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Mantenha a floresta em pé!
07.08.08 - 12:08 | Categorias: Campanhas, ONGs, Preservação, Sites

O vídeo ForestLove, do Greenpeace, viralizou e já rompeu a barreira dos 200 mil espectadores. Já já se tornará o mais popular do grupo ambientalista na internet, posto hoje ocupado pelo vídeo com a música do New Radical. Segundo o Viral Video Chart, continua na crista da onda após 10 dias de veiculação e está no top 20 da internet há uma semana!

Para não perder o foco, é bom lembrar: o vídeo faz parte da campanha para exigir da Europa um compromisso mais efetivo contra a importação de madeira ilegal de florestas tropicais como a Amazônia. A Comissão Européia vai discutir uma nova legislação nesse sentido agora em setembro - e vc pode ajudar a pressionar os caras, clique aqui e saiba como.

Contra o caos, inteligência verde
01.08.08 - 23:58 | Categorias: Energia, ONGs, Transporte

Rex Weyler já publicou dois novos textos lá na página do Greenpeace da série sobre as origens do ativismo, ambientalismo e da própria instituição Greenpeace - junho e julho.
Estamos no limiar de grandes mudanças de paradigmas de desenvolvimento e sociais, e é bom estarmos preparados. Melhor nos mexermos agora, priorizando a sustentabilidade, o consumo responsável e o respeito ao meio ambiente, ou vai ser aquele barata-voa no meio do caos.
O primeiro texto, O Fim do Preço (aqui a íntegra, em inglês), começa assim, numa tradução livre minha:

Nos anos 80, pescadores capturaram a última beluga no Mar de Azov, fonte do valioso caviar, e o peixe selvagem do Mar Cáspio fracassou em se reproduzir. A captura desse tipo de peixe despencou em 95% e o custo do caviar disparou. Tal crescimento extraordinário no preço é conhecido como ‘hiperinflação’, ou como o economista Eric Sprott diz, “a síndrome do caviar”.
Isso pode soar trivial, mas a hiperinflação se torna crítica quando se trata de commodities como óleo, gás, cobre, zinco, água ou madeira, todas elas cada vez mais raras em escala global. A civilização industrial já prospectou o melhor e mais acessível desses recursos. Belugas podem se recuperar se deixarmos elas em paz, mas cobre e óleo não se reproduzem.
Conforme a humanidade vasculha as regiões mais inóspitas do planeta por recursos, entramos em um novo período histório em que algumas commodities vitais não mais terão seu tradicional preço de mercado ligado à demanda, mas sim ao custo do acesso a elas.

Vale ressaltar um outro trecho do primeiro texto:

Os custos ambientais e sociais de se fazer negócios nunca aparecem nos orçamentos operacionais de empresas bilionárias. Dinheiro público e lagos tóxicos não aparecem nos balanços financeiros. Por que? Porque não seria rentável. Investimentos do setor público e da natureza não ganham opções de ações, apesar dos magos do mercado livre precisem desses investimentos para evitar o choque contra a parede. A estratégia do mercado livre para evitar o muro é: socializar os custos, privatizar os lucros.

E para garantir os recursos necessários para a vida perdulária que vivemos hoje, os países estão dispostos a partir pra porrada. Ou, segundo as palavras de Zhng Wenmu, pesquisador do Instituto de Relações Internacionais Contemporâneas da China, citado por Weyler, “uma grande potência é aquela que controla mais recursos e nunca houve um caso na história onde isso é obtido por meio da paz.”
E conclui:

Vemos agora que nossas economias galopantes dependem de dívidas enormes, guerra, abuso, desperdício. Os rios morrem, espécies são extintas, florestas desaparecem, desertos crescem e pessoas sofrem. Esse estado das coisas sinaliza uma disfunção social em escala global. O mundo industria revela um comportamento sociopata e ‘ecopata’. Cidadãos inocentes às vezes parecem traumatizados, mesmo quando fazem o seu melhor para permanecerem otimistas e aplicam soluções criativas.
Daly, Henderson, Ayers, Mark Anielski, Nicholas Stern e muitos outros economistas descreveram teorias econômicas mais acuradas que reconhece o valor natural e a autêntica qualidade de vida. O que a sociedade tem que aprender é:
A ecologia é a economia.
Tudo que usamos, toda inovação tecnológica, todo empreendimento humano ou simples prazer depende do planeta. Economistas ignoram a ecologia, para o nosso perigo. O fim do preço convencional coloca a ecologia e a natureza em perspectiva apropriada: não tem preço.

