos produtos). E quem sofre mais com isso são os paÃses em desenvolvimento, principalmente os asiáticos, que recebem boa parte do lixo eletrônico (celulares, computadores e eletrodomésticos) dos paÃses ricos. Estima-se que hoje sejam produzidas 50 milhões de toneladas desse lixo - ou 5% de todo o lixo produzido pela humanidade.
Sinceramente? Essa questão do lixo eletrônico - aliás, de qualquer tipo, PET, sacolas plásticas, automóveis, etc - só será resolvida quando algum governo ou legislador tiver peito o suficiente para peitar a indústria e obrigá-la a se responsabilizar por todo e qualquer lixo que seus produtos gerarem. Quem sabe aà os caras se empenhem em investir numa produção sustentável pra valer?
A lista que o Greenpeace faz desde agosto de 2006 vai ganhar um novo critério a partir da próxima edição (que sairá em junho): o uso eficiente de energia. O ranking leva em conta as polÃticas e práticas ambientais dos principais fabricantes de eletrônicos do mundo e têm como principais critérios o uso de substâncias tóxicas e programas de reciclagem - que é uma preocupação crescente entre os consumidores. Agora vai incluir também a eficiência dos produtos no consumo de energia, o uso de energia renovável na fabricação e o compromisso das empressa na redução das emissões de gases do efeito estufa (basicamente o CO2).
Estima-se que a indústria global de tecnologia da informação e comunicação seja responsável por 2% das emissões de CO2 no planeta - um número equivalente ao da aviação mundial.
A sétima edição do Guia, lançada em março passado, trouxe a Toshiba e a Samsung na liderança, com Nokia, Lenovo, Sony e Dell na cola delas. Na lanterna está a Nintendo, que pouco ou nada faz para tornar seu Playstation Wii ambientalmente responsável. Confira o ranking no blog O Escriba.
Eu detesto pensar que o lançamento de produtos só faz produzir lixo - porque sei, também, que produz empregos. No caso de computadores, celulares, tocadores e outros gadgets que adoramos, a questão é grave e pede atenção. O que fazer com a montanha de lixo gerada pela troca de equipamentos?
O meu monitor de tubo é ineficiente (mas funciona e eu faço o bichão economizar tudo o que posso). Se eu trocar por um LCD/Plasma, pra onde vai? O Subcomandante e o efeefe estão de olho nisso e lançaram, hoje, um repositório de informação sobre e-waste, o Lixo Eletrônico.
Tudo começou com o estudo desenvolvido por Bruna Daniela da Silva, Dalton Lopes Martins e Flavia Cremonesi de Oliveira, em parceria com a ONG Waste.nl, da Holanda. A Versão 01 publicada foi publicada ontem (16/04/2008) e está disponÃvel para download.
Lá tem um mundo de informação para navegar pelo assunto - de apresentaçõesa vÃdeos e links bacanas que os dois andam coletando mundo afora. Vale a pena visitar com calma, para entender a questão dos tóxicos, de reduzir o consumo e prestar atenção em como a gente maneja a nossa vida consumidora.
[Nota mental] Itens que tenho para enviar à metareciclagem: impressora, modem DSL 3Com, um DVD player bichado, cabos, muitos cabos… Um dia eu chego lá. Por enquanto eles viram enfeites estranhos aqui no escritório.