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Sustentabilidade segundo Saramago
27.11.08 - 1:46 | Categorias: Eventos, Livros, Sustentabilidade

images20Saramago está na área e eu perdi a oportunidade de fazer mais uma entrevista com um de meus ídolos - semana passada foi a vez do Fritjof Capra, que em breve enriquecerá um de meus posts, aguarde. Mas minha camarada Lúcia esteve na coletiva de imprensa que rolou com o escritor português e, melhor, conseguiu fazer uma pergunta que eu enviei. Simples: “O que é vida sustentável?”

Eis a resposta:

É emprego. É viver como sobrevivente. Ter consciência da precariedade dos bens, poupando, conservando, enfim assumindo a abordagem de sobreviventes. Deveríamos viver como sobreviventes, poupar, não desperdiçar, limpar terreno e ar, de modo que se possa viver.
Hoje temos a cultura do mais, em tempos de crise como este, as pessoas caem, a classe média perde sua condição. Os governos são responsáveis pelo que acontece - os ricos, os riquíssimos.
O Estado é inimigo, dizem quanto menos melhor, mas é o Estado que é chamado à responsabilidade para salvar o Citibank, a GM. E o Estado somos nós, nossos impostos.
Não há alternativa política, não há alternativa econômica. E vamos viver de remendos.
É sustentável desde que se tenha emprego.

Mais Saramago lá no Ladybug.

Em tempo: no próximo sábado (dia 29) é Dia de Nada Comprar, campanha mundial do pessoal da Adbusters que há 17 anos incentiva as pessoas a não se deixarem seduzir pelo canto da sereia do mercado. Vá à praia, ao parque, dar uma volta de bicicleta, leia um livro. Em tempos de crise financeira, até que não vai ser difícil deixar a carteira quietinha…

Se vc está pensando em fazer alguma atividade, performance ou protesto para marcar o dia, coloque na página wiki da campanha.

Capra e o Da Vinci ecológico
13.11.08 - 3:48 | Categorias: Educação, Eventos, Livros, Sustentabilidade

“Em primeiro lugar, queria agradecê-lo por ter escrito O Tao da Física. Assim que terminei de ler pensei que tinha que fazer isso e agora tenho a oportunidade. Obrigado, sr. Capra.” O deslumbramento do jovem que sentava imediatamente atrás de mim no Teatro Eva Herz, da Livraria Cultura da Paulista, era evidente e, por que não, comovente. Muitos dos que o aplaudiram provavelmente queriam fazer o mesmo e rolou uma identificação imediata. O rapaz foi aplaudido por uma gente sorridente, bonita, harmoniosa, em comunhão - entre si e com com Fritjof Capra, que deu palestra sobre seu livro A Ciência de Leonardo da Vinci (lançamento da editora Cultrix).

Eu logo me identifiquei e relaxei um pouco. Estava tenso por ter que entrevistar Capra para a revista e o site do Greenpeace e também por voltar à rua depois de tempos para exercitar como se deve o ofício de jornalista. Uma coisa influênciou na outra, mas na hora H, foi que foi. Dei até sorte, porque os outros dois jornalistas que compartilhariam comigo os escassos 30 minutos disponíveis para entrevista não apareceram. Pude gravar tranquilo minhas 7 perguntas sobre ecologia, meio ambiente, sustentabilidade, as quais ele respondeu sem rodeios e com firmeza, não deixando transparecer nenhum incômodo por falar de coisas que não eram bem a razão dele estar ali. Se bem que em termos. Capra é ecologista de longa data e Da Vinci, idem.

Ao contrário da trupe do bem que enfrentou chuva e engarrafamento para ouvi-lo falar, Capra é sisudo, circunspecto, um tanto quanto impaciente, mas sempre elegante e atencioso. Conheço bem o tipo, já tive chefe austríaco no Greenpeace. Me atendeu prontamente quando fui apresentado e respondeu com calma e prestatividade às minhas indagações feitas num inglês inseguro. Da mesma forma atendeu a uma dupla de ciclistas que, pouco antes da palestra começar, entregou a ele um favo de mel, e ouvi atentamente como fazia para degustar aquilo. “É colocar na boca e mastigar de leve como chiclete. Mas dá pra engulir, sem problema, é só cera”, explicou um deles. Tirou fotos com alguns, autografou dezenas de livros (com um simples “Para fulano”, mas enfim…) para a legião de estudantes, artistas, leitores casuais, empresários, escritores e até uma policial militar que lotaram o teatro.