No texto mais recente, Pico do Petróleo Muda Tudo (aqui a íntegra, em inglês), Rex discorre sobre as mudanças que teremos na moderna sociedade de consumo devido aos custos cada vez mais altos dos recursos naturais e energéticos (petróleo, por exemplo) necessários para prover economias em desenvolvimento como Brasil, China e Índia.

Ou nas palavras dele:
Pico do óleo não é uma teoria, mas uma simples observação de uma ocorrência comum natural. Pico do óleo é apenas um sintoma de um crescimento populacional exponencial, com demandas exponencialmente crescentes, alcançando os limites mundiais de todos os recursos.
“O pico do óleo tem sido uma realidade há tempos para a indústria do petróleo”, afirma Anita M. Burke, ex-consultora da Shell sobre Mudanças Climáticas e Sustentabilidade. Em 2007, Dr. James Schlesinger, ex-secretário americano de Defesa e Energia, afirmou: “Se você conversa com os líderes da indústria, eles admitem… estamos enfrentando um declínio dos combustíveis líquidos. A batalha terminou.”

E o que vem por aí?
A era pós-pico do óleo vai requerer novos padrões de desenvolvimento humano e estratégias que se alinhem aos limites do crescimento. A humanidade não tem novos continentes para explorar ou planetas para ocupar. Nações industriais podem perfurar o Ártico e cavar em areias sujas de alcatrão, mas nada disso vai aumentar ou mesmo equiparar a abundância passada de combustível líquido barato que já consumimos. No entanto, o atual momento em que a produção de óleo chega a um teto é menos relevante do que nossa preparação para o impacto…
… Nossas economias foram construídas com óleo barato. Desenvolvimento mal planejado deixou para trás florestas arrasadas, lagos tóxicos, erosão do solo, espécies perdidas para sempre, ar poluído, rios mortos, aquíferos contaminados e desertos em expansão.

A solução? Algumas dicas:
Relocalizar: Pensar globalmente, consumir localmente. Se vai estudar finanças internacionais, talvez seja interessante fazer alguns cursos de permacultura também.
Preservar fazendas: Cidades dependem da produção de alimentos e por isso é uma boa idéia ter fazendas por perto. Canberra, capital australiana é assim: fazendas ficam entre os bairros! Alguns parques também.
Mudança no padrão da comunidade: Toda distribuição da atividade pública, espaço público e áreas residênciais devem ser adaptadas para o uso de menos combustível e consumo de recursos.
Espaços urbanos verdes e produtivos: Mais áreas verdes, mais transporte público, mais ciclovias.
Viva o transporte público: Automóvel só para o essencial. Mesmo. Para muitas coisas, é melhor andar, ir de bicicleta, pegar um ônibus ou trem. Cidades inteligentes têm que ser planejadas para evitar ao máximo o deslocamento motorizado.
100% de reciclagem: A natureza recicla tudo. Nós também podemos. É possível viver num mundo sem lixo. Experiências nesse sentido já podem ser vistas no Japão e na Escócia, por exemplo.

Troque seu tapete usado por um novo.

O site da eco Nomad 3M está promovendo uma campanha muito interessante para a empresa, para crianças, para o consumidor e principalmente para o meio ambiente.

O instituto 3M de Inovação Social e a APAE, Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais se uniram para promover a responsabilidade socioambiental, por meio da reciclagem dos tapetes usados. É isso mesmo: quem for comprar um tapete novo da marca 3M Nomad, ao levar o seu tapete usado recebe descontos a partir de R$ 24,00 o m². O valor adquirido com a reciclagem dos tapetes é revertido em jogos educativos para as crianças com necessidades especiais, da APAE.

Os tapetes Nomad são feitos de PVC e 100% recicláveis. Vale a pena participar e ajudar , não apenas as crianças com necessidades especiais, mas também ao meio ambiente. A campanha começou no dia 1º de julho e vai até o dia 31 de dezembro deste ano.

