foto: BBC
Uma história leve e feliz para a gente encerrar a semana em grande estilo, enquanto vamos nos preparando para o Dia Mundial da Água, 22 de março. Este labrador fofo chama-se Tubby. Ele vive no País de Gales, com sua dona Sandra Gilmore e faz o que labradores adoram: caçar e morder. Garrafas PET… Depois da tarefa cumprida, Tubby entrega seus achados à Sandra, que manda para a reciclagem. Ela contou para o pessoal da BBC:
“Ele desenterra as garrafas em qualquer lugar e se enfia embaixo de arbustos e até dentro d’água para pegá-las”, disse a dona, de 51 anos. “Eu gosto de fazer a minha parte, reciclando o máximo que posso - o Tubby me ajuda a fazer um trabalho ainda melhor.” “O Tubby deve ser o cão reciclador mais dedicado e verde das redondezas”, completou.
Via BBC, com dica de Paulo Bicarato
Água mole em pedra dura tanto bate até que… molha! Enfim consegui emplacar um artigo sobre transgênicos na grande imprensa brasileira, saiu hoje (sexta-feira) na página A3 da Folha de S. Paulo. Por mais incrível que pareça, foi a primeira vez que publicam um artigo do Greenpeace sobre o tema!
Eu escrevi em parceria com Rafael Cruz (coordenador da campanha de transgênicos do Greenpeace) e Sérgio Leitão (diretor de campanhas da ONG), que assinam o artigo.
Segue abaixo:
Pax Transgênica
RAFAEL CRUZ e SÉRGIO LEITÃONO FINAL do século 19, enquanto republicanos e monarquistas debatiam o fim do Império e o nascimento da República no Brasil, a população permaneceu à margem de todo o processo. Alheios à transição política que estava em plena ebulição no país, os brasileiros assistiram “bestializados” à queda de d. Pedro 2º e à formação do novo governo, conforme constatou um desapontado Aristide Lobo, republicano de primeira hora. O império se foi e o brasileiro permaneceu apático, sem saber bem o que estava acontecendo.
Ainda que o espírito republicano tenha aberto espaços de participação popular nos destinos do país, certos setores da sociedade não aprenderam a incluir o cidadão comum nas discussões que lhe dizem respeito.
O debate sobre os transgênicos no Brasil, por exemplo, é um caso emblemático de “bestialização” moderna. As indústrias de biotecnologia e de alimentos, a comunidade científica, os grandes produtores rurais e os ambientalistas se digladiam há anos por meio de termos científicos, técnicos, ambientais, agrícolas e econômicos sem se preocuparem em traduzir essa sopa de letrinhas para a parte mais interessada: os consumidores.
Apesar de serem plantados no Brasil desde 1997, quando a soja geneticamente modificada foi introduzida ilegalmente nos campos do Sul do país, contrabandeada da Argentina, os transgênicos continuam sendo um grande mistério para os brasileiros. Pesquisa realizada em 2007 pelo Instituto Ipsos, a pedido do Greenpeace, revelou que a maioria (70%) expressa dúvida muito grande sobre a validade ou não do consumo de transgênicos. O que mostra que os cidadãos não estão recebendo informação necessária que lhes permita a tomada de decisão séria e responsável sobre o assunto.
O debate sobre os transgênicos poderia estar mais popularizado se a indústria respeitasse e o governo exigisse o cumprimento do decreto nº 4.680/2003, que entrou em vigor no Brasil no ano seguinte. Segundo o texto da lei, todo alimento que tenha sido fabricado com matéria-prima transgênica é obrigado a ter em seu rótulo um símbolo triangular amarelo, com um T preto no meio.
Apesar de estar em vigor há cinco anos, apenas algumas marcas de óleo de soja de algumas empresas foram rotuladas -e, mesmo assim, só a partir do início de 2008, por decisão da Justiça, a partir de denúncias enviadas pelo Greenpeace ao Ministério Público. O silêncio da indústria de alimentos permanece para os produtos que estão, em imensa quantidade, nas prateleiras dos supermercados e que são fabricados a partir de soja transgênica -e em breve do milho transgênico, recém-aprovado pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança.
