Posts com a tag ‘animais de estimação’
De bico fechado*
06.06.08 - 23:10 | Categorias: Animais, Dicas, Imprensa

Nem o mamão fresquinho que você oferece diariamente, nem a vista privilegiada do quintal: seu canário preferido, aquele que você trata como um integrante da família, simplesmente parou de cantar. Da noite pro dia, fechou o bico.

Para entender porque o passarinho não canta, é bom saber, antes, porque ele cantava.Os pássaros cantam para defender seu território e chamar a atenção da fêmea. É ela quem vai escolher o melhor cantor”, ensina Johan Dalgas Frisch, um dos maiores especialistas em aves do Brasil. Depois que os ovos chocam, as aves cantam para ensinar sua melodia aos filhotes, uma música tão única que não existem dois pássaros com a mesma melodia.

Canários trocam as penas na passagem do outono para o inverno. Nessa época, é comum que eles fiquem quietos, afinal, a temporada de namoro só começa na primavera, quando ele deve estar de roupa nova e voz afinada. Mas pode ser que ele já esteja de plumas novas e ainda não queira dar nenhum pio.

Espelho, espelho meu
Pode ser que seu canário se sinta solitário entre tantos seres humanos. Prenda um espelho dentro da gaiola. Ele vai achar que tem outro macho no pedaço e vai cantar para afastá-lo. Fique de olho para que ele não leve a coisa a sério demais: se perceber que seu canário está inquieto com orival”, tente outra solução.

Som na caixa
Coloque outrocantor” por perto. Pode ser um pássaro ou mesmo um CD com a gravação do canto dos canários. Ouvir um concorrente cantando vai estimulá-lo.Se não der certo, ponha uma canária numa gaiola meio longe”, sugere Frisch. Seu canário vai cantar para trazer amoça” pra perto.

Voz de tenor
Alguns descuidos podem acabar com a cantoria. Deixe a gaiola tomar sol, mantenha-a em um local sem correntes de vento e cubra-a quando fizer frio. Dê couve, alpiste, banana, mamão, maçã e, às vezes, ovo cozido (para que ele ganhe proteínas e fortaleça os músculos do canto).

Água que passarinho não bebe
Fique de olho na água que seu canário usa para beber e tomar banho: ela pode estar contaminada por fezes. Tenha dois bebedouros e lave o que não está em uso a cada dois dias - deixe-o de molho em uma colher de sopa de cândida diluída em um litro de água. Faça o mesmo com a vasilha de banho.

*Versão sem cortes de reportagem publicada esta semana na revista AnaMaria.

Vitória! Vamos adotar a bicharada
16.05.08 - 23:27 | Categorias: Animais, Dicas

Charlote

Em abril eu ganhei o melhor presente de aniversário EVER. O Serra assinou a lei 12.916 (do deputado Feliciano Filho, do PV) que proíbe a eutanásia de animais saudáveis em todo o Estado de S. Paulo… YEAH!
A Charlote (capturada nas lentes da Tammy, no dia do meu aniversário) foi “roubada” deste destino, ainda em 1999 quando os bichinhos ainda morriam explodidos na câmara de vácuo que o CCZ utilizava antes da eutanásia humanitária.

Neste final de semana, quem quiser adotar um bichinho tem mais uma oportunidade (na verdade, tem todo dia, lá no CCZ): O Pet Center (Marginal do Tietê, 1745, Pari, S. Paulo) promove feira de adoção no domingo, dia 18, das 14 às 20h.
Esta joaninha, adotante de quatro felinos (três tirados das garras mortíferas do poder público, com todo orgulho do mundo) advoga algumas coisas em relação aos animais domésticos. Aprendi com o pessoal da Proteção Animal, então leia com carinho:

