A entrevista abaixo com Hermínia Maricato, professora, arquiteta e ex-secretária de Habitação da prefeitura de São Paulo (gestão Luiza Erundina, PT), foi feita para um jornal da grande imprensa mas acabou engavetada. Como quem tem amigo não morre pagão, caiu nas minhas mãos e faço questão de publicar. Só não entendi porque o material não foi aproveitado no site do jornalão…
Maricato vai direto ao ponto: a gente dá muita atenção para soluções cosméticas, como a Lei Cidade Limpa, enquanto coisas muito mais importantes ficam em segundo plano.
A professora lembra que, enquanto brincamos de limpar as fachadas da cidade (o que na prática é totalmente falso…), mal conseguimos nos locomover, respiramos ar poluído, bebemos água podre e ignoramos a situação de 1 milhão de pessoas que moram em favelas construídas em áreas de proteção ambiental simplesmente por não terem onde morar na cidade. Priorizar a retirada de anúncios das fachadas no meio de tudo isso é “ridículo”, diz Maricato.
Lula, Jorge Bittar, Carlos Minc e Gabeira em protesto contra Angra 3 realizado em 1989. Bons tempos em que esse pessoal estava do lado verde da força.
O Ibama concedeu quarta-feira o licenciamento ambiental prévio à usina nuclear Angra 3, não sem antes condicionar a obra a 65 exigências - de cuidar de parques a obras de saneamento básico e solução definitiva para o armazenamento do lixo nuclear. Dá pra se ter uma idéia do pepino ambiental que Angra 3 representa só pela gigantesca lista de compensações ambientais. Mesmo que todas sejam atendidas - e não serão -, nada justifica a construção da usina.
Energeticamente o Brasil tem imenso potencial hídrico, solar e eólico a ser explorado. Só os ventos do Nordeste oferecem 75 gigawatts de energia ao país. O que me leva a fazer uma continha básica: levando-se em conta que Angra 3 tem potencial para 1.350 megawatts (1 gigawatt = 1.000 megawatts, só pra constar) e custo estimado de R$ 8 bilhões para ser construída, seriam necessárias 56 usinas iguais à ela, ao incrível preço de R$ 450 bilhões, para gerar esse mesmo total de energia com reatores nucleares. E ainda têm a cara-de-pau de dizer que as fontes renováveis de energia são caras…
E nessa conta aí não estou incluido o alto custo de descomissionamento das usinas nucleares, ou seja, o dinheiro que se gasta para desligar, desmontar e descontaminar as usinas e seus equipamentos ao final de sua vida útil, que é em média de 50 anos (aqui e em todo o mundo), além de armazenar adequadamente o lixo nuclear de baixa, média e alta radioatividade - o que nenhum país do mundo ainda conseguir saber como fazer. Estima-se que na França, país tido como modelo para os defensores da energia nuclear, esse custo possa chegar a US$ 90 bilhões!
Existem hoje no planeta 440 usinas nuclears, boa parte nos EUA e França. Dezenas delas serão fechadas em no máximo 10 anos. Dá pra se ter uma idéia do que isso vai custar, não? E, pasmén: esse dinheirama toda nunca é incluída na conta do que se gasta numa usina nuclear. E sabe quem paga a conta? eu, vc, todo mundo, porque a indústria nuclear é subsidiada pelos governos.
É aí que entra o X da questão: por que os governos subsidiam tanto a indústria nuclear, que é cara pra cacete e altamente perigosa? Por questões militares. A mesma tecnologia nuclear que gera energia, gera a bomba. Países que mais têm usinas são também os que mais investem em arsenal atômico - França, EUA, Rússia. No Brasil, o setor nuclear também está intimamente ligado aos militares. O presidente da Eletronuclear é o almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, aquele mesmo que tocava um programa nuclear militar paralelo na década de 1990 e queria testar um artefato nuclear na Serra do Cachimbo, no Pará.