Imagem: daqui

Chocolate sem culpa

Não sou fã dos chocolates da Hershey’s mas a empresa marcou um golaço esta semana ao se comprometer com o Greenpeace a não usar matéria-prima transgênica na fabricação de seus produtos. A empresa vinha sendo pressionada pelo Greenpeace desde a Semana do Consumidor, em março, a informar sobre a procedência dos ingredientes que usava. Como comprava óleo de soja e gordura vegetal da Cargill, era grande a chance de seus chocolates serem produzidos com transgênicos. E com isso os chocolates da empresa deveriam ter em suas embalagens o símbolo do T num triângulo amarelo, conforme manda a lei de rotulagem - que por sinal está ameaçada por pressão da bancada ruralista e dos defensores dos transgênicos, como a senadora Kátia Flávia (oops, Abreu), do DEM/TO.

Mas enfim… o caso é que a Hershey’s correu atrás do prejuízo, substituindo a Cargill pela Brejeiro e a Imcopa, que não trabalham com soja transgênica. Assim, passa a respeitar seus consumidores, o meio ambiente e, de quebra, ainda entra para a lista verde do Guia do Consumidor do Greenpeace. Tenha o seu sempre a mão para exercer o consumo consciente e ambientalmente responsável.

E vc, Garoto? Vai ficar de bobeira?

Desmatamento zera nossos esforços
07.07.08 - 11:42 | Categorias: Imprensa, Meio Ambiente, ONGs, Preservação, Sustentabilidade

Alguém pode me explicar porquê diabos um país assina tratados, a gente faz um esforço danado para reduzir, reusar, reciclar - enquanto não há nenhum avanço para preservar a pouca mata que nos resta? A gente perde dinheiro, seres humanos do além!

O nome do homem que conta tudo é Hugo Penteado, autor de ecoeconomia, que já está na alça de mira da dona Joaninha. Enquanto eu não chego, o portal do Instituto Ethos fez uma entrevista com ele (a Marília Gabriela também, mas quem acha alguma coisa naquele site da GNT???)

Vai um trechinho aqui, só pra vocês irem lá ler tudo, ok?

Eu não sou ecologista, eu continuo sendo economista. Mas o primeiro aspecto é que não dá para separar as duas coisas. Eu acho que isso é um grande mito. O ser humano acha que ele é capaz de produzir alguma coisa. Infelizmente, a má notícia que eu tenho para dar é que o ser humano não produz nada. O ser humano não produz nem matéria, não produz energia. Ele é um mero transformador dos recursos. E isso significa que tudo que está em nossa volta, sem exceção, veio da natureza, inclusive o sistema econômico. Então não dá para escapar disso. As duas coisas estão extremamente interligadas e interdependentes. E a outra má notícia é que o sistema econômico não é a ponta forte. É a ponta fraca porque o meio ambiente oferece serviços que nós não somos capazes de produzir e que estão sendo abalados por causa da nossa atuação precária e descuidada em relação ao ecossistema.

Prometo que escreverei mais sobre ecologia e economia. Já já, neste mesmo eco-canal.

Para quem entende inglês, vale a leitura do estudo da London Economics School… em pdf.

Sony lidera Guia de Eletrônicos Verdes
25.06.08 - 17:07 | Categorias: Empresas, Meio Ambiente, ONGs, Reciclagem, Sustentabilidade

Destaques da nova edição do Guia de Eletrônicos Verdes, do Greenpeace:

* Palmas para a Sony, que lidera o ranking por ter eliminado praticamente 100% das substâncias tóxicas de seus produtos e por ser altamente eficiente energeticamente.

* A Apple vem melhorando significativamente nos diversos critérios que compõem o ranking - substâncias tóxicas, eficiência energética, impacto da produção da empresa no clima. Steve Jobs esperneou adoidado quando o Greenpeace colocou o dedo na ferida, com a campanha Green My Apple, mas como não é bobo nem nada, foi à luta e começou a prestar mais atenção à produção sustentável.

* O uso de energia renovável pelas empresas tem aumentado significativamente. A Nokia é líder no quesito: 25% da eletricidade usada pela empresa vem de fontes renováveis.

* Microsoft e Nintendo continuam na rabeira do guia, já que pouco ou nada fazem para tornar seus produtos - Xbox e Wii - mais verdes. Ainda usam muitas substâncias tóxicas, não têm programas de reciclagem e a produção dos consoles tem alto impacto no clima.