Em uma hora de palestra, com uma apresentação de slides trazendo citações e desenhos de Leonardo da Vinci, o escritor de 69 anos revelou aspectos ambientalistas no artista toscano que eu sinceramente desconhecia solenemente. O próprio Capra disse ter se surpreendido ao achar a seguinte frase nos alfarrábios consultados :

As virtudes da grama, das pedras e das árvores não se encontram em seu ser porque os seres humanos as conhecem… A grama é nobre em si própria sem a ajuda de linguagens ou letras humanas.

É bom observar que as cerca de 6 mil páginas com anotações e desenhos do gênio renascentista que sobreviveram cerca de 500 anos até os dias de hoje estavam escritas em italiano da época e da direita para a esquerda, como os árabes fazem - Da Vinci era canhoto e inovou até na hora de por seus pensamentos no papel. Imagina a dificuldade para quem tem que destrinchar os textos hoje.

Enfim, o que chamou a atenção de Capra foi que Da Vinci antecipou em séculos o que se chama hoje de deep ecology: todos os seres vivos fazem parte de uma grande teia de vida, vivemos numa imensa gaia, e nenhuma espécie é mais importante do que outra. A ciência deve andar em harmonia com a natureza, não dominá-la.

Para Fritjof Capra, físico teórico e escritor que há anos promove a educação ecológica, principalmente para crianças e adolescentes, foi um achado e tanto. A investigação sobre o mestre italiano lhe mostrou que os desenhos dele eram complexos diagramas científicos, porque para estudar a natureza, era preciso desenhá-la; e para desenhá-la, era preciso estudá-la. Combinou ciência, estética e ética como ninguém, quase sempre orientada por uma filosofia ecológica lato sensu. Dá o que pensar saber que Da Vinci ficou obscuro por séculos. Que seja fonte de inspiração nesses novos tempos que se avizinham, com mudanças importantes acontecendo no mundo. Obama na Casa Branca, sustentabilidade e ecologia na ordem do dia, todo mundo pensando no que pode fazer para contribuir.

As perguntas da platéia, ao final da palestra, refletiram essa consciência coletiva de que algo precisa ser feito para mudar o estado das coisas e Capra acabou discutindo ali muito do que falou em nossa entrevista: Obama, o papel da sociedade civil na consolidação desse outro mundo possível, as chances de termos um mundo realmente sustentável. Publico aqui assim que sair a revista do Greenpeace, valeu?

Enquanto isso, curta uma das aventuras do Riuston, o valente entregador da livraria Cultura. O blog é divertido também. Descobri navegando pela internet, pra juntar essa coleção de links deste blog…

Caixas de presente reaproveitáveis
28.10.08 - 16:50 | Categorias: Dicas, Eventos, Produtos, Reciclagem

As festas estão chegando e, para quem ainda pode se dar ao luxo de comprar presentes, as lojas estão cheias de ofertas. Talvez a crise econômica possa frear a febre consumista. Tomara que as pessoas se lembrem de comprar objetos úteis e reaproveitáveis, e que, principalmente, não agridam o ambiente.

Uma idéia já bem antiga e que pode ser mais útil agora do que antes, é nós mesmos fazermos as lembrancinhas para presentear os queridos. Em época de estímulo à reciclagem e ao reaproveitamento, vale lembrar que, muita coisa que julgamos lixo, na verdade pode se tornar um luxo de embalagem que, além de envolver e acondicionar seu presentinho, será reaproveitado dada sua utilidade.

