
As manchetes de sábado. E elas têm relação, sim senhores.
E a bicharada de Santa Catarina também precisa da nossa ajuda.
Via Contraditorium:
Itajaí
O apelo da ONG Viva Bicho dá conta de que os animais não têm como pedir
Modelito da Osklen, que jura que usa tecido orgânico. Imagem: Michel Zappa (CC-BY-SA) no Flickr
Depois do post anterior sobre tecidos sustentáveis, segui navegando um pouco e encontrei algumas informações bacanas para compartilhar

A Califórnia segue dando o exemplo. A Comissão de Proteção ao Oceano do estado americano está propondo três medidas para reduzir a quantidade de lixo que acaba poluindo o mar: banir as embalagens de isopor para alimentos, cobrança de taxas para o uso de sacolas de papel e/ou plástico, e (a principal delas, a meu ver) tornar os fabricantes responsáveis pela coleta e reciclagem das embalagens de seus produtos. É isso ou ver o mar se transformar numa imensa sopa de lixo!
Segundo a Comissão, essa última exigência já funciona em 33 países no mundo, encorajando a redução de material usado, reduzindo o peso final dos produtos, permitindo o uso de materiais recicláveis e obrigando os fabricantes a redesenharem seus produtos e embalagens. Na Alemanha, após quatro anos do início do programa, o lixo produzido por embalagens foi reduzido em 14%. É pouco ainda.
As empresas são contra, claro. Dizem que é melhor incentivar a reciclagem e ameaçam com desemprego. O velho discurso da indústria, mesquinha toda vida. Reciclar é bom, mas produzir menos lixo é ainda melhor. Reciclar gasta muita energia e recursos materiais e humanos. Ninguém em sã consciência acha confortável a quantidade de papel, plástico, isopor e quetais que acompanha um brinquedo, TV ou aparelho de som recém-comprado na loja. Repara só na pilha de lixo que se forma no Natal após a abertura dos presentes. É vergonhoso!
Lixo é um dos grandes problemas mundiais do século 21.
Pra mim, toda e qualquer empresa deveria ser responsável pela coleta e correta eliminação do produto que fabricou, seja uma embalagem, celular ou carro. Haveria exceções, claro - móveis por exemplo. Medidas como essa evitariam absurdos como a exportação de lixo eletrônico para países de Ásia, causando a intoxicação de milhares de pessoas.
O rápido avanço da tecnologia tem sido de mão-única, com o desenvolvimento de produtos cada vez mais modernos e eficientes, mas o uso de substâncias tóxicas na sua fabricação e a falta de preocupação com o seu destino final - o lixo - põe tudo a perder. Sem falar na tal obsolescência planejada…
Veja o caso dos Estados Unidos: em fevereiro do ano que vem, com a adoção da TV digital por lá, estima-se que cerca de 10 milhões de aparelhos antigos sejam dispensados no país, gerando um problema monstro. Apesar disso, poucas empresas têm programas amplos de reciclagem para atender a essa demanda e evitar que esse lixo contamine pessoas e o meio ambiente - provavelmente na Índia, China ou Paquistão. Para pressionar grandes fabricantes como Sony, Samsung, LG e Toshiba, entre outras, a evitarem essa catástrofe, ONGs americanas formaram a Electronics TakeBack Coalition e deram início à campanha Take Back My TV.
Os consumidores também têm seu papel nessa história toda. Na hora da compra, dê preferência a produtos que tenham pouca embalagem e que tenham sido fabricados de forma sustentável e responsável. Se informe na loja, ligue para o fabricante pelos serviços de atendimento ao consumidor, exija seu direito de saber o que está comprando. E questione sobre programas de reciclagem, principalmente de aparelhos eletrônicos. Quanto mais pessoas encherem os SACs (serviços de atendimento ao consumidor) das empresas, mais elas se sentirão pressionadas a tomar alguma medida. De tanto levar bica nas canelas, uma hora terão que se mexer.