Das 18 empresas presentes no ranking, apenas duas marcaram acima dos 5 pontos - Sony e Sony Ericsson. E nenhuma delas teve um desempenho equilibrado nos três quesitos avaliados: lixo eletrônico (reciclagem), uso de substâncias tóxicas e impacto no clima (eficiência energética na fabricação dos produtos). E quem sofre mais com isso são os países em desenvolvimento, principalmente os asiáticos, que recebem boa parte do lixo eletrônico (celulares, computadores e eletrodomésticos) dos países ricos. Estima-se que hoje sejam produzidas 50 milhões de toneladas desse lixo - ou 5% de todo o lixo produzido pela humanidade.

Sinceramente? Essa questão do lixo eletrônico - aliás, de qualquer tipo, PET, sacolas plásticas, automóveis, etc - só será resolvida quando algum governo ou legislador tiver peito o suficiente para peitar a indústria e obrigá-la a se responsabilizar por todo e qualquer lixo que seus produtos gerarem. Quem sabe aí os caras se empenhem em investir numa produção sustentável pra valer?

Pensar global, agir local
19.06.08 - 23:25 | Categorias: Alimentação, Blogs, Meio Ambiente, ONGs, Preservação

imagem.JPGVolta e meia alguém vem com o papo de que o Greenpeace defende os interesses dos países ricos, europeus principalmente, e por isso fica enchendo o saco no Brasil para impedir que o país se desenvolva. O argumento é tosco per se e fácil de rebater. É só mostrar que o grupo atua em 41 países, vários dos quais ricos - EUA, Holanda, Alemanha, Inglaterra, Japão, etc. O cansativo é ficar catando links das páginas do Greenpeace desses países com as ações contra crimes ambientais que rolam por lá, pra mostrar que o grupo enche o saco aqui, ali, acolá, em todo lugar, pelo meio ambiente.

Pois eis que surge um site que reuniu tudo num espaço só, Greenpeace Online, criação do blogueiro Pepijn Koster. Toda notícia atualizada na página do Greenpeace EUA, Suécia, França, Canadá, México, Argentina e outros aparece nela também, graças ao tal do RSS. O Brasil ainda tá de fora, por problemas técnicos, mas já já será incluído.

Koster é editor da página My Favourite Places, dedicada a notícias sobre o mar, biodiversidade marinha, conservação e uso sustentável dos recursos do mar. É de lá essa imagem abaixo, sobre o total de reservas marinhas existentes hoje no mundo. Pouco, né?

Por falar em proteção dos mares, o Greenpeace lançou recentemente uma lista vermelha das espécies marinhas que sofrem com a pesca predatória e cujas populações podem entrar em colapso muito em breve. A idéia é conscientizar as pessoas para que não comprem esses peixes, crustáceos e afins.
Na lista estão o atum, o salmão do Atlântico, o bacalhau do Atlântico, tubarões (como bem lembrou minha colega de blogagem Lucia Malla), o peixe-espada, o marlin e o camarão tropical, entre outros. No Brasil, estão os estoques pesqueiros de corvina, badejo, sardinha e tainha são alguns que beiram o colapso.

Portanto, quando for à peixaria, supermercado ou restaurante, tente não comprar essas espécies. Se informe sobre os problemas que elas enfrentam, converse com seus amigos e familiares sobre o problema e seja consciente nas escolhas. Em vez de pastinha de atum, porque não de azeitona? O temaki não precisa necessariamente ser de salmão e o bacalhau da Páscoa pode ter sua história milenar religiosa, mas do jeito que a coisa tá, vai virar lenda rapidinho…

Adesivos WWF - contra o desperdício de energia
10.06.08 - 22:28 | Categorias: Campanhas, Energia, ONGs

WWF Campanha desligar energia - WWF Switch

Fantástica idéia para a campanha da WWF. Criação da campanha WWF Switch (quando sair do quarto por favor desligue) ficou por conta da Ogilvy da África do Sul. Já estou pensando em fazer esses adesivos em casa e espalhar em tudo que é lugar. Quem topa?

Detalhes da peça:
Advertising Agency: Ogilvy, Cape Town, South Africa
Diretores: Chris Gotz, Gordon Ray
Diretor de arte: Prabashan G Pather
Redação: Wendy Moorcroft
Fotografia: Justin Patrick
Publicado: Fevereiro 2008
WWF Campanha desligar energia - WWF Switch

Estilo de vida
27.05.08 - 23:40 | Categorias: Alimentação, Meio Ambiente, ONGs, Sustentabilidade

Está no ar mais um artigo de Rex Weyler, escritor, jornalista e ecologista, sobre a história do ambientalismo e, por tabela, do Greenpeace. No texto deste mês, Weyler discute o consumo consciente e a importância de termos a noção de que o planeta é finito, seus recursos idem, mas a voracidade humana não. Ou mudamos isso ou vamos todos pro buraco - ricos, pobres, ecologistas, desenvolvimentistas, políticos, cidadãos e quem mais por aqui estiver.