No site Arte Reciclada há o passo-a-passo para se fazer lindas embalagens de presente com caixas de papelão, como as da foto acima. Aquelas embalagens que a gente tem em casa, com criatividade , cola e tesoura, em pouco tempo se transformam em belíssimas e estilizadas caixas de presente reaproveitáveis. Ficam lindas, economizam nosso dinheirinho, protegem o ambiente e é uma ótima terapia. E, com certeza, quem recebe um presente dentro de uma linda caixinha destas, certamente dará um destino final para elas. E não será a lata de lixo, com certeza.Outra idéia genial é colocar o seu presente dentro de sacolas retornáveis, que, com certeza, serão muito bem reaproveitadas por quem receber sua lembrancinha. Aliás eu penso que as sacolas de algodão, de pet reciclado (como a minha linda ecoblogs aí ao lado), de tricô, ou de qualquer material que se possa imaginar, deveriam substituir o papel de presente. O que acham? Eu adoraria ganhar meus livros, cds, camisetas, flores, bombons, ou o que mais fosse, dentro de uma linda sacola retornável. Que tal?

Imagens:
caixinhas
sacola ecoblogs

Sem carro por um dia
22.09.08 - 18:01 | Categorias: Campanhas, Eventos, Meio Ambiente, Sustentabilidade, Transporte


Trânsito no Rio, hoje

Hoje é o Dia Mundial sem carro. Mais de mil cidades no mundo participam do movimento.O dia foi criado em 1998, na França, e muitas atividades são programadas para chamar a atenção para os efeitos negativos do uso dos combustíveis poluentes. O objetivo é incentivar os motoristas a optarem pelo transporte coletivo e deixar o seu automóvel em casa.

No Rio de Janeiro, uma bicicletada está prevista para as 18 horas de hoje,na Praia de Botafogo. Durante o dia, ruas serão fechadas ao trânsito de veículos, na zona sul da cidade, para o passeio ciclístico.

Infelizmente, aqui no Rio, poucos aderiram ao movimento. Pela manhã, o engarrafamento de sempre e o número elevado de veículos nas ruas mostraram falta de informação, de solidariedade ou talvez, apenas necessidade de usar o carro. Infelizmente, não deixarei o carro em casa, devido ao fato de ter de levar a Princesinha à escola, e trazê-la de volta também. Estarei trabalhando o dia todo e à noite também, em um local de acesso difícil. E, o horário noturno, em minha Cidade Maravilhosa, é um problema.

Mas, felizmente, soube que em São Paulo, o trânsito diminuiu! Segundo a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), os índices de congestionamento na capital paulista ficaram abaixo do esperado.Isto é algo importante, tendo em vista os benefícios para o meio ambiente e para a vida do paulistano também. Se houvesse alternativas viáveis para mim, não iria trabalhar de carro. Moro em um lugar super tranqüilo, mas que deixa a desejar em termos de locomoção. O carro passou a ser um mal necessário.

Se você está livre hoje à noite, no Rio, participe da bicicletada em Botafogo, com qualquer forma de transporte limpo: bicicleta, patins, skate,ou mesmo a pé. O importante é usar a energia humana. Este dia sem carro é importante para a refletirmos sobre o que estamos fazendo com nosso ar, com nossa qualidade de vida, com nosso mundo.

Brasília Cidade Verde: 20 de Setembro

Brasília Cidade Verde

Acontece neste sábado durante todo o dia o Brasília Cidade Verde. O evento é uma fusão de diversas datas e eventos como o “Dia Mundial Sem Carro” (dia 22 de Setembro), a “Semana Brasileira do Transporte Público e Mobilidade Sustentável, Acessível, Limpa, Pontual, Confortável, Segura, Democrática, Integrada” (16-22 de setembro) e a “VIII Semana de Extensão da UnB” (28 de setembro a 03 de outubro).

O evento acontecerá neste Sábado dia 20 de Setembro a partir das 09h da manhã na Praça Zumbi dos Palmares, próxima aos edifícios Conic e Touring Club, na plataforma superior da rodometroviária de Brasília. Além de diversas palestras, e estandes sobre meio ambiente, saúde e práticas pedagógicas haverá apresentações de teatro, poesia e música. Venha de bicicleta, pois às 20hs haverá um passeio ciclístico. Veja a programação completa.