Aí vem o outro e diz: “Ah, mas seria preciso rasgar a Constituição brasileira para o Brasil desenvolver armas nucleares, porque a Carta Magna diz que o programa nuclear brasileiro tem que ser pacífico.” Ora, não é preciso rasgar a Constituição, basta reformá-la, como tantas vezes se fez. E há gente da pesada que defende não só isso como também a saída do Brasil do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares, como fizeram a Índia e o Paquistão, por exemplo. Gente como o chefe do Estado Maior das Forças Armadas, general Benedito Leonel, e o secretário-geral do Itamaray, Samuel Pinheiro Guimarães.
Em seu livro Desafios do Brasil na Era dos Gigantes (editora Contraponto, 2006), o embaixador Guimarães é claro: “A nação deveria se engajar na eliminação da vulnerabilidade militar que decorre da adesão do Brasil, em situação de inferioridade, a acordos de não-proliferação de armas de destruição em massa.”
E teria o Brasil razões para tamanha loucura? Geopoliticamente, sim. O país anunciou recentemente a descoberta de mega-campos de petróleo e, na seqüência, os Estados Unidos anunciaram a recriação da Quarta Frota Naval, para atuar no Atlântico Sul. Uma coisa puxa a outra e há setores militares no Brasil considerando que o país tem que estar pronto para o que der e vier. Lá vem bomba.
Os banbanbãs do mundo se reuniram no Japão para discutir mudanças climáticas, crise alimentar e comércio mundial, e mais uma vez decepcionaram.
Disseram que topam reduzir 50% de suas emissões de CO2, mas só em 2050 e sem abrir mão de termelétricas a carvão! Ainda tentaram desfibrilar a cadavérica agenda nuclear, num claro deboche aos anseios do planeta por um desenvolvimento sustentável e baseado em fontes renováveis de energia.
No quesito agricultura, insistem no sistema industrial, que serviu a um propósito no século passado, mas a um custo muito alto - poluição do solo e dos rios, uso excessivo de produtos tóxicos, concentração da produção e distribuição de alimentos. O que mais espanta é que o discurso do G8 no Japão ignora solenemente a avaliação feita por especialistas reunidos pela ONU na África do Sul no início deste ano, de que a agricultura industrial faliu, está num beco sem saída, e não é a solução para a crise de alimentos. Veja o agronegócio brasileiro. É praticamente todo voltado à exportação de grãos, para alimentar animais lá fora, que são consumidos por uma ínfima parte da humanidade. O que sustenta a barriga do brasileiro é a agricultura familiar, responsável por 70% da produção de alimentos do país. E o relatório produzido pela reunião da ONU (uma espécie de IPCC da agricultura) aponta justamente essa agricultura familiar - e a agroecológica e orgânica - como solução para produzir mais e melhores alimentos.
Mas o que esperar de gente como Bush ou Berlusconi? O primeiro, aliás, é um dos principais responsáveis por toda essa crise alimentar, com suas guerras, incentivos à indústria do petróleo e à insana produção de etanol com milho e quetais - até o Banco Mundial atestou, em relatório sigiloso, que esse tipo de biocombustível é responsável direto pelo aumento nos preços dos alimentos. Se não fosse pelo jornal The Guardian, o documento não sairia da gaveta… A ONU já tinha avisado em maio sobre a possibilidade do caos acontecer e titio Fidel também (aliás foi o primeirão).
Em suma: no que depender desses caras do G8, o status quo do desenvolvimento mundial continuará o mesmo. Pelo menos nas próximas décadas. Mas a gente é chato pacas e vamos continuar na cola. Eles podem enganar muitos durante muito tempo, mas não todos por todo o tempo.

O Projeto Tear - Oficinas de Trabalho, Terapia e Arte, ensina pessoas com deficiência mental a produzir papel ecologicamente correto, que após ser utilizado é cultivado na terra e se transforma em grama. O produto tem, entre seus ingredientes sementes de grama, que permanecem vivas durante a fabricação e o uso do material, que apresenta um tempo curto de decomposição. Ele se desfaz na terra em 10 a 12 dias pois sua confecção não passa por nenhum processo químico.