O assunto promete ganhar força a partir do dia 18 de março, quando a CTNBio fará audiência pública sobre o arroz geneticamente modificado da Bayer. Diferentemente do que ocorre com a soja e o milho, que passam por processamento industrial para virar ração ou óleo, com o arroz poderemos ter, pela primeira vez, um produto geneticamente modificado que irá diretamente do campo para o prato do brasileiro. E seremos os primeiros no mundo a consumir o arroz transgênico, já que o produto da Bayer não está aprovado em nenhum outro país.
A correta identificação dos produtos transgênicos dá aos consumidores a liberdade de escolha e à sociedade civil e à indústria de alimentos a chance de responder aos brasileiros a pergunta óbvia: o que são transgênicos? As pessoas aprenderam a ler rótulos e procuram se informar sobre as substâncias ali indicadas. Se os transgênicos são tão seguros quanto afirmam as empresas que desenvolvem essa tecnologia, que sejam identificados nos alimentos que os contêm. E os consumidores se informarão sobre o assunto, como o fazem hoje para saber os teores de gordura trans, carboidratos e sódio dos alimentos. Anos atrás, a indústria também resistiu a dar esse tipo de informação.
Na verdade, ao final da guerra pela liberação dos transgênicos, quando foi aprovada no Congresso a Lei de Biossegurança, as condições para a “pax transgênica” que deveriam ser seguidas nunca foram respeitadas -a correta identificação dos produtos que contivessem transgênicos e a garantia da coexistência da sua produção com a convencional e/ou a orgânica. E, como em toda guerra, a maior parte do ônus fica com a sociedade civil, que é obrigada a conviver com a negação de um direito básico: saber o que está comendo.
Indicar nos rótulos aqueles alimentos que de alguma forma têm organismos geneticamente modificados em sua composição é o caminho para que a população brasileira entre de vez nesse debate. Que a decisão dos brasileiros se dê em meio ao excesso de informação, não sob sua escassez.
RAFAEL CRUZ, cientista social, é coordenador da campanha de engenharia genética do Greenpeace.
SÉRGIO LEITÃO, advogado, é diretor de campanhas do Greenpeace. Foi diretor do Instituto Socioambiental.
Estava voltando da Europa, triste por ter deixado o nostálgico velho continente. Foi um mochilão e tanto - suspiro! Ao meu lado, um engenheiro indiano. Ele visitava o país tupiniquim pela terceira vez.
Meu vôo partiu de Lisboa. Charmosa a cidade provinciana, vista do alto. No caminho, muitas águas e ilhas. Até que… nove horas depois… terra à vista. Bem-vindo ao Brasil. Aliás, o indiano e eu falávamos do meu - nosso - belo país nesse exato momento.
Quando então… Viro para a direita e observo, da janela, o céu nitidamente separado em dois! Aperto no peito. Era a metropolitana São Paulo. Fiquei chocada. Nunca vi, com essa tênue linha, a nojenta poluição. Parti para a agressividade contra cidade que me acolheu.
Aos poucos, o avião mergulha nesse ar poluído. E as partes tornando-se uma no horizonte. “Mas São Paulo é maravilhosa. O Brasil é demais. Eu moraria aqui com prazer. Seria um sonho”, me consolava o indiano, forçando um português enrolado com inglês.
Para ele, as partículas marrons pairando ao nosso lado eram ínfimas. Era “nanomente” menor do que a oportunidade que oferecemos. Afinal, lá na Índia, quem pode ser milionário?
O número - que coloquei no título - foi obtido por um estudo realizado no Laboratório de Poluição da Universidade de São Paulo (USP). Em 2000, ocorreram oito mortes devido à poluição por dia e, em 2006, 12. “Outras investigações estão em curso, como a relação dos poluentes e a diminuição capacidade cognitiva”, afirmou aqui o pediatra Alfésio Braga, da Universidade Santo Amaro, que estuda o tema.