Brasília Cidade Verde

05 de Setembro - Dia Mundial da Amazônia
04.09.08 - 5:07 | Categorias: Blogs, Eventos, Meio Ambiente, Preservação

Blogagem Coletiva - Faça a sua parte



O dia 5 de setembro foi escolhido como o Dia Mundial da Amazônia por ter sido nesse dia, em 1850, que a Lei n.° 582 criou a Província do Amazonas, separando a região da então Província do Pará.Nós, do blog Faça a sua parte, estaremos reunindo os posts dos blogs que quiserem entrar na discussão sobre o tema. A nossa floresta enfrenta vários tipos de problemas e o foco das discussões nos diferentes blogs provavelmente será variado.

Então, se for participar, mande o link de sua postagem ao Faça a sua parte para ser incluído na lista de participantes, ok.

Participe. Faça a sua parte!

Vitória sedia encontro sobre Sustentabilidade
30.07.08 - 12:33 | Categorias: Eventos, Sustentabilidade

Marcelo Furtado, diretor de campanhas do Greenpeace, Jodie Thorpe, gerente para economias emergentes da SustainAbility e Fernando Almeida, presidente executivo do CEBDS.

Marcelo Furtado, diretor de campanhas do Greenpeace, Jodie Thorpe, gerente para economias emergentes da SustainAbility e Fernando Almeida, presidente executivo do CEBDS

Já está no ar o programa do 4o Encontro do Ciclo Sustentável 2008. A luta do povo do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) é discutir o dilema contido na relação entre Lucro e Sustentabilidade.
Aberto ao público, o evento reúne especialistas de diferentes segmentos da atividade empresarial, como também do meio acadêmico e da sociedade civil organizada. No auditório do Hotel da Ilha do Boi (não conheci na última passagem por Vitória), dia 13 de agosto, será discutido “O Papel da Comunicação na Sustentabilidade”. Assunto que muito me interessa, como vocês bem sabem.

O evento de Vitória representará uma excelente oportunidade para discutir os mecanismos de capacitação de jornalistas e de outros profissionais da mídia, a qualidade e a responsabilidade do fluxo de comunicação entre o setor empresarial e a sociedade, além de temas como o papel dos veículos de informação pública nesse contexto.