O “papel que vira grama” custa cerca de R$ 0,90 por folha. O papel ecologicamente correto, e outros produtos confeccionados pelos portadores de deficiência mental, pode ser adquirido de segunda à sexta-feira, das 7h às 17h, na sede do Projeto Tear (Rua Silvestre Vasconcelos Calmon, 92, Vila Moreira, Guarulhos/SP).
O Projeto Tear, criado em 2003, é uma parceria entre o Laboratório Pfizer, a Associação Cornélia Vlieg e a prefeitura de Guarulhos, e atende a cerca de 100 deficientes mentais por meio de terapia ocupacional e oferece apoio familiar. O objetivo é promover a inclusão social dos pacientes por meio de oficinas profissionalizantes.
Fonte: Fator Brasil
imagem: daqui

O cartunista Caruso resumiu bem a entrevista do Carlos Minc dada ontem no Roda Viva com uma charge em que aparecem várias palavras e siglas ligadas ao tema meio ambiente ditas pelo ministro e uma grande interrogação vinda da bancada dos jornalistas escalados para o programa. Com exceção de Michel Astor, correspondente da Associated Press, que mostrou estar preparado discutir com conhecimento de causa os assuntos tratados, os demais coleguinhas patinavam nas perguntas, procurando muitas vezes mais a futrica do que o esclarecimento de temas relevantes como desmatamento na Amazônia, Angra 3, transgênicos, desenvolvimento sustentável, etc.
E ainda ficaram de fora assuntos importantes como a recente reunião da ONU sobre biodiversidade, em Bonn (que contou com a participação de Minc); o envio ao Congresso, com 16 anos de atraso, do projeto de lei para a criação de uma Política Nacional de Combate às Mudanças Climáticas; e o boicote sistemático do governador Blairo Maggi a qualquer tentativa de se interromper o desmatamento na Amazônia.
Se deixassem só as perguntas dos telespectadores enviadas por email, o programa ficaria bem mais interessante. Os temas mais quentes vieram deles. Fica então a sugestão: se os jornalistas mais tarimbados não puderem comparecer num próximo programa, convidem os telespectadores para a bancada!
ADENDUM: A Lucia Malla, minha companheira lá no Faça a Sua Parte, observou em seu blog que achou o Minc muito político, muito ensaboado. Ela participou do Roda Viva, enviando mensagens pelo Twitter. Numa troca de emails hoje, conversamos sobre o assunto e eu observei o seguinte: o Minc tem todo traquejo de político e eu acho isso importantíssimo para o sucesso das demandas ambientais. Sem esse jogo de cintura, Minc seria engolido por cobras-criadas da política. Ele é um ambientalista atuando na política e não um político maquiado de verde, como temos vários por aí…
Fui durante anos seu eleitor no Rio de Janeiro e acho que ele pode se sair bem como ministro. Mas vamos ver as cenas dos próximos capítulos…
Primeiro: Construção sustentável
O CTE (Centro de Tecnologia de Edificações) promove um encontro para discutir sustentabilidade em empreendimentos - materiais, projetos e obras - com as empresas da cadeia produtiva, agentes financeiros e governamentais.
No dia 19 de junho, das 8h às 18h, se reunem no Hotel Renaissance, em São Paulo, a nata da construção nacional - e alguns palestrantes gringos. Aron Zylberman (Cyrela), Cesar Augusto de Paula Pinto (Instituto Falcão Bauer da Qualidade), Cristina Fedato (FIA/USP), Daniel Citron (Tishman Speyer do Brasil), Fernando Westphal e Roberto de Souza (CTE - Centro de Tecnologia de Edificações), Huston Eubank (iLiv Tecnologies), José Joaquim do Amaral Ferreira (Fundação Vanzolini/USP), John Seitz e Juan Andrés Vergara (HOK), Nelson Kawakami (GBC Brasil), Paulo Lisboa (Paulo Lisboa Arquitetura / AsBEA), Orestes M. Gonçalves (Tesis/ Escola Politécnica-USP), Otávio Pereira Magalhães (Prosperitas), Ricardo Gustav Neuding (ATA - Ativos Técnicos e Ambientais) e Vanderley M. John (CBCS - Conselho Brasileiro de Construção Sustentável) apresentarão casos, práticas e estarão lá para responder as perguntas dos inscritos.
