
Ei, você tem um blog? Se interessa por meio ambiente? Tá por dentro da reunião da ONU sobre clima (COP 15), que acontece agora em dezembro em Copenhague, na Dinamarca? Tem disponibilidade para viajar? Então você está mais do que preparado para enfrentar uma competição criada pelo Centro Europeu de Jornalismo (com apoio da Comissão Européia), a Th!nk2 Climate Change, entre 81 blogueiros da Europa, China, Brasil, India e EUA para discutir idéias sobre as mudanças climáticas, a partir do próximo dia 23 de setembro.
As inscrições já estão abertas e os blogueiros selecionados serão levados à capital dinamarquesa para serem treinados na ferramenta de publicação disponibilizada. Depois, é cada um por si e o aquecimento global contra todos. Cada participante deverá escrever sobre questões de seu país relacionadas às mudanças climáticas, "para trazer o lado local de um assunto global".
Os blogueiros serão avaliados durante três meses e todo mês serão escolhidos três vencedores, um em cada critério a seguir: Qualidade dos posts, Impacto e uso de ferramentas de multimídias - ver mais detalhes aqui. Os três melhores blogueiros ao final da competição serão levados para Copenhague durante a conferência climática da ONU.
A competição começa no dia 23 de setembro e vai até 20 de dezembro, quando será apontado o vencedor geral entre os 81 blogueiros.
Boa sorte!
O lixo eletrônico, um problema mundial que vem se agravando dia após dia. No Brasil não é diferente. O assunto até fazia parte do projeto de lei 203/91 que está sendo discutido na Câmara dos Deputados para definir a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Fazia, esse é o problema. O artigo 33 do projeto, que regulamenta a logística reversa e a reciclagem, teve seu texto alterado e produtos eletro-eletrônicos ficaram de fora, por pressão da indústria. A justificativa? Fica muito caro para as empresas se responsabilizarem pela coleta e reciclagem do lixo eletrônico.
Mas caro mesmo fica para o meio ambiente, se o projeto de lei for aprovado dessa forma. Por isso a ONG Lixo Eletrônico.org tomou a iniciativa de pressionar deputados e senadores para que os produtos eletro-eletrônicos voltem ao projeto de lei.
Para tanto criaram o Manifesto Lixo Eletrônico: pela inclusão dos produtos eletro-eletrônicos na Política Nacional de Resíduos Sólidos - clique aqui para assinar a petição online dando seu apoio ao manifesto.
Aproveitando o assunto, entrevistei o coordenador da ONG Lixo Eletrônico.org, Hernani Dimantas. Confira:
Por que é importante incluir o lixo eletrônico na Política Nacional de Resíduos Sólidos?
O lixo eletrônico é composto por resíduos tóxicos, de difícil reciclagem e manejo. É uma grande ameaça ao meio ambiente e à saúde das pessoas, por seu potencial contaminante e, sem dúvida, compõe a parte mais tóxica dos rejeitos domésticos e corporativos. Além das urgências dessas questões, os equipamentos eletrônicos descartados contêm uma grande quantidade de conhecimento e, portanto, infinitas possibilidades de reutilização e ressignificação que podem servir a objetivos nobres como educação, inclusão social e digital.
Portanto, está clara a demanda social, econômica e ambiental para a regulamentação de uma normativa nacional para a gestão adequada desses resíduos - que cada vez mais serão produzidos em maior escala por nossa sociedade.
Como o Brasil esta hoje em termos de reciclagem de eletro-eletrônicos?
O Brasil não possui números exatos de quanto lixo eletrônico é reciclado, somente estimativas baseadas no mercado formal, indicando que não mais de 1% dos resíduos eletrônicos produzidos no país tem um destino ambiental adequado.
Somando-se os outros 99% a todos os equipamentos comercializados no mercado informal, a situação é aterradora. Sabemos que é de costume do brasileiro não jogar esse tipo de resíduo no lixo e sim repassar a outras pessoas, reutilizar. Ainda assim, o passivo ambiental apresentado por milhares de toneladas de eletrônicos inutilizáveis pode contaminar seriamente plantações, animais e seres humanos.
O que o consumidor pode fazer para não contribuir com o problema?
Os consumidores podem exigir dos fabricantes a coleta e a reciclagem de seus produtos, bem como a correta identificação das ameaças que estes apresentam, além do óbvio: consumir menos, reutilizar mais. Os cidadãos devem exigir do poder público legislação específica que obrigue a logística reversa e reciclagem por parte dos produtores de eletrônicos entre outros mecanismos que protejam a saúde humana e o meio ambiente.
(Clique aqui e leia a íntera do projeto de lei que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos - arquivo em PDF)
Voltando da casa de meu pai - ou ‘vovô ferramenta’, como o chamam meus filhos -, passei em frente ao cinema Estação Botafogo e vi que está passando lá, apenas às 13h15, o documentário Home, do fotógrafo, jornalista e ambientalista francês Yann Arthurs-Bertrand. Em pouco mais de 90 minutos, Home nos revela, por meio de imagens aéreas de várias regiões do planeta, como estamos ameaçando assustadoramente o equilíbrio ecológico da terra, ar e mar.