Veja a programação:
Painel 1: Sustentabilidade e Comunicação: Informação, educação e mudança de comportamento.
9h15 Primeiro Bloco
Presidente da Mesa: Marina Grossi, CEBDS
Expositor 1 - Lynette Thorstensen - Diretora de comunicação - World Business Council for Sustainable Developement (WBCSD - Genebra)
“Perspectiva internacional em comunicação e sustentabilidade”
Expositor 2 - André Trigueiro - Jornalista - Globonews
“A cobertura da mídia em sustentabilidade: contradições, limites e desafios.”
Debatedores (seguido de perguntas do público)
Guillherme Canela – ANDI
O discurso mediático sobre sustentabilidade e mudanças climáticas reflete de fato as preocupações da sociedade? Quais são as características mais marcantes desse discurso se comparado ao discurso emitido por organizações sociais, governos e empresas? Na abordagem mediática atual como são vistas as responsabilidades das organizações de diferentes setores e dos cidadãos? Qual são especificidades do Brasil nesse contexto se comparado a outros países?
Luciano Martins, Jornalista - Observatório da Imprensa
Qual o papel da imprensa na implantação de uma agenda de discussão e mudança de comportamento em prol de um mundo sustentável? Como ela tem se comportado no Brasil e no mundo?
Perguntas
Break
Segundo Bloco:
Teresa Cruvinel/ Presidente da TVBrasil (a confirmar)
“Comunicação pública e educação para sustentabilidade
Debatedores
Professor Clóvis de Barros – USP
Como avaliar o Brasil e o mundo em termos de educação para sustentabilidade? Como diferentes programas têm contribuído para mudança de hábitos de consumo e modos de vida? Qual é o papel e as limitações da escola nesse sentido? Como a comunicação em campanhas públicas pode contribuir (e tem contribuído) para mudança de comportamento em prol de um consumo sustentável e consciente?
Representante WWF (a confirmar)
Qual a percepção do brasileiro e dos diversos setores em relação à sustentabilidade? Qual a relação entre percepção e ação em relação ao tema? Como se pode caracterizar a pegada ecológica do Brasileiro? Qual é a real abragência do “consumo consciente” no Brasil?
Perguntas
13h25 - Almoço
14h30 Painel 2: A importância da conservação para a manutenção dos serviços ambientais Moderador: Beatriz Bulhões
Presidente da Mesa: Eraldo Carneiro, Petrobras e presidente da CT de Comunicação do CEBDS
Solitaire Townsend - CEO - Futerra Sustainability Communications (London)
“Comunicação em sustentabilidade: a tentação e o risco do “greenwash” para as empresas”
Nicolas George Trad - Gerente de parcerias - Reputation Institute (New York)
“Como construir e manter reputação da empresa com base em valores éticos e sustentáveis? Como a reputação pode efetivamente influenciar na valorização da empresa e consolidação de bons negócios?Como podem-se mensurar tais resultados?”
Debatedores
Paulo Nassar, ABERJE/ ECA-USP
Como as empresas têm assimilado conceitos e práticas de sustentabilidade e como isso tem transparecido em seus discursos e ferramentas de comunicação corporativa? Qual o papel do comunicador no complexo processo de internalização de princípios, consulta aos steakholders e comunicação de resultados em sustentabilidade?
Celia Rosemblum, Editora de projetos especiais - Valor Econômico e Pablo Barros, Coordenador CTCOM CEBDS e Revista Brasil Sustentável
Existe hoje no Brasil uma capacidade crítica capaz de distinguir discurso e ação em sustentabilidade? Como perenizar uma cultura capaz de valorizar empresas pioneiras e distingui-las daquelas que usam greenwash de forma abusiva? Como compartilhar esses valores com audiências distintas? Quais caminhos possíveis para a construção de limites regulatórios em comunicação e sustentabilidade?
Perguntas
17h05 Encerramento - Fernando Almeida, Presidente Executivo do CEBDS
As inscrições e outras informações estão on-line.

Via Jornalistas & cia.(cuidado, link dá em um pdf)
Foto: divulgação

Dia de Proteção à Floresta: não é difícil fazer a sua parte
17.07.08 - 13:45 | Categorias: Blogs, Campanhas, Eventos, Meio Ambiente, Preservação

Para começar os trabalhos aqui hoje, Blogagem Coletiva pelo Dia de Proteção à Floresta.

Last Man on EarthJá existem 16 posts publicados. Um dia que a gente não pode comemorar com festa, infelizmente. Ontem, o INPE divulgou os últimos dados do desmatamento e a coisa não está nada boa lá para os lados do Norte. Não é de hoje que a pressão por alimento está empurrando campos e pastos para cima de nossa maior reserva de biodiversidade. Um perigo? Sim. E precisa ser indicado, sempre, para a gente se lembrar que o ar seco aqui em Sampa é mais, muito mais que efeito do inverno e da inversão térmica.

Na terça-feira eu fui lá pros lados de Cotia. E reparei no crescimento dos condomínios - e na consequente diminuição do verde. A gente sempre grita pela Amazônia (e tem que continuar gritando) e esquece do que acontece na nossa porta e no nosso quintal.
As coberturas vegetais (Amazônia, Mata Atlântica, Floresta de Araucária) são um elo importantíssimo no clima (vídeo longo no YouTube, via Lu Soldi) Elas abrigam animais, protegem as águas, são verdadeiros criadouros de vida. E a gente, bichos urbanos, filhos das cidades e das correrias, muitas vezes esquece que aqueles bosques, parques e reservas que estão à nossa volta são fundamentais para o bem-estar de todos.

Como assim, Joaninha?