  • antes de adotar, pense. Bicho dura MUITO. Coisa de décadas (gatos chegam a duas, fácil)
  • bicho pede mais que ração e água. Veterinário, vermífugo, passeios, atenção e carinho são bem-vindos. Nada de colocar na corrente, bater, etc. Maus tratos com animais dão cadeia. (tá, é difícil, mas eu sei direitinho com quem conversar então te cuida malandro).
  • meninos, não sejam bobos: castrem seus bichos. Animais castrados (principalmente jovens) são mais saudáveis, não marcam território (casa com cheiro de xixi é horrível), não têm filhotes, não fogem. Mais: as fêmeas não sofrerão de piometra (câncer no aparelho reprodutivo) e os machos não terão câncer de próstata.
  • Só Sampa tem mais de um milhão de animais na rua, sofrendo, nas estimativas do povo da proteção.
    O homem é capaz de atrocidades que só quem vê de perto acredita. Quem duvidar, faça uma visita à UIPA ou ao abrigo do Quintal de S. Francisco.
  • registre o seu bichinho. Registro Geral Animal (RGA) pode ser fornecido por veterinários, petshops, etc. Ter controle dos bichos é fundamental para evitar doenças. Sim, eles podem ser vetores de doenças.

Os animais importam. Comprometa-se com eles - a vida fica melhor, a alegria aumenta, o afeto é eterno. Seja humano: cuide dos bichos.

Sofá anti-gato
03.10.07 - 18:31 | Categorias: Animais, Arquitetura

Tenho 20 anos de convívio com felinos – marca só superada pelo fato de eu ter conseguido sobreviver quase sem arranhões a uma estada de três anos em uma casa com 34 gatos. Depois de perder três sofás, oito cortinas, um tapete e várias contas de celular e cartão de crédito, descobri alguns segredos para ter gatos, roupas pretas e uma sala bonita. Tudo ao mesmo tempo, claro.

O primeiro sofá que tive era de brim, material que enchia de pêlos só de os gatos respirarem nas imediações. Em poucos dias, eles desfiaram o tecido e transformaram o encosto numa instalação modernista, com fios pendurados e espumas sobressalentes. Chamei um restaurador. Assim que abri a porta, o homem olhou do sofá para mim, de mim para os gatos, balançou a cabeça negativamente e foi embora sem falar uma palavra. Então, saí em busca de um sofá de couro, na certeza de que o material seria resistente a unhadas. Doce ilusão. A bicharada reduziu uma das almofadas a uma pasta de couro quebradiço.

Resolvi não me entregar sem luta. Afinal, não é porque peguei quatro delinqüentes das ruas que sou obrigada a assistir TV em pé. Adquiri um sofá de vime – a segunda coisa mais estúpida que um dono de gatos pode comprar, perdendo somente para o granulado higiênico de sílica “que não deixa nenhum odor!” e custa R$ 40 um pacote com 1,8kg. Para dificultar os ataques da gangue de bigodes longos, entupi de resina os furinhos da palha. Ficou lisinho e definitivamente à prova de gatos – ao menos até que eles descobrissem como entrar por BAIXO do sofá e o destruíssem de dentro para fora. Um dia, fui sentar e senti que o assento não estava mais macio e acolhedor. Foi quando descobri que estava sentada no chão, tendo entre mim e o piso uma fina camada do que outrora foi uma almofada cheia de espuma.

Com isso, a guerra ficou declarada e passei a me concentrar em estratégias militares. Estudei a curvatura das unhas, a textura dos pêlos, testei diversos materiais e formatos. Quase revesti o sofá com uma lâmina de kriptonita, mas desisti quando soube que o frete é os olhos da cara. Quando já estava desistindo, descobri numa loja de velharias um grande banco de madeira de demolição: era lindo, resistente e custava uma mixaria. Chamei um tapeceiro e apontei com orgulho para uma amostra de chenille creme, ultra chique.