O grande barato é que o filme foi lançado no mês passado em 50 países, simultaneamente nos cinemas, em DVD e no YouTube. Confira mais detalhes na página oficial do projeto.
Vou tentar dar um ‘perdido’ nas crianças para ver esse filme na telona - boralá? Se não conseguir, o jeito é assistir aqui mesmo no computador do meu irmão, por este link.
Aqui o trailer do filme.
E aqui, no Daily Motion - me pareceu ligeiramente diferente daquele que vi no YouTube.

(Camisa da campanha Green My Apple)
As camisetas de campanhas fazem parte da história do Greenpeace. Elas foram usadas ao longo dos últimos 30 anos na organização como ferramenta de protesto contra baleeiros russos e japoneses, os testes nucleares americanos e franceses, o desmatamento na Amazônia, os riscos das mudanças climáticas e tantos outros.
O escritório do Japão convocou ativistas, colaboradores e voluntários do Greenpeace de todo mundo a doarem seus exemplares para uma exposição e reuniu assim 200 delas. Confira a galeria do Flickr com os modelos.
O fotógrafo John Novis, do Greenpeace Internacional, passou semanas convivendo com a população da província Yunnan, na China, e registrou brilhantemente o modo de vida de agricultores que têm suas vidas intimamente ligadas ao cultivo do arroz. Nas plantações que cobrem vastas extensões de terra, garantindo o sustento de milhares de pessoas, John pode conferir uma rica cultura tradicional, que infelizmente está ameaçada por grandes corporações que querem tomar controle da produção do arroz.
Se o seu inglês está em dia, confira o slideshow aqui com a narração do próprio John, além de uma belíssima trilha sonora, para entender detalhes dessa bela homenagem aos agricultores - da China e de todo o mundo.
Por falar em alimentação, interessante a reportagem publicada esta semana no New York Times sobre como a indústria de alimentos induz os consumidores a comerem coisas mesmo contra a sua vontade. Segundo pesquisas do dr. David Kessler, ex-encarregado da Food and Drug Administration (FDA) - poderosa instituição americana que regula medicamentos e alimentos - e autor do livro “The End of Overeating: Taking Control of the Insatiable American Appetite” (O fim da comilança: controlando o insaciável apetite americano - tradução livre), a indústria de alimentos age mais ou menos como a indústria de cigarros.
Segundo o dr. Kessler, ao combinar gorduras, açúcar e sal de várias formas, os fabricantes de alimentos conseguiram atingir o sistema de recompensa do nosso cérebro, criando um feedback que estimula nosso desejo de comer e nos deixando cada vez mais com vontade, mesmo quando já estamos cheios.
No livro, o dr. Kessler admite: "Eu não estaria tão interessado no assunto de por que não resistimos à comida se eu mesmo não sofresse com isso. Eu perdi e ganhei peso várias vezes. Tenho ternos de todos os tamanhos."
A indústria de alimentos é tema também de um documentário que vem dando o que falar nos Estados Unidos. Food Inc. coloca em xeque muitos dos procedimentos dos fabricantes, meio que na linha de outros filmes como Super Size Me e Fast Food Nation, englobando não apenas questões de saúde ou alimentícias, mas também éticas, ambientais e políticas. Confira aqui o trailer de Food Inc.
É aquela velha história: para se alimentar bem, é preciso estar bem informado.

Líderes europeus surpreenderam o mundo ao anunciarem, na reunião da ONU sobre clima em Copenhague, um acordo global ousado para reduzir as emissões de gases do efeito estufa, que inclui a proteção das florestas, oceanos e investimentos pesados em energia renovável como solar e eólica. Não acredita? Deu no International Herald Tribune, versão do New York Times vendida fora dos EUA.
Ok, ok, brincadeirinha… essa e outras boas novas ambientais são, infelizmente, parte da versão falsa do jornalão distribuída hoje em Bruxelas por ativistas do Greenpeace durante a reunião dos principais líderes da Europa na cidade belga. A idéia (uma parceria da organização ambientalista com os malucos do Yes Men) é pressionar esses caras que pouca atenção têm dado à crise climática que vivemos. Já coçaram os bolsos com gosto para salvar bancos e seguradoras, mas dinheiro pra salvar o planeta que é bom, necas!
A idéia do jornal falso não é nova, no final do ano passado fizeram o mesmo com o NYT, anunciando o fim da guerra do Iraque entre outras ‘mentiras’. Mas tá valendo!
Veja aqui a reação da galera ao receber o jornal com tantas notícias boas pelas ruas de Nova York.
Veja também aqui outros trotes do grupo Yes Men - os caras são bons!