Seguinte: aqui em São Paulo, estamos com a umidade a 20% já há alguns dias. Enquanto crianças e idosos enchem os pronto-socorros, a indústria da construção segue crescendo, forte e feliz. Constroem prédios, casas e vão eliminando todo o verde, rapidamente substuído por cimento. As conseqüências aparecem: pouca chuva (normal no inverno), doenças respiratórias, enchentes. É difícil lembrar que somos responsáveis por isso - até porque é uma responsabilidade indireta.

É importante a gente escolher bem o que compra, como vive e ponderar muito antes de tomar uma decisão. Eu não entendo como é que as pessoas ainda acham que “árvore suja”. Não consigo pensar em comprar um apartamento novinho em folha que destruiu um pequeno bosque. Não imagino como é a vida sem olhar pra a sibipiruna ali na R. da Consolação - e já vi muitas caírem por conta de doenças.

Vejam esta imagem aí em cima que achei no Flickr. É exatamente isso que estamos fazendo com nossas atitudes, comportamentos e decisões: acabando com o planeta. Sobreviver como espécie é mais que ser um gafanhoto em plantações. Convido, neste dia de proteger florestas, a todos vocês para o Click Árvore. Vamos plantar pelo menos uma, cada um. Se somos 300 leitores aqui, é um pequeno bosque que estará em pé daqui a uns anos.

Foto do Flickr de Denis Gerbeckx’s

Quer ler mais? numa busca rápida no Google sobre proteção das florestas, encontrei o simples e ótimo tutorial do IBGE Teen (link lá em cima); os projetos de pesquisa do Laboratório da UFPR; o tutorialzinho do site Isto é Amazônia sobre proteção florestal (e a questão das queimadas, que costumam acontecer exatamente nesta época do ano); e o subprograma de Ciência e Tecnologia, do governo Federal, custeado pelo ex-G7, para geração e a divulgação de conhecimentos científicos e tecnológicos que promovam a conservação e o desenvolvimento sustentável da Região Amazônica. Espero, do fundo do coração, que eles sejam mais rápidos que o elefantão da foto.

G8 se reúne e… nada

Os banbanbãs do mundo se reuniram no Japão para discutir mudanças climáticas, crise alimentar e comércio mundial, e mais uma vez decepcionaram.
Disseram que topam reduzir 50% de suas emissões de CO2, mas só em 2050 e sem abrir mão de termelétricas a carvão! Ainda tentaram desfibrilar a cadavérica agenda nuclear, num claro deboche aos anseios do planeta por um desenvolvimento sustentável e baseado em fontes renováveis de energia.

No quesito agricultura, insistem no sistema industrial, que serviu a um propósito no século passado, mas a um custo muito alto - poluição do solo e dos rios, uso excessivo de produtos tóxicos, concentração da produção e distribuição de alimentos. O que mais espanta é que o discurso do G8 no Japão ignora solenemente a avaliação feita por especialistas reunidos pela ONU na África do Sul no início deste ano, de que a agricultura industrial faliu, está num beco sem saída, e não é a solução para a crise de alimentos. Veja o agronegócio brasileiro. É praticamente todo voltado à exportação de grãos, para alimentar animais lá fora, que são consumidos por uma ínfima parte da humanidade. O que sustenta a barriga do brasileiro é a agricultura familiar, responsável por 70% da produção de alimentos do país. E o relatório produzido pela reunião da ONU (uma espécie de IPCC da agricultura) aponta justamente essa agricultura familiar - e a agroecológica e orgânica - como solução para produzir mais e melhores alimentos.

Mas o que esperar de gente como Bush ou Berlusconi? O primeiro, aliás, é um dos principais responsáveis por toda essa crise alimentar, com suas guerras, incentivos à indústria do petróleo e à insana produção de etanol com milho e quetais - até o Banco Mundial atestou, em relatório sigiloso, que esse tipo de biocombustível é responsável direto pelo aumento nos preços dos alimentos. Se não fosse pelo jornal The Guardian, o documento não sairia da gaveta… A ONU já tinha avisado em maio sobre a possibilidade do caos acontecer e titio Fidel também (aliás foi o primeirão).

