Saramago está na área e eu perdi a oportunidade de fazer mais uma entrevista com um de meus ídolos - semana passada foi a vez do Fritjof Capra, que em breve enriquecerá um de meus posts, aguarde. Mas minha camarada Lúcia esteve na coletiva de imprensa que rolou com o escritor português e, melhor, conseguiu fazer uma pergunta que eu enviei. Simples: “O que é vida sustentável?”
Eis a resposta:
É emprego. É viver como sobrevivente. Ter consciência da precariedade dos bens, poupando, conservando, enfim assumindo a abordagem de sobreviventes. Deveríamos viver como sobreviventes, poupar, não desperdiçar, limpar terreno e ar, de modo que se possa viver.
Hoje temos a cultura do mais, em tempos de crise como este, as pessoas caem, a classe média perde sua condição. Os governos são responsáveis pelo que acontece - os ricos, os riquíssimos.
O Estado é inimigo, dizem quanto menos melhor, mas é o Estado que é chamado à responsabilidade para salvar o Citibank, a GM. E o Estado somos nós, nossos impostos.
Não há alternativa política, não há alternativa econômica. E vamos viver de remendos.
É sustentável desde que se tenha emprego.
Mais Saramago lá no Ladybug.
Em tempo: no próximo sábado (dia 29) é Dia de Nada Comprar, campanha mundial do pessoal da Adbusters que há 17 anos incentiva as pessoas a não se deixarem seduzir pelo canto da sereia do mercado. Vá à praia, ao parque, dar uma volta de bicicleta, leia um livro. Em tempos de crise financeira, até que não vai ser difícil deixar a carteira quietinha…
Se vc está pensando em fazer alguma atividade, performance ou protesto para marcar o dia, coloque na página wiki da campanha.

A Califórnia segue dando o exemplo. A Comissão de Proteção ao Oceano do estado americano está propondo três medidas para reduzir a quantidade de lixo que acaba poluindo o mar: banir as embalagens de isopor para alimentos, cobrança de taxas para o uso de sacolas de papel e/ou plástico, e (a principal delas, a meu ver) tornar os fabricantes responsáveis pela coleta e reciclagem das embalagens de seus produtos. É isso ou ver o mar se transformar numa imensa sopa de lixo!
Segundo a Comissão, essa última exigência já funciona em 33 países no mundo, encorajando a redução de material usado, reduzindo o peso final dos produtos, permitindo o uso de materiais recicláveis e obrigando os fabricantes a redesenharem seus produtos e embalagens. Na Alemanha, após quatro anos do início do programa, o lixo produzido por embalagens foi reduzido em 14%. É pouco ainda.
As empresas são contra, claro. Dizem que é melhor incentivar a reciclagem e ameaçam com desemprego. O velho discurso da indústria, mesquinha toda vida. Reciclar é bom, mas produzir menos lixo é ainda melhor. Reciclar gasta muita energia e recursos materiais e humanos. Ninguém em sã consciência acha confortável a quantidade de papel, plástico, isopor e quetais que acompanha um brinquedo, TV ou aparelho de som recém-comprado na loja. Repara só na pilha de lixo que se forma no Natal após a abertura dos presentes. É vergonhoso!
Lixo é um dos grandes problemas mundiais do século 21.
Pra mim, toda e qualquer empresa deveria ser responsável pela coleta e correta eliminação do produto que fabricou, seja uma embalagem, celular ou carro. Haveria exceções, claro - móveis por exemplo. Medidas como essa evitariam absurdos como a exportação de lixo eletrônico para países de Ásia, causando a intoxicação de milhares de pessoas.
O rápido avanço da tecnologia tem sido de mão-única, com o desenvolvimento de produtos cada vez mais modernos e eficientes, mas o uso de substâncias tóxicas na sua fabricação e a falta de preocupação com o seu destino final - o lixo - põe tudo a perder. Sem falar na tal obsolescência planejada…
Veja o caso dos Estados Unidos: em fevereiro do ano que vem, com a adoção da TV digital por lá, estima-se que cerca de 10 milhões de aparelhos antigos sejam dispensados no país, gerando um problema monstro. Apesar disso, poucas empresas têm programas amplos de reciclagem para atender a essa demanda e evitar que esse lixo contamine pessoas e o meio ambiente - provavelmente na Índia, China ou Paquistão. Para pressionar grandes fabricantes como Sony, Samsung, LG e Toshiba, entre outras, a evitarem essa catástrofe, ONGs americanas formaram a Electronics TakeBack Coalition e deram início à campanha Take Back My TV.
Os consumidores também têm seu papel nessa história toda. Na hora da compra, dê preferência a produtos que tenham pouca embalagem e que tenham sido fabricados de forma sustentável e responsável. Se informe na loja, ligue para o fabricante pelos serviços de atendimento ao consumidor, exija seu direito de saber o que está comprando. E questione sobre programas de reciclagem, principalmente de aparelhos eletrônicos. Quanto mais pessoas encherem os SACs (serviços de atendimento ao consumidor) das empresas, mais elas se sentirão pressionadas a tomar alguma medida. De tanto levar bica nas canelas, uma hora terão que se mexer.