De acordo com a matéria, em um ano, menos de dois meses tiveram a qualidade do ar aprovada por todas as estações de medição. Qual o maior poluidor? Os veículos! “Prova disso é que, dos 41 dias totalmente bons, 17 ocorreram em sábados ou domingos, dias em que a circulação de carros diminui. Além disso, 10 destes dias estão concentrados em janeiro, mês de férias, em que a frota de São Paulo cai 40%”, diz a matéria.
O curioso é que, segundo outra pesquisa brasileira que li, em lugares mais poluídos nascem mais bebês do sexo feminino! Haja mulher para São Paulo. Mais: para saber quais foram os dez maiores problemas relacionados com a poluição em 2008, indico este site - em inglês.
— O que é que você tanto fotografa aí no chão?
Dei uma risada quando ouvi o adolescente na bicicleta — em 15 minutos de cliques, ele era a terceira pessoa a me perguntar a mesma coisa. Expliquei que tinha visto uma mancha na parede e que tirava fotos dela. “De uma mancha?”, ele disse, já me tendo por louca. Sorri de novo. “Elas ficam lindas numa tela, sabia?” Ele deu de ombros e foi embora. Como os outros.
Meu amigo Cárcamo é perito em fazer esse tipo de coisa aparentemente estranha. Já o vi discutir com a faxineira porque ela jogou fora uma jaca podre que ele alimentou por meses: queria pintar uma natureza morta se inspirando nos tons da fruta em decomposição. Já vi aquarelas maravilhosas que ele produziu observando como a terra se infiltra pelas paredes e vai tingindo-as de limo.
Esse meu interesse nesses sinais do tempo é puramente estético. Gosto de fotografar a gana com que as samambainhas brotam de fendas e rachaduras, a renda branca a umidade deixa nas pedras, toda a paleta de verdes que tingem a ferrugem. Para mim, é como se a natureza deixasse claro que não é tão submissa assim à ação do homem e que, cedo ou tarde, cada carro, prédio e rua sucumbirá ao mato.
Ok, é um pouco assustador. Mas não deixa de ser lindo.
*Texto originalmente publicado no blog Voadeira
Faz tempo que acalento a ideia de só escrever sobre bichos e plantas. Sempre acreditei que quem gosta de animais também curte flores – ainda que tenha dificuldade em cuidar de um, outro ou ambos.
Depois de ter me escolado na criação de gatos (tenho 43 no currículo) e de ter me aventurado no cultivo de plantas (são 88 vasos em casa, número que cresce a cada dia), posso dizer que aprendi alguns macetes.
Ponha uma capa no seu sofá e tenha bichos e humanos convivendo em harmonia. Ponha mamão na janela para atrair sabiá. Borrife água com cravo-da-índia para afastar os cães do jardim. Polvilhe sal nos canteiros e livre-se de lesmas. No verão, regue sua jabuticabeira todo dia e garanta frutas mais doces. E tenha paciência com as orquídeas porque uma hora elas vão com a sua cara e dão flores lindas.
Esses e outros truques estarão no recém-criado Bigodes, Focinhos e Raízes. Devia chamar Bigodes, Focinhos, Bicos, Antenas, Patas, Penas, Pelos, Chifres, Cascos, Folhas, Flores e Raízes, mas o pessoal do marketing achou que eu estava muito megalômana e me pediu para surtar menorzinho.
Como eu sou meio desobediente, aviso que será o blog mais bacana sobre bichos e plantas que eu já escrevi. Se isso não for o bastante para convencê-lo a dar as caras por lá, saiba que o Bigodes, Focinhos e Raízes fará promoções com livros, produtos e afins para seres clorofilados, alados ou de quatro patas.
Passa lá, vai?
Em fevereiro, o Ecoblogs foi citado em dois lugares muito bacanas: o Blog do Noblat e a Folha.
Colunista do jornal O Globo e titular de um influente blog de política, o jornalista Ricardo Noblat recomendou a leitura dos posts reproduzidos por nossa Rede, dizendo que o agregador tem “artigos, textos, dicas, relatos, inspirações e experiências sobre meio-ambiente e sustentabilidade”. Veja a íntegra aqui: Dica de Blog: Rede Ecoblogs.