Se eu ainda tinha alguma dúvida sobre o sistema operacional do meu futuro laptop, ela se foi quando eu li o seguinte: o sistema Linux, além de ser mais barato e seguro que os proprietários da Apple e Microsoft, é também mais ecológico!
A ZDNet australiana listou 10 pontos em que o Linux vence seus rivais em termos ambientais. Como o fato, por exemplo, de ser mais leve e por isso não exigir um computador tão potente para funcionar a contento, usando assim menos energia.
Sei que muita gente resiste em usar computadores com Linux afirmando que é complicado demais e que já está acostumado com o Ruindows da M$. O primeiro argumento já foi verdade um dia, não é mais. Saca o Ubuntu e depois me diz. Quando trabalhei na prefeitura de São Paulo durante a implantação do projeto de inclusão digital na capital, vi gente da periferia usando Linux na boa. Perguntei a alguns se sentiam muita diferença e a resposta era meio óbvia: claro que não, afinal era a primeira vez que estavam usando um computador.
Isso nos remete à segunda questão, do costume de usar este ou aquele programa. Ora, você pode estar acostumado a andar de carro e começar a andar de ônibus por questões financeiras e/ou de conscientização. Não tem o costume de dar caronas e fazer isso com mais frequências. Ter o costume de escovar os dentes de torneira aberta e ter que se acostumar a não mais fazer isso. E por aí vai.
Mudanças de hábitos (principalmente os maus) são fundamentais para atingirmos novos patamares civilizatórios, que respeitem o meio ambiente, as pessoas e as regras de boa convivência, inclusive no grande mercado capitalista. Compartilhar, tolerar, reusar, reciclar. Tudo na vida é uma questão de escolha. E por meio delas, definimos nosso futuro.

Michael Moore, sempre ele, fez um texto brilhante sobre a anunciada falência da General Motors e deu o caminho das pedras para o governo americano, agora principal acionista da empresa, dar um foco sustentável no empreendimento. O texto já vem rodando pela net há algum tempo, mas faço questão de registrá-lo aqui. São nove dicas de como a GM pode ser socioambientalmente responsável, deixando de fabricar carrões poluentes e egoístas para produzir transporte de massa, limpo e seguro. Nas palavras de Moore:
Não coloque outros US$ 30 bilhões nos cofres da GM para a fabricação de carros. Em vez disso, use esse dinheiro para manter a atual força de trabalho da empresa - e boa parte daqueles que foram demitidos - empregada para que possam produzir os novos modelos do transporte do século 21. Deixem eles começarem os trabalhos de conversão já.
(leia aqui o texto na íntegra, em inglês)
Moore praticamente deve à GM seu sucesso no mundo dos documentários, já que ela foi a estrela do seu primeiro filme, Roger & Me (de 1989), em que o cineasta persegue o então presidente da empresa - Roger Smith - para que ele explique o fechamento de 11 fábricas na região de Flint, cidade natal de Michael Moore. Veja aqui o trailer do filme.
O futuro da GM (agora sigla para Government Motors, piadinha que andou circulando pelo twitter), empresa que matou o carro elétrico na década de 1990, pode sinalizar os novos caminhos de toda a indústria automobilística. O mundo dá voltas…
Aliás, já viu o filme Quem Matou o Carro Elétrico? É um documentário de 2006 sobre o EV1, veículo produzido pela GM na década de 1990 e foi abortado por pressão da indústria petrolífera e automobilística. Tá aqui, dividido em 10 partes de cerca de 10 minutos cada. Tranquilinho.
Clique aqui para ver uma palinha - o trailer:
Para se ter uma idéia do nível da discussão ambiental no país, dá uma conferida neste post do Greenblog, do pessoal do Greenpeace. É tão bizarro que vou reproduzir abaixo algumas das declarações feitas durante encontro da Câmara Americana de Comércio (Amcham) para discutir o Código Florestal brasileiro. Não sei ainda se é pra rir ou para chorar, mas enfim…
Antônio Fernando Pinheiro Pedro, presidente do Comitê de Meio Ambiente da Câmara Americana de Comércio (Amcham)
“Se essa defesa antipatriótica do meio ambiente que fazem aqui no Brasil fosse feita por essas pessoas na China, elas já teriam levado tiro e família ter pago a bala.”
comentário: ou seja, para Pinheiro Pedro, patriota é aquele que baixa a cabeça para toda e qualquer agressão ambiental, caso contrário ele deveria ir para o ‘paredão dos ambientalistas’.
Pois é, e não é que os tais ecoxiitas que alertavam lá atrás que a aprovação do milho transgênico pelo Brasil traria problemas aos agricultores estavam certos? Os produtores do Paraná, responsáveis pela maior parte do milho plantado no país estão sofrendo com a contaminação de suas lavouras pela versão transgênicas, assunto tão grave que ganhou manchete na Folha dias atrás. Se ambientalistas fossem mesmo chatos ficaram que nem aquele personagem de Carangos e Motocas que, ao final de cada episódio, repetia: “Eu te disse! Eu te disse!”.