O que você não sabia sobre a arqueologia da Amazônia
27.10.09 - 16:52 | Categorias: Rede Ecoblogs

Há um tempo recebi da editora Jorge Zahar Editor o livro "Arqueologia da Amazônia", escrito pelo pesquisador Eduardo Góes Neves. Ontem de madrugada, em uma deitada só, devorei a obra. O livro é interessante. Ele sintetiza e contextualiza a arqueologia e outras informações importantes sobre região amazônica - englobando todos os países da qual ela faz parte.

Segundo o autor, uma das ideias do livro é que as informações sobre o passado podem ajudar a solucionar a ocupação atual da região. Afinal, ao contrário do que muita gente pensa, a Amazônia já foi populosa. Comunidades com culturas completamente diferentes viveram ao mesmo tempo nela. Algumas eram agrárias ou possuíam diversas fontes de alimentos - como plantações e praticavam a caça -, outras formaram redes de cidades com estradas, algumas praticavam o comércio.

E a ocupação é antiga… Um dos sítios arqueológicos mais remotos da Amazônia é de 12.000 a.C - localizado no vale do rio Guaporé, em Mato Grosso. Temos muito o que descobrir e aprender com o passado do nosso país. Além disso, precisamos cuidar para evitar os saques e contrabandos que acontecem, possivelmente, todas as semanas. De acordo com o livro, a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) está pressionando para que os arqueólogos e órgãos públicos protejam o patrimônio. Como conhecer ajuda a preservar, selecionei algumas das informações interessantes que li no livro. Preciso compartilhá-las:

  • A ocupação da Amazônia nunca foi uniforme no espaço e no tempo;
  • Cidades contemporâneas como Santarém, Manaus, Manacapuru e Tefé foram construídas em cima de grandes sítios arqueológicos;
  • Nas zonas de estuário e do litoral, foram identificados sítios com algumas das cerâmicas mais antigas da América do Sul;
  • Na bacia amazônica, são faladas línguas de ao menos quatro grandes famílias distintas - tupi-guarani, arawak, carib e gê. A Europa, por exemplo, com exceção das línguas que foram introduzidas da África e da Ásia, possui apenas uma grande família linguística, a indo-européia;
  • Ao longo dos milhares de anos, o clima do planeta mudou e, consequentemente, a floresta amazônica. Entre 10.000 a.C. e 8.000 a.C., as condições climáticas e ecológicas da Amazônia eram semelhantes às atuais;
  • Os índios domesticaram - processo anterior à agricultura - uma série de plantas como o abacaxi, o amendoim, o mamão, a mandioca e a pupunha. É possível que a mandioca e a pupunha foram domesticadas onde hoje está o estado de Rondônia;
  • Na domesticação, algumas plantas desenvolveram uma dependência mútua com relação aos seres humanos. Por exemplo, algumas variedades da mandioca não lançam mais sementes ao solo. Seus galhos precisam ser quebrados e plantados pelos agricultores;
  • O solo amazônico é pobre, mas possuem faixas chamadas de "terras pretas" que são ricas em nutrientes - muito procuradas pelos agricultores atuais. Os arqueólogos acreditam que elas são o resultado do acúmulo de restos orgânicos de aldeias sedentárias de milhares de anos atrás.

Obs.: Quer saber mais sobre a Amazônia? Sugiro a leitura dos posts "A Amazônia não é virgem" e "Cientistas descobrem a idade do rio Amazonas", este que escrevi para o Blog do Planeta. Também indico a leitura da matéria "Fique em dia com o planeta!", no portal iG, para contextualizar mais.

 

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