Info: Inscrições abertas até dia 13, pelo site ou no telefone: (11) 2149-0300. custa R$ 320,00. Área de credenciamento? Nhé, não tem… Vou tentar cobrir.

Segundo: Meia Amazônia não
O Greenpeace está com uma campanha nova: Meia Amazônia não! Explica-se: já passou pelo senado e está na Câmara dos Deputados o projeto apoiado pelos ruralistas que, se aprovado, dá um golpe mortal nas florestas tropicais (alguém aí sabe qual será a maior prejudicada? hein? hein?). O PL 6424/2005 (do senador Flexa Ribeiro, PSDB - marque o nome e corte a mamata dele, caro leitor - autoriza a derrubada de 50% da vegetação nativa em propriedades privadas na Amazônia…
Ah, então tá. Os donos de terras na nossa floresta querem que todo mundo pague a desapropriação pra manter a mata virgem em pé. Olha só que gente bacana, honesta, sincera e colaboradora com o bem-estar do planeta. Que legal!
Já falei que quem apóia é fazendeiro? Ah, é! Fazendeiro burro é pasto do demônio minha gente. Elejam o Greenpeace para senador, coloquem esta corja pra correr e vambora assinar lá o manifesto antes que estes ladrões podres roubem, além do din din da saúde e da educação, a possibilidade de um planeta feliz.
Mais importante de tudo: no site tem uma aba “o que você pode fazer” com várias opções - convide os amigos, cobre os deputados, baixe selo e banner, faça download da petição para os amigos offline. Use, use muito, faça de verdade. Tem gente por lá que já convidou mais de 600 pessoas… uhu! Eu devo estar no pé, só mandei para 5 (será que link no blog conta? hehehehe). Tô nem aí. De grão em grão a galinha enche o papo. O colega Jorge, do Escriba, já mandou mais de 64… procure os nomes de quem você conhece lá e veja o efeito bacana da folhinha aumentando. Ecologia 2.0? Não, é só política mesmo!
Vou ali mandar e-mail malcriado pros negos em quem votei e já já eu volto.
[update] e pra quem acha que tudo está perdido, leiam a história de garimpo que o Jubal publicou lá no Faça.
Ontem à noite o Minc se reuniu com Lula e levou um decálogo de propostas que considera fundamentais para fazer uma boa gestão no Ministério do Meio Ambiente. Estavam entre elas a criação de uma Guarda Nacional Ambiental, com civis e militares; aumento da verba do ministério e a manutenção da resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) que exige que o governo não conceda crédito a fazendeiros envolvidos em crimes ambientais. Parece que obteve apoio do presidente para todas elas, e também da ministra Dilma Roussef - tida como madastra da política ambiental por muitos.
Meu vereador mandou bem (sempre votei no Minc quando morava no Rio). Mas o gol de placa foi levar à reunião em Brasília a proposta do Pacto pela Valorização da Floresta e pelo Fim do Desmatamento na Amazônia, ou simplesmente Desmatamento Zero, que foi lançado em outubro passado por nove ONGs - Greenpeace, Instituto Socioambiental, Instituto Centro de Vida, The Nature Conservancy, Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, Conservação Internacional, Amigos da Terra e WWF.