Imagem: Criptic Clothing Label, de Wm Jas, no Flickr, sob CC: By-SA
Coisa rara: o release entrou na caixa postal e eu deixei por lá para investigação. Já tem algum tempo que leio sobre tecidos sustentáveis, algodão orgânico e correlatos. Nada muito científico, confesso. Nos feeds encontrei um post no blog da Ecotece exatamente sobre a empresa que enviou, a Lenzig. Coincidência nenhuma, certo?
Enquanto por lá eles falam da necessidade de tecidos sustentáveis, o release (chato, inclusive, mas quase todos são) fala dos tecidos com baixo impacto ambiental. Ô Jorge, me socorre aqui e conta: como é que a gente sabe se é verdade?
Porque eu fiquei em dúvida:
Ok, o pessoal da Ecotece, que tem um trabalho reconhecido, diz que é bacana, talvez seja mesmo. Mas a minha cabecinha desconfiada vê, basicamente, benchmarking. Repare comigo no release:
As fibras celulósicas produzidas pela empresa apresentam melhores perfis ambientais quando comparados ao algodão e poliéster, proporcionando em seu processo produtivo de 1,5 a 5 vezes mais economia no uso de energia não-renovável.
Antes da gente seguir, esclareço: os produtos da fábrica são feitos para serem misturados a outros – inclusive ao poliéster que eles tanto “criticam”. O algodão “normal”, para quem não sabe, causa enormes problemas ambientais, principalmente pelo uso de pesticidas, fertilizantes e acidificação dos solos, sem falar no consumo de água.
Fui buscar uma definição para fibra celulósica. Com o “define” só voltou o glossário da American & Efird , uma tecelagem americana:
Cellulosic Fiber: A fiber made from plants - a wood pulp by-product. Cellulosic fibers include Cotton, Rayon and Tencel® or Lyocell®. These fibers have similar physical properties in that they have a relatively low tenacity, a low elongation, and good heat resistance. They are not as durable to abrasion, laundering, and chemicals as polyester or nylon fibers.
Traduzindo por cima: fibras feitas de plantas – derivados da polpa de celulose – as fibras celulósicas incluem algodão, rayon, Tencel®, Lyocell®. Estas fibras têm propriedades físicas semelhantes: baixa tenacidade, baixa elasticidade e boa resistência ao calor. Elas não são tão duráveis à abrasão, lavagens e químicos quanto as fibras de poliéster ou nylon…
Na busca sobre “sustainable textiles” fui mais feliz. Encontrei não só o querido Inhabitat falando de produtos que, daqui, parecem muuuuito mais legais que estas fibras, mas também o GreenBlue, uma organização independente fundada por um arquiteto norte-americano e um químico alemão, que tem um projeto de criar Standards para a produção sustentável nesta indústria. E os parâmetros, meus anjos, são altos:
The Sustainable Textile Standard offers an ambitious paradigm for textiles of the future. To attain the highest level of achievement described by the STS, a truly sustainable textile would meet or exceeds all industry performance and cost requirements, delight the end user through pleasing aesthetic and tactile qualities, and would meet the following enhanced quality profile:
• All materials and process inputs are safe for human and ecological health in all phases of the product life cycle
• All energy, material, and process inputs come from renewable sources
• All materials are capable of returning safely to either natural (biological nutrient) or industrial (technical nutrient) systems
• All stages in the product lifecycle actively support the reuse or recycling of these materials at the highest possible level of quality
• All persons involved with the creation of textiles are treated fairly with respect to human rights and given training to increase their mastery of this craft
Taí um texto que enche meu coração de esperança nesta humanidade. Será que sai do papel pra virar realidade? Acho bacanérrimo a gente produzir fibras tecnológicas (se possível economizando ao máximo o meio ambiente) do que quer que seja. E pessoalmente prefiro estes Padrões de produção à dominação mundial por uma única empresa. Afinal, diversidade é fundamental para um meio ambiente saudável.
este artigo pertence ao Ladybug Brasil. Se o encontrou em outro blog, por favor, entre em contato.