Ecotece e o IDDS oferecem um curso que parece muito bacana. Acontece dias 24, 25 e 26 de novembro, no The Hub: O princípio do Vestir Consciente.
“Sustentabilidade sem o belo é triste, assim como o belo sem sustentabilidade é ignorante” Fletcher
O curso mostra como é possível construir o belo essencial à moda, considerando a sustentabilidade essencial à manutenção da vida, a partir de uma visão sistêmica da cadeia produtiva do vestuário, dos princípios de avaliação do ciclo de vida do produto e das reflexões sobre as conexões entre a moda, o vestir e a consciência.
O curso apresenta os conceitos do Vestir Consciente com base nos fundamentos do design sustentável, nas atualidades do mercado e nas experiências dos participantes, seguindo as diretrizes da metodologia desenvolvida pelo Instituto Ecotece em parceria com o idds – Instituto de Design para Desenvolvimento Sustentável.
A metodologia de aprendizagem aborda o conteúdo por meio de conceitos, dinâmicas interativas e exercícios práticos em todas as aulas.
Público-alvo:
Profissionais e estudantes de moda e da cadeia do vestuário, pesquisa e inovação, design, empresários e demais interessados no tema.
Investimento
Após 07/11/2008 - R$360,00
Inscrições: IDDS via The Hub.
Conheça os impactos ambientais causados pelos sacos plásticos. Da próxima vez que te oferecerem um, pense duas vezes antes de aceitar.
Que o famigerado stand-by sugava energia pacas, eu já sabia. Mas não tinha idéia do quanto até ver esse vídeo. É assustador. Uma régua de energia, daquelas que tem várias tomadas e pode ser desligada quando os aparelhos não estiverem em uso, já ajuda a conter esse desperdício.

Quer emagrecer? Em vez de dietas malucas, que tal circular pela sua cidade a pé, de bicicleta ou em transporte público? É o que defende o pessoal do Transportation Alternatives, que prova por A + B que onde o carro é menos usado, as pessoas são mais magras
Saiu o novo ranking do Guia de Eletrônicos Verdes do Greenpeace. A lista traz a Nokia como líder, seguida de perto pela Samsung, Fujitsu Siemens, Sony e Sony Ericsson. A Nokia alcançou a liderança graças à sua política de reciclagem de lixo eletrônica. Na rabeira do ranking estão fabricantes de jogos eletrônicos como Microsoft e Nintendo.
Apesar de ter anunciado uma nova linha de iPods livre de substâncias tóxicas como PVC e mercúrio, a Apple ainda está na modesta 13a. posição, porque precisa melhorar em suas políticas de eficiência energética e reciclagem.
Mas no geral, a lista mostra que as empresas estão se mexendo para melhorar suas práticas, produzindo aparelhos menos poluidores e adotando políticas de reciclagem. O negócio é manter a pressão para que as melhorias não parem por aqui.
Veja aqui a lista completa.

Acabei de subir a publicação Indicadores de Desenvolvimento Sustentável - Brasil 2008, do IBGE, para a Biblioteca do Escriba. São cerca de 400 páginas de informação
Freecycle não é para dar aos pobres ou necessitados.
Não é ganhar tantas coisas grátis quanto você possa
Não é ganhar coisas para fazer lucro depois
Não é para nos livrarmos de entulho

O site Fuelly permite você comparar o consumo do seu carro com o de outras pessoas com o mesmo carro ou de carros diferentes. Você pode monitorar o custo do combustível, o quanto o carro está consumindo ao longo do tempo e participar de discussões na comunidade. Tudo para você poder economizar no consumo do seu carro.