O estofado ficou pronto um mês depois e é preso ao banco por tiras de tecido. Sentei para estreá-lo. Perfeito. O Grafite deu aquela espreguiçada e saiu da toca para inspecionar o inimigo, mas não conseguiu encostar um fio no sofá: eu tinha mandado fazer uma capa impermeável de couro com elástico. Agora, quando saio de casa, abaixo as almofadas do encosto e fecho a capa. Os gatos bem que tentaram, mas não conseguiram fazer mais que alguns furinhos na capa. O chenille creme saiu de moda, mas o sofá continua tão novo quanto no dia em que chegou. Os gatos me olham com despeito.

montagem com três fotos do sofá anti-gatos
Atendendo a pedidos, aqui vão três closes do sofá: à esq., Oto fareja uns biscoitinhos em cima do sofá fechado (a branquela no chão é a Lua), à dir., detalhe do elástico da capa e das tirinhas que prendem a almofada ao encosto de madeira, na foto maior, Grafite pula do sofá meio aberto, meio fechado (ele sabe que não pode subir quando tiro a capa).

Jurada de Morte
02.10.07 - 21:35 | Categorias: Animais

– Não precisa ter medo, viu? Ele vai cuidar bem de você. Toma, a água está aqui. Trouxe Delícias da Granja, olha que gostoso, tem carne, peru, miúdos de frango… E veja só: seu rato preferido! Aqui tem mais espaço, dá uma olhada, um sofá, dois, três sofás inteirinhos para você destruir! Que maravilha, hein? Ah, e não tem nenhum gato com instintos assassinos no pedaço, olha que coisa boa?

Há três meses, Quelé foi jurada de morte pela famiglia. Não sei o que ela andou aprontando, mas os ânimos andavam tão exaltados que bastava cair um prego no chão para os gatos pularem estatelados nas quatro patas, o pêlo eriçado e o rabo igual a um espanador. Quando ela ia até o prato de comida, era abordada por um sujeito alto, forte, de bigodes castanhos e cara de poucos amigos. Se resolvia dar uma espreguiçada no sol, tinha de sair na unha com uma branquela de 5 kg. Isso sem falar nos tufos de pêlos espalhados pela casa, resultado dos embates mais sangrentos. Depois de passar oito horas apartando brigas a cada vinte minutos, resolvi buscar asilo para minha gatinha preta.

Foi uma decisão difícil. No começo, borrifava água nos briguentos e deixava o agressor de castigo na área de serviço, mas bastava abrir a porta para um falar coisas indecorosas a respeito da mãe do outro. Tentei florais e homeopatia, mas os gatos se mostraram céticos quanto a tratamentos alternativos. Apelei para a boa e velha psicologia: quando eles estavam juntos sem brigar, fazia carinho e dava biscoitos por bom comportamento. Como eles nunca tivessem lido sobre Pavlov, nem isso adiantou: assim que eu virava as costas, Grafite e Quelé se atracavam.

Ontem, consegui finalmente levar a Quelé para um lugar acolhedor. Coloquei-a numa caixa de transporte, levei a cestinha com seu cheirinho, suas próprias tigelas de água e comida, seu rato com catnip preferido. Achei que ela ficaria assustada e fosse se refugiar no primeiro buraco que encontrasse. Em quinze minutos, ela já tinha rastreado todo o terreno, esfregado o nariz em cantos e quinas e xeretado embaixo da cama. Depois da inspeção, sumiu por uma meia hora e voltou com os bigodes cheios de teias de aranha. Deu um pulo gracioso no sofá, lambeu o rabo e tirou uma soneca.

Fiquei olhando que nem mãe de primeira viagem, quando leva o filho na escolinha e o moleque entra saltitando, feliz da vida. Custava ela ter ficado só um pouquinho triste?

foto da Quelé, com seus grandes olhos amarelos
Quelé, enquanto ainda não era uma gata perseguida pela máfia

Catalão é uma língua difícil, mas basco é de outro mundo! Onde coloquei os acentos para escrever durante a viagem?