Ele lembra os estudos feitos pelo economista britânico Thomas Malthus sobre a sinuca de bico que enfrentamos por conta do crescimento populacional desmedido. Temos cada vez mais gente no planeta, que consome e desperdiça de montão e só pensa em ter mais e mais. A atual crise dos alimentos é apenas a ponta do iceberg desse imenso problema. Mais pela tacanhice de governos e empresas que apostam num modelo falido de agricultura industrial do que pela falta de soluções. E isso vale para toda a cadeia de produção existente. Ela não é sustentável, reciclável, justa, equitativa, bem distribuída e geradora de riqueza, pelo contrário.

Na segunda-feira, em Bruxelas, o Greenpeace fez um protesto pra lá de divertido contra o lobby da indústria automobilística que prefere colocar o clima em xeque a perder alguns caraminguás de lucro. Desfilando pelas ruas da cidade belga com um carro similar ao da família Flintstones, os ativistas criticaram as empresas de carros que sabotam há anos a adoção de leis na Europa que reduzam as emissões de carbono de seus veículos. Para essas empresas, a tecnologia (etanol, carros híbridos, etc) vai nos salvar - como os transgênicos acabariam com a fome e os computadores reduziriam o consumo de papel e salvariam as florestas. Nada disso aconteceu, mas a mesma mentira continua sendo vendida como panacéia a todos os males ambientais. Até quando?

Do jeito que levamos a vida atualmente, a questão não é se vamos desaparecer, mas quando. Temos tempo para mudar isso? Talvez. Se não dermos o primeiro passo, sempre o mais difícil, não rola mesmo. Já deu o seu?
Pra facilitar, traduzi 12 idéias apresentadas por Weyler em seu artigo, compiladas por ele em textos de pensadores ecológicos como Arne Naess, filósofo e montanhista norueguês; Paul Shepard, ambientalista americano; Rachel Carson, ambientalista, escritora e cientista americana; e Bob Hunter, jornalista canadense, um dos fundadores do Greenpeace; entre outros.

São os fundamentos da ecologia profunda, em que nós, seres humanos, não somos nem melhores nem piores do que tudo o mais que existe no planeta. Só a convivência harmoniosa entre seres vivos e meio ambiente garantirá nossa sobrevivência. Vamos às idéias:

1 - A importância do valor intrínseco do selvagem, natureza, diversidade, simbiose e complexidade, independentemente dos desejos humanos ou sua existência.
2 - Tudo na natureza existe em sistemas interligados. Nenhuma espécie opera independentemente. A unidade de sobrevivência da evolução é “espécies-em-um-ambiente”, co-existindo com todos os outros sistemas de vida.
3 - O senso humano de ’ser’ expandiu-se para incluir esses sistemas vivos. A popular noção de economia em que as pessoas agem como perseguidores privados de felicidade permanece como um conceito trágico, destinado ao fracasso.
4 - Biocracia: expandindo a idéia de ‘direitos’ para todas as coisas, mas mais importante para o sistema ecológico em si, e portanto limitando a interferência humana na natureza.
5 - A natureza não é um ‘recurso’: Os elementos da natureza que chamamos de ‘recursos’ também fornecem recursos para tudo o mais que vive no planeta e têm valor em si mesmos. Um rio é uma parte viva de um sistema, não apenas um ‘recurso’ para servir a propósitos humanos.
6 - Desenho ecológico: nossas ferramentas devem imitar e trabalhar com os hábitos, leis e desenhos da natureza. Têm que ser 100% recicláveis, usar o mínimo de energia possível, integrar sistemas vivos, ter baixo impacto e assim por diante.
7 - A destruição da ecologia de suporte traumatizou a humanidade e levou os pobres a mais pobreza e desolação e os ricos à ansiedade, vício e violência. É preciso tempo para curtir a montanha, o litoral, a floresta, como parte de um período de auto-medicação. Toda perda de lugares selvagens reduz o bem-estar humano.
8 - Justiça social, igualdade de gênero e paz internacional: guerra, sexismo, racismo e injustiça não apenas causam sofrimento direto mas também contribuem para catástrofes ecológicas.
9 - Diminuir a população humana: a civilização humana que entende a natureza limitará sua interferência no planeta reduzindo seu tamanho. Um passo positivo para tal é reduzir, nos próximos dois séculos, talvez, a população humana para cerca de 1 bilhão de pessoas - mais ou menos o equivalente à população mundial no século 19. Os direitos das mulheres à contracepção poderia contribuir para atingirmos esse objetivo. A discussão sobre a população mundial envoca direitos humanos, direitos culturais, racismo e imigração. Quem tem o direito de dizer a outros humanos para que não se reproduzam? A resposta é que o planeta Terra tem o direito e o exercerá se nós não o fizermos. Uma população humana excessiva reduz a qualidade de vida e de tudo o mais.
10 - Simplicidade: aprender a melhorar a qualidade de vida das maneiras mais simples e com menor interferência na natureza. Isso requer uma mudança de expectativas, a redescoberta do prazer da simplicidade e um ambiente de apoio - os prazeres da natureza, paz, comunidade, família e criatividade. Menos coisas, mais paz de espírito.
11 - Ação: não resolveremos nosso dilema com filosofia e slogans apenas. A nova sociedade humana ambiental requer ação em todos os níveis. Primeiramente, precisamos proteger a vida selvagem e relocalizar a sobrevivência humana.
12 - Desde o advento dos impérios, agricultura e vida urbana, a humanidade tem procurado pelo paraíso em vários lugares errados - em riqueza, poder, dinheiro e reinos invisíveis além do tempo e do espaço. Nós humanos parecemos ter um senso inato de mistério, mas fracassamos em idolatrar o que nos sustenta, que é o planeta.

