São Paulo e os pneus…

Sim, pneus. O artefato de borracha, que serve para transportar nossos milhões de habitantes, são recolhidos às centenas de nossas ruas. Diariamente, recolhem-se 300 pneus das ruas de São Paulo - 1,5 tonelada. Altamente danosos ao meio ambiente, criadouros de dengue, entupidores… Os pneus são deixados em qualquer canto? Como assim, Bial? Vi a matéria do Planeta Sustentável no Setor Reciclagem e fui buscar mais informações…

Pneus: fabricação e recolhimento

Como de hábito, fui ao CEMPRE em busca de informações. Lá soube que, em 2006, o Brasil produziu 54,5 milhões de unidades de pneus. O descarte foi de 330 mil toneladas das quais 73% (241 mil toneladas) foram recicladas.

Diz norma do Conama que os fabricantes são obrigados a reciclar os pneus fabricados. Apesar dos projetos existirem desde 1999, apenas ano passado os maiores fabricantes criaram a tal da Reciclanip. Em parceria com prefeituras, a entidade ajuda a coletar os pneus inservíveis (os que já não podem ser remanufaturados ou recauchutados para continuar nos carros) e reciclá-los. Depois de R$ 37 milhões investidos no ciclo de reciclagem, já foram 700 mil toneladas de borracha e aço. Faça as contas com os números do Cempre e perceberás: o processo merece ser ampliado, melhorado e multiplicado.

O Brasil, além de reciclar muito, também prolonga a vida útil com as reformas. Os pneus e câmaras de ar consomem cerca de 70% da produção nacional de borracha e sua reciclagem é capaz de devolver ao processo produtivo de terceiros setores (por razões de ordem tecnológica, não retorna para a indústria de pneumáticos) um insumo regenerado por menos da metade do custo que o da borracha natural ou sintética. Além disso, economiza energia e poupa petróleo usado como matéria-prima virgem.

Em São Paulo, este componente do lixo representa pouco menos de 3% do lixo urbano. No Rio de Janeiro, 0,5% e nos Estados Unidos, menos de 1%. Sim, São Paulo precisa cuidar melhor da destinação dos pneus. Mesmo assim, só existem cinco pontos de coleta (locais onde borracheiros e população podem deixar os inservíveis): Santo Amaro, Butantã, Vila Maria, São Miguel e Itaquera. Nhe! Numa cidade deste tamanhão só isso? Tsc, tsc, tsc.

Reciclar pneus, fazer pisos, calçados, asfalto…

Existem cerca de 30 empresas que processam pneus no país inteiro. A capacidade instalada de reciclagem – em todas as unidades – hoje é de um volume superior a 300 mil toneladas por ano. Com o funcionamento das novas unidades, este número passa para 350 mil toneladas em 2008.
Nos últimos sete anos foram investidos mais de R$ 49 milhões no setor, com capacidade de destinação de pneus insersíveis acima de 300 mil toneladas por ano.

A reciclagem é feita com a trituração dos pneus para obtenção de borracha regenerada, mediante a adição de óleos aromáticos e produtos químicos desvulcanizantes. Com a pasta resultante deste processo, as empresas produzem tapetes de automóveis, mantas para quadras esportivas, pisos industriais e borrachas de vedação, entre outros. No Brasil já há tecnologia em escala industrial que produz borracha regenerada por processo a frio, obtendo um produto reciclado com elasticidade e resistência semelhantes ao do material virgem. Além do processo mecânico, existe uma tecnologia que emprega solventes capazes de separar o tecido e o aço dos pneus, permitindo seu reaproveitamento.

O pó gerado na reforma de pneus e os restos de pneus moídos podem ser aplicados na composição de asfalto de maior elasticidade e durabilidade, além de atuarem como elemento aerador de solos compactados, pilhas de composto orgânico e outros artefatos de borracha como, solados, tubos, tapetes, pisos ou combustível – já que o poder calorífico do pneu é maior que do óleo combustível e do carvão.

Pneus inteiros são reutilizados como proteção em garagens, em pistas de corrida, drenagem de gases em aterros sanitários, contenção de encostas e produtos artesanais. No Brasil, os pneus usados são reaproveitados como estrutura de recifes artificiais no mar, visando o aumento da produção pesqueira, mas nenhuma dessas alternativas de destinação são reconhecidas pelo Ibama como ambientalmente adequadas.

É possível recuperar energia com a queima de pneus velhos em fornos controlados, inteiros ou picotados - cada pneu contém a energia de 9,4 litros de petróleo. No Brasil, a utilização como combustível promoveu no período de 1999 a 2004 a destruição de 150 mil toneladas de pneus, equivalente a 30 milhões de pneus de automóvel usados, proporcionando economia de 720 mil toneladas de óleo. A usina da Petrobras em São Mateus do Sul no Paraná incorpora no processo de extração de xisto betuminoso, pneus moídos que garantem menor viscosidade ao mineral e uma otimização do processo.

fotos: used tyres, de www.ericcastro.biz no Flickr com CC; bike tire chairs, chistmaswithak no Flickr

Leia este post no blog Ladybug Brasil: São Paulo e os Pneus…

 
Comentários
2 Comentários no post: São Paulo e os pneus…
Eduardo Wagner
01.10.08 - 14:25

Em primeiro lugar parabéns pelo blog.
Hoje no Brasil temos cerca de 60 empresas cadastradas no IBAMA como recicladoras de pneumáticos, sendo reconhecidas como tal, com diferente processos, tais como laminação ou recuperação energética. Acontece que com excessão da laminação, nenhum outro processo é 100% ambientalmente adequado. Co-processar em fornos de clinquer gera emissões de gases que podem ser tóxicos, a Petrosix incorpora pneus no processo do xisto, mas 40 do pneu sobra como resíduo incorporado na borra final, que não tem nenhum aproveitamento a não ser ir pra cava. O pó de pneu adicionado ao asfalto, apesar de prolongar sua vida útil, impede a reciclagem do asfalto, pois altera suas propriedades.
Enfim, o que mais ajudaria nisso tudo seria a redução do consumo, e com o aumento da frota de veículos estamos muito longe disso.

Anny
16.10.08 - 13:51

Muito bom, Joaninha. Gostei muito do seu texto sobre este assunto. Como chama aquela sadália que diziam serem feitas de pneus?


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