“Em primeiro lugar, queria agradecê-lo por ter escrito O Tao da Física. Assim que terminei de ler pensei que tinha que fazer isso e agora tenho a oportunidade. Obrigado, sr. Capra.” O deslumbramento do jovem que sentava imediatamente atrás de mim no Teatro Eva Herz, da Livraria Cultura da Paulista, era evidente e, por que não, comovente. Muitos dos que o aplaudiram provavelmente queriam fazer o mesmo e rolou uma identificação imediata. O rapaz foi aplaudido por uma gente sorridente, bonita, harmoniosa, em comunhão - entre si e com com Fritjof Capra, que deu palestra sobre seu livro A Ciência de Leonardo da Vinci (lançamento da editora Cultrix).
Eu logo me identifiquei e relaxei um pouco. Estava tenso por ter que entrevistar Capra para a revista e o site do Greenpeace e também por voltar à rua depois de tempos para exercitar como se deve o ofício de jornalista. Uma coisa influênciou na outra, mas na hora H, foi que foi. Dei até sorte, porque os outros dois jornalistas que compartilhariam comigo os escassos 30 minutos disponíveis para entrevista não apareceram. Pude gravar tranquilo minhas 7 perguntas sobre ecologia, meio ambiente, sustentabilidade, as quais ele respondeu sem rodeios e com firmeza, não deixando transparecer nenhum incômodo por falar de coisas que não eram bem a razão dele estar ali. Se bem que em termos. Capra é ecologista de longa data e Da Vinci, idem.
Ao contrário da trupe do bem que enfrentou chuva e engarrafamento para ouvi-lo falar, Capra é sisudo, circunspecto, um tanto quanto impaciente, mas sempre elegante e atencioso. Conheço bem o tipo, já tive chefe austríaco no Greenpeace. Me atendeu prontamente quando fui apresentado e respondeu com calma e prestatividade às minhas indagações feitas num inglês inseguro. Da mesma forma atendeu a uma dupla de ciclistas que, pouco antes da palestra começar, entregou a ele um favo de mel, e ouvi atentamente como fazia para degustar aquilo. “É colocar na boca e mastigar de leve como chiclete. Mas dá pra engulir, sem problema, é só cera”, explicou um deles. Tirou fotos com alguns, autografou dezenas de livros (com um simples “Para fulano”, mas enfim…) para a legião de estudantes, artistas, leitores casuais, empresários, escritores e até uma policial militar que lotaram o teatro.
Em uma hora de palestra, com uma apresentação de slides trazendo citações e desenhos de Leonardo da Vinci, o escritor de 69 anos revelou aspectos ambientalistas no artista toscano que eu sinceramente desconhecia solenemente. O próprio Capra disse ter se surpreendido ao achar a seguinte frase nos alfarrábios consultados :
As virtudes da grama, das pedras e das árvores não se encontram em seu ser porque os seres humanos as conhecem… A grama é nobre em si própria sem a ajuda de linguagens ou letras humanas.
É bom observar que as cerca de 6 mil páginas com anotações e desenhos do gênio renascentista que sobreviveram cerca de 500 anos até os dias de hoje estavam escritas em italiano da época e da direita para a esquerda, como os árabes fazem - Da Vinci era canhoto e inovou até na hora de por seus pensamentos no papel. Imagina a dificuldade para quem tem que destrinchar os textos hoje.
Enfim, o que chamou a atenção de Capra foi que Da Vinci antecipou em séculos o que se chama hoje de deep ecology: todos os seres vivos fazem parte de uma grande teia de vida, vivemos numa imensa gaia, e nenhuma espécie é mais importante do que outra. A ciência deve andar em harmonia com a natureza, não dominá-la.