(Para ler o texto de Rex Weyler na íntegra, clique aqui)

A natureza tem valor, leis e limites. Não adianta apenas colar uma etiqueta ‘verde’ em nossas ações e mantê-las iguais ao que eram antes. Há quem diga que isso tudo é pregar o fim de confortos duramente conquistados pela humanidade. Balela. Ir à padaria de carro não é questão de conforto, mas de preguiça. Ter zilhões de eletrodomésticos em casa para fazer a mesma coisa não é prático, é ostentação oca. Se empanturrar de carne e depois tomar um monte de remédio pra curar doenças esquisitas é tão estúpido quanto viver reclamando do trânsito de São Paulo e nunca pegar um ônibus ou trem, alegando que não são transportes de qualidade.

Vai, somos mais inteligentes do que isso… Ou continuaremos a ser apenas macacos?

Greenpeace WeAther: delícia de jogo
26.05.08 - 18:29 | Categorias: Educação, ONGs, Sites

Greenpeace WeAther
Semana passada entrou no ar uma novidade especial e bacanérrima: o Greenpeace WheAther.
Vejam um trecho do post do pessoal da Colméia, que transformou a idéia do Fabiano Onça, encomendada pelo Sergio Mugnaini, da Almap, em realidade:

Pense em War, jogo clássico de tabuleiro. Agora esqueça. Greenpeace WeAther é sim inspirado em War mas com novo paradigma de jogo. Ao invés de brincar de guerra e dominação mundial por horas a fio, um jogo colaborativo em que todos se ajudam na tentativa de salvar o planeta em alguns minutos. O inimigo comum são as mudanças climáticas e desastres naturais que assolam o planeta, cada dia mais.
A idéia do diretor de criação da Almap, Sergio Mugnaini, era justamente provocar em jovens e adultos o pensamento sobre o que se pode fazer para ajudar o planeta. O game colaborativo foi transformado em jogo de tabuleiro e, assim, modificado, adaptado e testado para se tornar um jogo online.

Aproveitei a oportunidade para conversar com o Fabiano Onça, mentor intelectual desta maravilha (junto com Gibrin, que foi seu sócio). Onça criou seu primeiro jogo aos 10 anos. Aos 25, descobriu os jogos de tabuleiro gringos, que saíram do velho Banco Imobiliário e War para criar novidades e enfrentar sem medo as graças on-line. Foi responsável pelo Terra Games, Super Onze - além de escrever muitas resenhas sobre jogos. E, vitória! Acaba de ter seu Vineta lançado na Alemanha.

A beleza deste tipo de jogo é que as pessoas saem mais conscientes, com conceitos importantes mais claros - enquanto se divertem. Vamos lá aprender?