A Marina era fã desse pacto e Minc parece que também é. Basicamente o projeto prevê o fim do desmatamento até 2015 com a injeção de R$ 1 bilhão por ano para compensar quem reduzir efetivamente a derrubada da floresta na região, além de pagar serviços ambientais. O dinheiro viria do governo brasileiro e também de outros países, instituições e fundos interessados em manter a Amazônia em pé.
O timing de aceitação do projeto não poderia ser melhor, justamente no momento em que começam a pipocar na imprensa internacional matérias discutindo uma possível internacionalização da Amazônia - a última delas veio do New York. Times. Recentemente a BBC também produziu um bom material sobre o tema, bem como os jornais The Guardian e The Independent.
Lula já deu a senha - e Minc e boa parte do movimento ambientalista atuante no Brasil também: a Amazônia é patrimônio da humanidade, mas sob gerência brasileira. Quer ajudar? Financie projetos do Desmatamento Zero no Brasil. A floresta agradece!
O Greenpeace fez uma proposta ainda mais ampla hoje na reunião da Convenção da ONU sobre Biodiversidade, que tá rolando na Alemanha, englobando todas as florestas tropicais do planeta. É um fundo internacional para o qual as nações mais ricas do mundo - e que mais poluíram até hoje - serão chamadas a contribuir para aumentar a governança em países e regiões em desenvolvimento com grandes áreas de florestas, como Brasil, Indonésia e países africanos. Os recursos podem chegar a 14 bilhões de euros por ano. Leia detalhes aqui.
Parece muito dinheiro, mas não é se levarmos em conta que o desmatamento das florestas tropicais é responsável por aproximadamente 20% das emissões de gases do efeito estufa na atmosfera – mais do que as emissões de todos os aviões, trens e carros do mundo inteiro. O Brasil é o quarto maior emissor mundial de gases estufa, graças às queimadas promovidas na Amazônia.
E por falar em floresta, o Greenpeace está lançando a campanha Meia Amazônia Não!, para tentar barrar o projeto de lei 6424/2005, do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA). O projeto não foi apelidado de Floresta Zero à toa. Se for aprovado, vai diminuir a reserva legal em propriedades privadas na Amazônia de 80% para 50% e promover o plantio dos chamados cultivos energéticos (dendê, eucalipto, babaçu, cana-de-açúcar e afins) na região, além de permitir que áreas desmatadas num bioma sejam compensadas em outras - ou seja, na prática poderá deixar regiões inteiras no país sem mata.
Se você leu este post e tem alguma forma de ajudar a divulgar essa campanha - seja por email, msn, orkut, lista de discussão, blog, facebook, o que for -, peço sua ajuda. A meta é atingir 100 assinaturas para mostrar ao Congresso e ao governo que estamos de olho e não queremos mais destruição na Amazônia.
Visite a página, é bem legal. Ao entrar, vc ganha uma folha e nela outras se agregam cada vez que vc convida alguém. Cada folha agregada começa marrom e vai mudando de cor conforme a participação dessa pessoa - se ela assinar o manifesto, fica amarela. Se além disso convidar outra pessoa para participar, fica verde também.
O projeto Floresta Zero está na bica de ser votado - e mesmo aprovado, já que a pressão da bancada ruralista e de governadores como Blairo Maggi (MT) e Ivo Cassol (RO) tem sido gigante. Os mesmos que vibraram com a demissão de Marina Silva não param de esfregar as mãos com essa possibilidade.
Ou ajudamos a zerar o desmatamento ou eles zeram com a floresta - e sem uma ponta de arrependimento.

Documentário O Mundo Segundo a Monsanto, da jornalista francesa Marie-Monique Robin, voltou à internet - encontrei no Dandelion Salad e no Wide Eye Cinema. Se vc ainda não viu, aproveita. É um documentário excelente sobre as práticas da empresa desde os tempos em que era uma gigante fabricante de produtos químicos até os dias de hoje, que se vende como companhia de produtos agrícolas.