Para Fritjof Capra, físico teórico e escritor que há anos promove a educação ecológica, principalmente para crianças e adolescentes, foi um achado e tanto. A investigação sobre o mestre italiano lhe mostrou que os desenhos dele eram complexos diagramas científicos, porque para estudar a natureza, era preciso desenhá-la; e para desenhá-la, era preciso estudá-la. Combinou ciência, estética e ética como ninguém, quase sempre orientada por uma filosofia ecológica lato sensu. Dá o que pensar saber que Da Vinci ficou obscuro por séculos. Que seja fonte de inspiração nesses novos tempos que se avizinham, com mudanças importantes acontecendo no mundo. Obama na Casa Branca, sustentabilidade e ecologia na ordem do dia, todo mundo pensando no que pode fazer para contribuir.
As perguntas da platéia, ao final da palestra, refletiram essa consciência coletiva de que algo precisa ser feito para mudar o estado das coisas e Capra acabou discutindo ali muito do que falou em nossa entrevista: Obama, o papel da sociedade civil na consolidação desse outro mundo possível, as chances de termos um mundo realmente sustentável. Publico aqui assim que sair a revista do Greenpeace, valeu?
Enquanto isso, curta uma das aventuras do Riuston, o valente entregador da livraria Cultura. O blog é divertido também. Descobri navegando pela internet, pra juntar essa coleção de links deste blog…

Demorou, mas a Grupo Pão de Açúcar chegou lá. Depois de vários postos de reciclagem positivos e operantes em algumas unidades do Pão de Açúcar, chegou a vez da marca Extra esverdear.
Em vez de só trazer de volta para casa, você pode levar às lojas abaixo: vidro, metal, papel, plástico e… óleo de cozinha (devidamente colocado numa garrafa PET). O material será captado em estações recicláveis, colocadas nos estacionamentos das lojas.
São 21 postos de coleta e a previsão é instalarem mais 21 até o fim deste ano. Abaixo, as lojas aqui em São Paulo:
Extra Perto João de Lucca - Av. Vereador João de Lucca, 1005 Vila Mascote - São Paulo
Extra Perto Sabará - Rua Moacir Simões da Rocha, 105, - São Paulo
Extra Itaim Bibi - Rua João Cachoeira, 899, Itaim Bibi - São Paulo
Extra Brigadeiro – Av. Brigadeiro Luis Antonio, 2013 – São Paulo
Extra Anchieta – Rua Garcia Lorca, 301 – São Paulo
Extra Penha – Av. São Miguel, 962/ 1006 – São Paulo
Extra Interlagos – Av. Sargento Geraldo Santana, 1491 – São Paulo
Extra Morumbi – Av. Marginal do Rio Pinheiros, 16741 – São Paulo
Extra Aeroporto - Av. Washington Luis, 5859 – São Paulo
Extra São Miguel – Av. São Miguel, 6818/6838
Extra Raposo Tavares – Av. Mal Fiúza de Castro – km 13,5 Raposo Tavares – São Paulo
Para encontrar uma perto de você, consulte o PDF com todos os postos.
Um fihote da rara espécie hipopótamo pigmeu (Choeropsis liberiensis), nasceu no Zoólogico de Taronga em Sidney. A espécie está sob ameaça - ble - e a notícia traz alegria também por conta disso.
Clique no Play com cuidado. As imagens da CNN padecem de excesso de fofura.

Vejam só. A gente vive na cidade junto com outros milhões de pessoas e nunca sabe tudo. Semana que vem, entre 12 e 14 de novembro acontecerá, no Pavilhão Azul do Expocenter Norte a X FIMAI - Feira de Meio Ambiente Industrial e Sustentabilidade. Na área de exposição já estão reunidos centenas de empresas e prestadores de serviço que vão mostrar às indústrias a produção limpa.
Em paralelo, acontece o SIMAI -

Eis mais um sonho de consumo para o meu chuveiro: Eco-Showerdrop. O brinquedinho, produzido e vendido na Grã-Bretanha, por algo em torno dos 25 dólares ajuda a controlar bem o volume de água que você consome durante o banho. Ao mesmo tempo ele é um timer e um medidor. Você pode configurar o tempo ou volume que está