Já na Folha, a repórter Daniela Arrais lembrou do Ecoblogs em uma reportagem sobre conscientização a respeito do lixo eletrônico. “Na internet, curiosos e experts no assunto se reúnem para compartilhar notícias, opiniões e dicas sobre e-lixo, reciclagem e demais questões ambientais”, disse ela antes de citar a Rede.
Veja aqui: Usuários se articulam sobre consumo consciente de eletrônicos em sites e blogs.
Ficamos bem felizes com o reconhecimento.
Obrigada pela ajuda de todos!
Leia também:
15/02/2009 - Entrevista na Folha
11/02/2009 - A tecnologia na onda verde - 1 *
22/01/2009 - Ecoblogs na Campus Party
16/11/2008 - Está na Época de “Faça a sua Parte”
24/10/2008 - Mutirão do Lixo Eletrônico
05/06/2008 - Aparecemos no Multishow
Reportagem de Daniela Arrais, da Folha de São Paulo, sobre consumo consciente e reciclagem de eletrônicos:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u500317.shtml
A Rede EcoBlogs e o Faça a sua parte participaram da entrevista. Eu, Sylvia Ferrari e Jorge Cordeiro demos nossa contribuição.
Minha participação:
Denise Rangel, do Sturm und Drang (drang.com.br/blog), dá dicas sobre ambiente, indica onde reciclar pilhas, por exemplo, e incentiva atitudes sustentáveis, como criação de mini-horta em casa e redução do uso de carro. “Tenho procurado informar, discutir e divulgar novas ideias com o objetivo de incentivar mais pessoas a repensarem seus hábitos e conceitos e optarem por uma vida mais saudável e em equilíbrio com o meio ambiente”, diz.”
O documentário O Mundo Segundo a Monsanto, da jornalista francesa Marie-Monique Robin, finalmente ganhou legendas em português no Youtube. Está dividido em 12 capítulos. Quem quiser realmente entender o que está por trás da engenharia genética aplicada a alimentos precisa ver esse filme.
Robin agora está se dedicando a desvendar as relações entre a industrialização da agricultura e o aumento nos casos de câncer no mundo, segundo disse em entrevista à revista Época. Não é de hoje que sabemos que comida industrializada é lixo embalado. A questão é quanto isso está fazendo mal para nossa saúde. Uma matéria publicada terça-feira no Estadão, por exemplo, mostra que estamos envenenando nossas crianças com excesso de gordura, sal, açúcares.
Os transgênicos são apenas parte do problema. A questão central é o descaso da indústria - e de boa parte dos consumidores - com algo tão fundamental como nossa comida do dia-a-dia. Devemos sempre conhecer o que ingerimos, saber o que pode provocar em nosso organismo, quais as contra-indicações, e assim por diante. Mas para isso precisamos de honestidade por parte da indústria, o que não acontece. Eles só se mexem quando há pressão de consumidores e/ou Justiça - quando se mexem. Mas a gente tá aqui pra dar bicuda na canela deles até que tomem vergonha na cara e mudem o paradigma do seu negócio, né não?
Enfim, vamos ao filme:
Uma opção é doá-los para entidades filantrópicas, como casas que abrigam idosos ou jovens carentes. Alguns fabricantes recebem equipamentos de volta. Caso da Dell, que envia computadores em bom estado para centros comunitários. A fundação Pensamento Digital, de Porto Alegre e o Museu do Computador, de São Paulo, aceitam doações de computadores, teclados e mouses, entre outros, enquanto algumas ONGs e empresas de reciclagem, como a Sucata Eletrônica, de São Paulo, compram televisores, computadores, celulares, impressoras, câmeras digitais e até cercas elétricas.
No site www.cempre.org.br, você encontra uma relação de empresas que compram aparelhos usados. Baterias de celulares devem ser entregues nas lojas da operadora ou na rede de assistência técnica autorizada do fabricante.
*Versão sem cortes de reportagem feita em parceria com a repórter Bruna Menegueço, publicada na revista Gestão Empresarial