Só não entendo porque a National Film Board of Canada, detentora dos direitos do filme, tem se desdobrado pra impedir que ele seja veiculado na internet - já tirou do Youtube, do Dailymotion e Google Video, entre outros. Será que os caras não percebem que sem a internet, esse documentário está fadado ao esquecimento, já que poucas redes de cinema, TV ou TV a cabo têm a disposição de bater de frente com uma empresa tão poderosa quanto à Monsanto?
Mas enfim… eles tiram, a gente põe!
E outra boa notícia é que o Parlamento francês recusou na semana passada um projeto de lei sobre transgênicos que não garantia a segurança dos plantios do país contra a contaminação genética provocada pelos cultivos geneticamente modificados. Vale lembrar que a última reunião da conferência sobre o Protocolo de Cartagena, em Bonn, terminou sem que fossem determinadas regras claras de punição para os responsáveis por essa contaminação - a Monsanto, por exemplo. Leia mais sobre o assunto no blog Outra Agricultura.
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O grande calcanhar de Aquiles do governo Lula sempre foi a pouca atenção dada às questões ambientais. Liberou variedades transgênicas de soja e milho, colocando nossa biossegurança em risco; retomou o programa nuclear, enquanto outros países apostam em energias renováveis como a eólica e solar; incentiva desmatadores na Amazônia e ainda quer reduzir a reserva legal no país para incentivar o plantio de palmáceas e outras plantas consideradas energéticas (cana, babaçu, mamona, e por aí vai) na onda dos biocombustíveis. Agora, com a demissão da Marina Silva do Ministério do Meio Ambiente, definitivamente a agenda ambiental subiu no telhado do governo Lula.
Parece que estamos voltando no tempo, mais precisamente à década de 1970, quando a ordem era desenvolver a qualquer custo, colocando questões ambientais como entraves ao crescimento do país. Com a queda de Marina, o Brasil parece ter optado por um modelo predatório, a la China. Um desastre.
Segundo notícias que li, Lula teria ficado irritado com a forma como Marina saiu do Ministério. Pois eu fiquei foi puto, e com Lula, por ter permitido que a situação chegasse a esse ponto.

Laurie Cook quer lutar pelo direito de
utilizar um varal no seu jardim
A dona-de-casa Laurie Cook está (imaginem!) violando a lei ao pendurar sua roupa para secar em um varal no quintal de sua casa, em um subúrbio elegante na província de Ontário, que proíbe varais ao ar livre.
Leis que promovem a suspensão da proibição aos varais estão em debate em Connecticut, Vermont e Colorado. Motivados por preocupações ambientais e pela disparada nos custos da energia, consumidores estão reavaliando seus hábitos de secagem. O grupo de varejo britânico ASDA informou que, nos primeiros quatro meses de 2007, as vendas de varais subiram em 150% e as de pregadores de roupa em mais de 1.000%. A Hills Industries, da Austrália, cujo produto central são varais de secagem múltipla, reportou que a receita de sua divisão de produtos domésticos subiu em 15% em 2007.
As secadoras elétricas são aparelhos que mais consomem energia no domicílio: superam o consumo do refrigerador e respondem por 6% do consumo total da casa, ainda que sejam usadas apenas de forma intermitente. O varal é uma alternativa simples, barata e sem emissões de carbono. As emissões domésticas respondem por um quarto do total de emissões em países desenvolvidos, e, cerca de um terço da redução de emissões no setor doméstico vem de mudanças de hábitos, de acordo com o Instituto de Mudança Ambiental da Universidade de Oxford.
Ontário, onde Laurie Cook mora, é um dos lugares que estão considerando revogar as proibições a varais, que se tornaram comuns na América do Norte e em partes da Europa. O governo colocará o projeto de lei em debate e o submeterá a votação em breve. “Não estou preocupada com as queixas”, ela disse. “Hoje em dia, as pessoas que precisam se esconder não são as que penduram roupas no quintal para secar, mas aquelas que se opõem a essa idéia”.
Fonte: New York Time