Em suma: no que depender desses caras do G8, o status quo do desenvolvimento mundial continuará o mesmo. Pelo menos nas próximas décadas. Mas a gente é chato pacas e vamos continuar na cola. Eles podem enganar muitos durante muito tempo, mas não todos por todo o tempo.

Econotas aleatórias: construção sustentável e Amazônia

Primeiro: Construção sustentável

O CTE (Centro de Tecnologia de Edificações) promove um encontro para discutir sustentabilidade em empreendimentos - materiais, projetos e obras - com as empresas da cadeia produtiva, agentes financeiros e governamentais.

No dia 19 de junho, das 8h às 18h, se reunem no Hotel Renaissance, em São Paulo, a nata da construção nacional - e alguns palestrantes gringos. Aron Zylberman (Cyrela), Cesar Augusto de Paula Pinto (Instituto Falcão Bauer da Qualidade), Cristina Fedato (FIA/USP), Daniel Citron (Tishman Speyer do Brasil), Fernando Westphal e Roberto de Souza (CTE - Centro de Tecnologia de Edificações), Huston Eubank (iLiv Tecnologies), José Joaquim do Amaral Ferreira (Fundação Vanzolini/USP), John Seitz e Juan Andrés Vergara (HOK), Nelson Kawakami (GBC Brasil), Paulo Lisboa (Paulo Lisboa Arquitetura / AsBEA), Orestes M. Gonçalves (Tesis/ Escola Politécnica-USP), Otávio Pereira Magalhães (Prosperitas), Ricardo Gustav Neuding (ATA - Ativos Técnicos e Ambientais) e Vanderley M. John (CBCS - Conselho Brasileiro de Construção Sustentável) apresentarão casos, práticas e estarão lá para responder as perguntas dos inscritos.

Info: Inscrições abertas até dia 13, pelo site ou no telefone: (11) 2149-0300. custa R$ 320,00. Área de credenciamento? Nhé, não tem… Vou tentar cobrir.

Segundo: Meia Amazônia não

O Greenpeace está com uma campanha nova: Meia Amazônia não! Explica-se: já passou pelo senado e está na Câmara dos Deputados o projeto apoiado pelos ruralistas que, se aprovado, dá um golpe mortal nas florestas tropicais (alguém aí sabe qual será a maior prejudicada? hein? hein?). O PL 6424/2005 (do senador Flexa Ribeiro, PSDB - marque o nome e corte a mamata dele, caro leitor - autoriza a derrubada de 50% da vegetação nativa em propriedades privadas na Amazônia…

Ah, então tá. Os donos de terras na nossa floresta querem que todo mundo pague a desapropriação pra manter a mata virgem em pé. Olha só que gente bacana, honesta, sincera e colaboradora com o bem-estar do planeta. Que legal!

Já falei que quem apóia é fazendeiro? Ah, é! Fazendeiro burro é pasto do demônio minha gente. Elejam o Greenpeace para senador, coloquem esta corja pra correr e vambora assinar lá o manifesto antes que estes ladrões podres roubem, além do din din da saúde e da educação, a possibilidade de um planeta feliz.

Mais importante de tudo: no site tem uma aba “o que você pode fazer” com várias opções - convide os amigos, cobre os deputados, baixe selo e banner, faça download da petição para os amigos offline. Use, use muito, faça de verdade. Tem gente por lá que já convidou mais de 600 pessoas… uhu! Eu devo estar no pé, só mandei para 5 (será que link no blog conta? hehehehe). Tô nem aí. De grão em grão a galinha enche o papo. O colega Jorge, do Escriba, já mandou mais de 64… procure os nomes de quem você conhece lá e veja o efeito bacana da folhinha aumentando. Ecologia 2.0? Não, é só política mesmo!

Vou ali mandar e-mail malcriado pros negos em quem votei e já já eu volto.

[update] e pra quem acha que tudo está perdido, leiam a história de garimpo que o Jubal publicou lá no Faça.